Direitos individuais, IVG e direitos da Mulher

Direitos individuais, IVG e direitos da Mulher

Os direitos individuais são difíceis de conquistar, e quando se referem às mulheres são difíceis de manter. Os genes reacionários de uma História de autoritarismo e repressão podem manter-se aquietados algum tempo, mas explodem na primeira oportunidade.

O país parece ter esquecido o direito à eutanásia que ainda não se tornou realidade. Já goza de consideração social o homem que conspirou contra o direito à IVG e impediu a entrada em vigor do direito à eutanásia, enxovalhado por uma cunha para uma consulta médica e já absolvido do atraso nos direitos individuais a que quis condenar Portugal e do golpe que dissolveu um governo de maioria absoluta.

A lei da IVG era pacífica e já considerada irreversível, até por obrigações internacionais contraídas a nível da UE, mas esquecemo-nos das conspirações urdidas nas alfurjas das sacristias e nos antros políticos da direita confessional e anacrónica.

O movimento contra a IVG ressurgiu da hibernação a que a opinião pública o condenou, e já anda aí em reuniões mundanas a acompanhar a deriva reacionária que ameaça as instituições e a própria democracia.

A misoginia ancestral já se manifesta às escâncaras, e não lhe falta o apoio de homens que podiam desaparecer se a IVG tivesse efeitos retroativos.

O artigo da jornalista Fernanda Câncio, DN, dia 20 p.p., devia ser de leitura obrigatória. 


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