25.º aniversário do ataque às Torres Gémeas de Nova York
25.º aniversário do ataque às Torres Gémeas de Nova York
No dia 11 de setembro, há 25 anos, senti-me americano,
sufocado pela orgia de horror que desabou num país que tinha sobre os inimigos
a superioridade moral, o que não era pouco, que a democracia lhe conferia.
Foi o fundamentalismo islâmico o responsável pelo holocausto
provocado, a origem da demência assassina de quem gravita em torno de um credo
como moscas à volta do seu alimento predileto, a incubadora de suicidas beatos
que acreditam na virtude do martírio porque descreem da bondade do seu Deus.
Recordo a elegante e altiva silhueta de Manhattan pela
câmara de Woody Allen, hoje uma memória dolorosa com milhares de vítimas
sepultadas sob escombros do cenário rasgado. Olho a estátua da Liberdade,
rodeada de morte e sofrimento, dolorosa metáfora de uma civilização ferida. Os
valores de que nos reclamamos foram desafiados.
Apesar da dor e da revolta, da raiva e do sofrimento, penso
que devemos sobrepor a justiça à vingança, o castigo dirigido ao ódio cego.
Não podemos permitir que, à sombra da terrível emoção, deixemos
arrasar a Palestina ou permitir a caça ao árabe. Não é nos crentes que está o
perigo, é no poder do clero que os conduz. Jeová, Cristo ou Alá são
inofensivos. Perigosos são os funcionários que agem em seu nome.
E, tal como nós, que nos libertámos do poder clerical que não
se conformava com a separação do poder espiritual e temporal, que considerava a
Igreja incompatível com a democracia e o progresso, também eles, os muçulmanos,
hão de conquistar o direito à liberdade religiosa e política, reconhecer os
direitos das mulheres e a democracia.
O horror está nos estados teocráticos, nos totalitarismos
com que nos conformamos, na pobreza, na ignorância e no analfabetismo que os
sustentam.
(Texto adaptado de um outro publicado no Expresso seis anos depois, em setembro de 2007)

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