Luís Neves foi a sorte grande que saiu ao Chega e ao PSD
Luís Neves foi a sorte grande que saiu ao Chega e ao PSD
Enquanto se persegue encarniçadamente um membro do Governo, que
parece estar a desempenhar bem as suas funções, independentemente de eventuais
ilícitos que lhe são imputados, em anteriores funções, o país está suspenso à
espera da sua demissão.
O PR, dado a vigorosos silêncios e abstenções violentas, é
pressionado a pronunciar-se sobre a composição do Governo, em que é constitucionalmente
incompetente, e pôs os alegados conselheiros e panegiristas a fazerem
afirmações contraditórias.
O 4.º Pastorinho, em risco de ser ultrapassado em
notoriedade, regressou às entrevistas exclusivas diárias, às acusações estridentes
contra o bloco central, e puxou da moção de censura ao governo para
acalmar as hostes internas do partido, que andam desavindas, e mobilizar os
média em torno de si próprio.
O PM, que foi firme a esconder os objetivos da Spinumviva, os
benefícios nos impostos que lhe rendeu, a relação entre pareceres à Câmara de
Espinho e os eventuais benefícios na moradia de Espinho, dos materiais à
reconstrução, vê na manutenção do MAI o mais poderoso para-raios para as
trapalhadas do Governo e a sua própria conduta ética.
Na Educação, depois do maior caos a que os exames de acesso
ao ensino superior deram origem, o causador já goza dos favores dos
comentadores, há sempre um Rui Calafate a garantir que é um excelente ministro,
e quase um milhão e meio de alunos vê o começo do seu ano escolar adiado e as
famílias desesperadas.
Nos hospitais, demitem-se direções em bloco, os doentes
aguardam horas nas urgências e o SNS vai sendo destruído silenciosamente
enquanto se fala da piscina ou do carro de Luís Neves e um Adalberto que foi
ministro da pasta do PS, garante que há coisas que o governo está a fazer bem.
O ministro das Infraestruturas prepara as privatizações que
faltam enquanto um Sérgio Sousa Pinto ou um Álvaro Beleza garante que há Estado
a mais e não, depreende-se, um excesso de ideologia neoliberal.
Os direitos dos trabalhadores continuarão ameaçados, os alunos,
que deviam regressar às aulas, ficam em casa, a jogar videojogos, os
combustíveis voltam a subir e os painéis televisivos continuarão a discutir a
moção de censura, inócua para derrubar o Governo e útil ao 4.º Pastorinho para sabotar
o regime, enquanto o país se distrai com o carro e a piscina, que é um tanque,
de Luís Neves, depois de ter aprendido o que é uma galera.
Se Luís Neves bater com a porta, o que já devia ter feito, a
saída é inevitável, deixa-os a todos a falar sozinhos, e talvez venhamos a
saber o que se passou na AR com o assalto ao gabinete do 4.º Pastorinho que, a
existir, foi um gravíssimo atentado ao Estado de Direito democrático.
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