Da série: os cromos
Da série: os cromos – o Coronel José Carmo, um cromo cinzento
Apresentado pela CNN como Especialista Militar tem-se
revelado um génio a debitar inanidades sobre guerras em curso, onde revela estados
de alma e desejos pessoais.
A título de exemplo, da profundidade filosófica do seu
pensamento, refiro apenas o que disse sobre as violentas manifestações de
protesto, em França, «no fundo, aquela ideia adolescente de que quando
queremos alguma coisa basta berrar e fazer birra». Só um sábio é capaz de tão
eloquente síntese na análise política e sociológica a berros e birras.
Escreve no Observador e é assíduo na CNN. Ontem, quando
analisava a fuga de Flávio Bolsonaro e se esperava do garboso militar dos
Comandos uma censura à covardia do fugitivo, disse: «Eu, se fosse o Bolsonaro,
também fugia».
Não foi um militar que falou, foi o filósofo da escola
«antes covarde vivo do que herói morto». E quando se esperava a justificação
para a fuga, abandonando o pai, que queria libertar da prisão para lhe impor a
Faixa Presidencial, e 59 milhões de eleitores, deixou estupefactos os outros membros
do painel. Não vislumbraram o fulgor do génio. Via-se na jornalista e nos outros
dois membros de painel a estupefação a aumentar à medida que Carmo falava com a
convicção dos ungidos e a certeza da fé.
Consternado, asseverou que não foram convincentes as
eleições, o adiamento de duas horas foi suspeito, e o ar de sofrimento mostrava
a desolação com a vitória de Lula.
Havia tal desprezo por quem aceitasse a vitória de Lula que
um membro do painel teve a necessidade de se justificar, e o conclave de
analistas terminou com a informação dos números, mais 4.205.536 votos a favor
de Lula e menos de 35 mil votos expressos nas duas horas de prolongamento
eleitoral, pedido por ambos os candidatos.
Hoje, o coronel Carmo deve estar mais conformado. Flávio
Bolsonaro tem cancel
ados os passaportes do Brasil e o diplomático, mas tem o italiano
válido. Espera na Flórida o visto dos EUA, talvez o visto de génio, à
semelhança do irmão Eduardo, a quem foram reconhecidas as «habilidades
extraordinárias» que o justificam, e que foi do Texas para receber na Flórida o
irmão, a cunhada e as duas sobrinhas.
O lampejo do génio, habilidades extraordinárias, é a imagem
de marca dos Bolsonaro, qualidade reconhecida por Trump e certamente pelo
coronel José Carmo.
Se o próximo ato eleitoral nos EUA for, como previsto, adverso
às aventuras demenciais de Trump, talvez os Bolsonaro sejam enviados à
procedência e o coronel Carmo tenha então um chilique heroico.

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