A guerra – Crónica (nem demasiado fútil nem excessivamente sisuda)
A guerra – Crónica (nem demasiado fútil nem excessivamente sisuda)
Há eleitores indignados com gastos em Defesa, que se opõem ao
empréstimo contraído de 5,8 mil milhões de euros, que nem conta para o défice,
na perspetiva de Bruxelas, com o mero argumento de que mais tarde terá de ser pago,
capital e juros.
Como é possível não sentirem orgulho em três fragatas topo
de gama, já encomendadas a Itália, e nos modernos caças, 25 a 30, que irão
substituir a frota dos F-16?
Que se acautelem os pescadores furtivos de meixão no
estuário do Guadiana, os barcos de droga que demandam Portugal, e os russos. Estes,
a muitos anos de ocuparem todo o Donbass, na Ucrânia, segundo disse o general
Isidro Pereira, demorariam mais de três séculos a chegar a Vilar Formoso, mas o
melhor é estarmos prevenidos e armados.
Como acredito muito no general Isidro, na D. Helena Ferro
Gouveia, no Sr. coronel José Carmo e no Dr. Irineu Teixeira, respeitados
estrategos e pensadores que diariamente nos elucidam sobre a bondade da invasão
do Irão pelos EUA e a iminência da derrota russa na Ucrânia, sinto-me sábio
sobre as guerras em curso. Abençoados pedagogos!
Mas voltemos aos russos. As pessoas esqueceram-se do que a Senhora de Fátima disse à Lúcia quando aterrou no Mariódromo da Cova da Iria para lhe prescrever o terço como demonífugo e enviar recados sobre a necessidade de consagrar a Rússia ao seu, Senhora de Fátima, imaculado coração? Do cimo de uma azinheira, disse-lhe que «todo o mal vem da Rússia», opinião coincidente com a do Sr. cónego Formigão, que Deus há.
Não é porque os russos demorem séculos a chegar ao Algarve
que devemos descurar a nossa defesa. Até pode suceder que nessa altura Putin
tenha morrido e o Dr. Montenegro já não seja primeiro-ministro, e o mal virá da
Rússia como outrora vinha de Castela. Foi para defender o estuário do Tejo que
o Dr. Portas comprou dois submarinos à Alemanha, enquanto ordenava a uma corveta
da Marinha que demandasse a Figueira da Foz para defender a cidade da iminente invasão
de pílulas abortivas por um navio holandês.
Graças ao defunto CDS, os caminhos do Senhor são
insondáveis, as pílulas regressaram à Holanda. Bendito seja o ministro, o
Senhor seja louvado, poupou as mulheres à pílula abortiva e ajudou Durão
Barroso a destruir armas químicas no Iraque!
E para que precisamos da Segurança Social, Saúde e Educação
se estivermos mortos? Venham os caças e as fragatas, e livrem-nos dos
imigrantes.
Não queremos imigrantes. Deixem-nos ser felizes.

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