Trump e a Coreia do Norte

A sobriedade, esse esforço intelectual que se exige na razão direta das responsabilidades que se exercem e dos efeitos que as palavras e ações irrefletidas podem provocar, não é apanágio do atual Presidente dos EUA.

Que o biltre coreano, narcisista e megalómano, sujeite o seu povo a uma tragédia e seja indiferente aos riscos que as suas ameaças, para consumo interno, possam provocar, é um hábito na obscura ditadura que o domínio nuclear tornou perigosa.

Que o PR da nação mais poderosa do Planeta sofra dos mesmos defeitos, transforma o medo em terror, a incerteza em horror e a imponderabilidade em ameaça global.

A Coreia do Norte é um perigo, não só por si, mas pelo apoio que a China e a Rússia lhe podem dar por interesse geoestratégico. Trump menosprezou o silêncio diplomático que as duas grandes potências militares guardaram e, quando ouviu a China a pronunciar-se sobre uma eventual ação dos EUA contra a Coreia do Norte, fez a retirada de sendeiro e …elevou as ameaças (apenas) se o invadir os EUA ou os seus aliados. E foram países pouco recomendáveis, mas com governantes adultos, a Rússia e a China, a advertirem Kim e Trump para não se meterem em aventuras.

Quando devia ter esperado o resultado da difícil mediação da ONU, que obteve o apoio da Rússia e da China para as sanções propostas pelos EUA, fez ameaças inoportunas ao esquizofrénico ditador coreano, colocou-o ao seu nível, e deu-lhe palco para exibição da sua megalomania. Só tornou mais difícil a solução do problema, porque a imponderação excluiu Trump da solução e transformou-o em problema. Esticada a corda, começa a não haver espaço para recuo e é improvável que haja guerras nucleares regionais.

Não há impérios eternos e a última coisa de que o Planeta precisava era da incoerência e da insensatez do imperador néscio que, em cada dia torna o mundo mais vulnerável, e o seu país mais suspeito de trocar por negócios a ética e o direito.

Ponte Europa / Sorumbático

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