Violência contra as mulheres. Os monoteísmos e a misoginia.
Violência contra as mulheres. Os monoteísmos e a misoginia.
A tara judaico-cristã, comum aos três monoteísmos, foi sendo
atenuada pela civilização, mas permanece na matriz genética das Religiões do
Livro e no espírito dos hierarcas que as divulgam, e delas vivem, bem como
dos crentes que as seguem.
Paulo de Tarso, autor da primeira cisão bem-sucedida do
judaísmo, preservou o horror à mulher, em perfeita consonância com a lei
moisaica de que, aliás, só divergiu quando se convenceu de que o Messias
anunciado era Jesus, judeu falecido sem imaginar que dera origem a uma seita
que o imperador Constantino, por necessidade de cimentar o Império Romano,
havia de converter em religião e tornaria obrigatória.
Todavia, o apogeu da demência misógina seria atingido com
Maomé na cópia grosseira dos monoteísmos anteriores. E não vale a pena dizer
que é a versão errada do islamismo que dá origem à violência. É isso que o
Corão, manual terrorista elevado à categoria de livro sagrado, ensina. Foi esse
o pensamento do Profeta Maomé, um beduíno analfabeto e amoral, como o definiu
Atatürk.
O horror à discriminação da mulher leva os crentes a
desculpar as religiões o que, seja qual for a crença ou descrença de cada um,
não permite absolve-las da sua influência no sofrimento secular imposto a
metade da Humanidade, por discriminação de género.
É verdade que o cristianismo se civilizou, graças à
repressão política sobre o clero, e o judaísmo se reduz a menos de 20 milhões
de judeus, a maior parte secularizada, e não deixa de ter influência nefasta na
violência sionista e na possibilidade de retrocesso.
O Islão, no ocaso da falhada civilização árabe, permanece
virulento e não surpreende os que acompanham a sua deriva política, que os Estados,
imponham às mulheres severas restrições à liberdade. É assim que o uso do véu
integral e a mutilação genital feminina [não sendo esta uma imposição de todo o
Islão] são frequentemente exigidos, bem como a cobertura dos pés e mãos, sob
pena de «castigos severos».
É difícil perceber que, sob o álibi do respeito pelas
religiões, não se combatam no plano ideológico, à semelhança das doutrinas
políticas consideradas perversas.
Deixo aqui a opinião de dois santos doutores do
cristianismo cuja censura me levaria à fogueira se não tivesse havido o
Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa.
"No que se refere à natureza do indivíduo, a mulher é
defeituosa e malnascida, porque o poder ativo da semente masculina tende à
produção de um perfeito parecido no sexo masculino, enquanto que a produção de
uma mulher provém de uma falta do poder ativo." (Tomás de Aquino, Summa
Theologica)
"Nada rebaixa tanto a mente varonil de sua altura como
acariciar mulheres e esses contactos corporais que pertencem ao estado do
matrimónio." (Santo Agostinho, "De Trinitate").
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