Portugal e o belicismo

Portugal e o belicismo

Desde que Salazar, na infância da guerra colonial, apelou ao nacionalismo primário de um país analfabeto e embrutecido pela ditadura, e o galvanizou com o grito selvagem, «Para Angola, rapidamente e em força», não assistíamos à demência coletiva de apelar ao armamento e defender a guerra.

Não bastam as guerras em curso, a que ninguém verdadeiramente parece opor-se; apela-se a guerras que exterminem os maus para que vençam os bons, e incluem-se no número dos bons os que ontem eram maus e ninguém garante que amanhã não voltem a ser.

Nunca, na Humanidade, se progrediu tanto em tão pouco tempo na arte de matar e nos meios de o fazer e, jamais se viu tamanha apatia com decisões tomadas ao arrepio dos povos e acordadas por diretórios que se julgam predestinados a decidir a guerra sem ouvir os que serão chamados a matar e a morrer por interesses que não são os seus.

Acoimam-se de covardes os que condenam a guerra e de democratas os que a estimulam e, jamais, em democracia, foram tão opacas as decisões, tão parcas as explicações, estas substituídas pela propaganda, e tão dissimulados e amorais os decisores.

Quando se assevera que estão “perigosamente” baixos os arsenais de armas no mundo, tal é o seu consumo, e que é preciso produzir rapidamente muito mais armas, porque é imperioso preparar a Defesa, é a pulsão de guerra que percorre quem espalha o medo e pretende anestesiar os povos para esconder o que é premente para a sua sobrevivência.

É surpreendente que ninguém pareça preocupar-se com a segurança alimentar, a Saúde, a qualidade do ar, no fundo a sustentabilidade do Planeta e preservação da vida na Terra, com as populações assustadas, tolhidas de medo, e distraídas das necessidades básicas.

Não faltam habitação, Saúde, escolas, cereais, água e ar puro, precisamos urgentemente de mais armas. É esta retórica obscena que urge combater.

A única coragem que se pede é a de exigir a Paz.

 

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