Divagando 39
Divagando 39
Com a Pátria a viver a pungência do drama desencadeado no
seio da Seleção Nacional de Futebol, com lágrimas por secar e feridas em carne viva,
como é possível continuar a viver, quanto mais a pensar em minudências?
Mas a vida há de continuar em pleno luto, com doentes à
espera de cirurgias, escolas a aguardar professores, famílias a quem falta casa
e tantas a quem sobra mês ao ordenado.
O que não se aceita é quem, alheio à dor coletiva, com multidões
a sangrar por dentro e a Pátria fraturada, ouse fazer humor, ria da tragédia e procure
a comicidade.
Abaixo o humor! Abaixo o riso! Pim!
Dito isto, talvez seja altura de perguntar ao PR, agora que
já foi a Roma ver o Papa e à bênção de uma escola pública, com o Patriarca a esparramar
água benta, em si e no PM, se já leu a carta do juiz Ivo Rosa a quem devassaram
a vida privada porque desagradou ao Ministério Público. E o PGR que este PM foi
buscar à reforma negou-lhe acesso ao processo que o visou! Foi, até hoje, o maior
atentado Estado de Direito, um juiz espiado em aparente vingança pelas decisões
jurídicas. O PR já inquiriu a patifaria ao juiz?
O PR talvez ignore que foi derrubado o governo de maioria absoluta
de António Costa, em 7 de novembro de 2023. Há a convicção de que os Governos
do ora Presidente do Conselho Europeu, estiveram sempre sob escuta, espiados pelo
Ministério Público, com um ministro, João Galamba, a quem, durante quatro anos,
foram intercetadas 82 mil comunicações sem que fosse acusado ou arquivado o
processo. Já lá vão sete anos! O MP sabe tudo sobre a sua vida pública e privada,
desde a vida conjugal às ementas das refeições, e o País só sabe que era o
ministro que Marcelo quis demitir!
A vida política degrada-se e o PR é o garante do regular
funcionamento das instituições.
Entretanto a extrema-direita continua a crescer e as
suspeitas sobre os governantes que o seu antecessor quis substituir pelos
atuais continuam a pairar sobre eles. Ainda hoje um jornalista, um tal Luís Rosa,
espécie de Vera Lagoa, de calças, disse que António Costa continua a ser
investigado, pelo que não tem de saber de quê, ao serviço de um projeto
jornalístico, financeiro e político de extrema-direita – o Observador.
O Conselho de Curadores da Universidade Nova de Lisboa
recusa homologar
a eleição do Reitor eleito, e Pacheco Pereira e Seixas da
Costa foram recusados para o Conselho Geral. Aparentemente foi negada a todos idoneidade
para os cargos, talvez porque uma Pide neoliberal os considere inelegíveis. Nem
suspeitos são de serem comunistas ou de pertencerem a qualquer associação
discreta!
Vem aí o julgamento do caso das gémeas onde, não sendo
acusado o mandante, já foram constituídos arguidos os operacionais. A maior
vítima vai ser o ex-secretário de Estado da Saúde, com relevantes serviços ao
País na pandemia. Tem o perfil adequado.
Talvez seja injusto, mas parece-me que um político da
ditadura deixou um filho que se esforçou para pôr fim do regime democrático que
derrubou o pai.

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