A economia portuguesa e os pastéis de nata


Em época de crise o ministro da economia não conseguiu tirar da cartola um coelho que alimentasse o otimismo nacional. Saiu-lhe do bestunto a ideia peregrina de exportar os pastéis de Belém, quiçá no estômago dos turistas, para poupar nos custos de transporte.

Com um presidente da República embevecido com o sorriso das vacas dos Açores só nos faltava ter no Governo, com origem prematura no seu vingativo discurso de vitória eleitoral, um ministro da economia vindo do Canadá para descobrir o valor dos pastéis de nata no equilíbrio da balança de pagamentos.

O que os portugueses não previram, envergonhados com os dirigentes que saíram dos últimos sufrágios, foi o caloroso apoio do primeiro-ministro ao segmento económico das pastelarias e, em particular, a identidade de pontos de vista com o ministro Álvaro na globalização do pastel de nata.

Sócrates foi depreciado por ter sido arauto da exportação tecnológica com o computador  Magalhães, o que, aliás, conseguiu com êxito e benefício económico. Curiosamente, os que o combateram retaliaram agora com a doce exportação dos pasteis de Belém. Com a imaginação deste Governo, que procede a alterações estruturais ao ritmo a que fala o ministro das Finanças, o País teme que o PSD e o CDS, à míngua de um plano nacional se dividam entre os que apoiam a exportação do pastel de nata e os que defendem o lóbi do pastel de bacalhau.

Se o Banco Espírito Santo estiver interessado no negócio dos hidratos de carbono já se sabe que é o vencedor. Só falta o azougado Ângelo Correia, antigo protetor de Passos Coelho e ex-comandante-chefe da contenção da insurreição dos pregos, abrir uma linha de crédito para a exportação de tão promissor produto para os países árabes.

A ideia partiu do ministro da Economia mas com o primeiro-ministro a subscrever o apelo à internacionalização dos pastéis de nata, ficamos com a ideia de que em vez de um Governo para o País, temos um grupo de sócios aptos a gerirem uma pastelaria. 

Ponte Europa / Sorumbático

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