O governo português e a guerra EUA / Irão

O governo português e a guerra EUA / Irão

O governo de Montenegro já foi suficientemente leviano quando cedeu a Base das Lajes aos EUA, sem perguntar sequer onde era a invasão, crendo que a bajulação compraria os favores da administração Trump com o apoio ao bombardeamento do Iraque.

Permitiu-se, aliás, censurar o governo da vizinha Espanha onde Pedro Sanchéz resistiu como consciência ética da UE, ora esquecida dos objetivos da paz e do bem-estar das populações, e a usar dois pesos e duas medidas, conforme o agressor.

Condenar a política errática de Trump e abominar a invasão do Irão, não é defender o regime medieval dos Aiatolas, é embarcar na aventura injusta, criminosa e merecedora do escrutínio do Tribunal Penal Internacional. Não é por serem assassinados facínoras que os assassínios deixam de ser crime e criminosos os assassinos.

Luís Montenegro e o MNE, Paulo Rangel, são exemplo da irrelevância e da decadência ética a que conduziram Portugal, sem política externa própria, incapazes de condenar o aventureirismo dos EUA e Israel na invasão do Irão e no massacre do seu povo. E não é o silêncio sobre a agressão que se condena, é a censura às vítimas que nos envergonha, na confusão entre o invasor e o invadido, numa transferência pusilânime da culpa.

Compreende-se a falta de coragem com os fortes, mas é indigna a desfaçatez com que se censura a vítima. Na ONU, Paulo Rangel aproveitou os cumprimentos protocolares ao seu homólogo iraniano para apelar a que evite a “escalada de tensão”, depois de Trump ameaçar reduzir o País a escombros, de o bombardear e de manter a ameaça permanente de novos bombardeamentos.

Luís Montenegro, no discurso na Assembleia Geral da ONU, em profunda catatimia, não censurou a invasão dos EUA, criticou, pasme-se, as «ações agressivas do Irão»!

Que raio de governantes! Que raio de gente!

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