2.º aniversário da posse do PGR Amadeu Guerra
2.º aniversário da posse do PGR Amadeu Guerra
Amadeu Guerra é o único magistrado em efetividade de funções
judiciais após os 70 anos, limite que se julgava impeditivo do exercício do
cargo de PGR.
Foi estranho que o PM o fosse buscar à reforma e, ao que se
sabe, o impusesse ao PR, de quem dependia a nomeação, sem acordo prévio, quando
a sua credibilidade estava abalada pela criatividade com que derrubou o governo
de maioria absoluta do PS.
Foi igualmente estranho que fosse oriundo do Ministério
Público, contra a exigência das personalidades que integraram o «Manifesto dos
50», figuras públicas cuja preocupação com a Justiça é notória, que pretendiam
neutralizar o carácter corporativo e a politização do Sindicato do Ministério
Público (SMMP).
Não se atribuiu a confiança pessoal do novo PM no magistrado
reformado à tentativa de resolução dos seus problemas empresariais, mas o
comportamento do ainda PGR tornou-se objeto de escrutínio público mais apertado.
O facto de Amadeu Guerra ser o diretor do DCIAP à data da
prisão de Sócrates, quando o juiz de instrução Carlos Alexandre decretou a
prisão preventiva, por risco de fuga de quem regressou voluntariamente, levantou
mais tarde suspeitas de motivações políticas, suspeitas agravadas com a
nomeação do ora juiz desembargador para funções de poder no Ministério da
Saúde, tão ao seu gosto, pelo governo de Montenegro.
As criativas investigações preventivas, ao PM para reduzir a
pressão sobre este, no caso Spinumviva, e ao líder do PS, sobre uma denúncia
arquivada, que as equiparou, foram coisas menores em relação às escutas de
vários anos e devassa à vida privada do juiz Ivo Rosa, alvo de uma vingança do
MP por discordar da sua jurisprudência. O mais grave foi a interdição ao juiz do
acesso às suspeitas de que foi alvo, o mais grave atentado ao Estado de Direito
em mais de meio século de democracia.
Enquanto os defensores do Estado de Direito esperam do PR a resposta
ao apelo do juiz Ivo Rosa contra tamanho atropelo, o país assiste atónito à
criação de suspeitos vitalícios, ao aumento do poder discricionário do
Ministério Público e à indiferença pela reputação nacional e internacional de
personalidades que exercem ou exerceram cargos políticos.
Não se vê a condenação de qualquer caso mediático e o
presidente do Governo Regional da Madeira mantém-se Conselheiro de Estado
arguido e sem acusação, o presidente do Conselho Europeu impedido de saber do
que é suspeito e o assaltante do gabinete da AR do líder do Chega se
m ser
identificado, sob suspeita de ter sido uma encenação grotesca.
As violações do segredo de Justiça, os julgamentos nos média
e o aparecimento do MP em todos os períodos eleitorais têm perturbado o regular
funcionamento das instituições e contribuído para o crescimento da
extrema-direita.
No 2.º aniversário da tomada de posse, o PGR Amadeu Guerra
não merece felicitações do País e, por pudor, nem o PM, Luís Montenegro, se
atreverá a torná-las públicas.

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