Divagando 37
Divagando 37
Hoje, dia seis de setembro do Ano da Graça de dois mil e vinte
seis pode ficar na História da Europa como data assinalável. Resta saber como,
enquanto factos assinaláveis estão a acontecer ao arrepio da União Europeia e
do próprio Reino Unido, país em vias de divórcio dos EUA cujo casamento parecia
eterno.
Comecemos por Portugal. A Agência Fitch subiu o rating
de A para A+, boa notícia para o País e para o Governo. Este merece
felicitações, ponto final.
Na Alemanha, em eleições regionais, decide-se hoje o governo
do Estado da Saxónia-Anhalt. Independentemente de a AfD obter ou não maioria
absoluta, a possibilidade de o partido nazi poder vir a ser o maior partido
alemão, devia provocar um sobressalto na Europa, onde a memória da II Grande
Guerra e do nazismo devia estar ainda presente.
A UE encontra-se à deriva sob o pouco confiável comando da
senhora Von der Leyen e com a incapaz alta representante para os Negócios
Estrangeiros que nem logrou sequer ser recebida nos EUA pelo seu homólogo Marko
Rubio. António Costa, em quem se confiou para levar um módico de racionalidade assimilou
a agenda da Sr.ª Von Leyen, agenda que é da sua competência.
E assim chegamos ao segundo momento importante para o
destino da UE que goza da animosidade conjunta da Rússia e dos EUA que continua
um país considerado amigo e a quem a UE insiste em prestar vassalagem. Nem um PR
demente dissuadiu a UE de se manter satélite de uma potência concorrente e,
neste momento, assumidamente hostil.
Enquanto se esperam os resultados eleitorais da Saxónia, que
contaminarão a Alemanha e a Europa, os EUA está a decidir em Kiev o destino da
Ucrânia, após contactos com a Rússia, enquanto em toda a Europa ocidental se
discute o que pode está a ser decidido.
Há horas que os vários canais televisivos discutem o tema,
tal a importância, e sobram comentadores indignados por não ter sido ouvida a Europa
(leia-se, países da UE e RU), como se fosse espectável a presença de quem se
colocou de um dos lados, sem permitir sequer a António Costa que abrisse um
canal de conversações com a Rússia, advertido por Macron e Friedrich Merz
quando pretendeu fazê-lo.
As eleições de hoje na Alemanha são um barómetro. O partido
nazi já não quer invadir a Rússia, quer importar gás barato. A Europa não se
divide entre democratas e putinistas, a geoestratégia das grandes potências não
se reduz a emoções fáceis e propaganda. Por muito que se apele à emoção, a
propaganda sucumbe perante a realidade dos factos.
A agenda da Sr.ª Von Leyen, delenda est Rússia, está
hoje a ser posta à prova em Kiev, o futuro do chanceler Merz a ser decidido na
Saxónia e o da UE suspenso do desfecho da guerra na Ucrânia discutido entre a
Rússia e os EUA.
Coimbra, 17H45.
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