Nuno Melo e o Serviço Militar
Nuno Melo e o Serviço Militar
Tendo o Serviço Militar Obrigatório (SMO) terminado em 19 de
novembro de 2024, só alguém muito distraído não percebeu que o regime passou a
voluntário, sob a forma de profissionalização ou de contrato limitado, e militares
do Quadro Permanente.
Imaginem a perplexidade de quem ouviu o ministro da Defesa
dos governos AD a dizer que «gostava que o serviço militar pudesse arrancar já
em 2027»! O homem ambiciona arrancar com um projeto que já está em vigor
há 22 anos!
O indizível ministro é recordista de dislates, e é difícil
encontrar, mesmo neste governo, quem seja tão inapto para a pasta que foi
preciso entregar-lhe para se manter a ficção AD, uma espécie de PSD aditivado com
uma substância tóxica.
Da atividade parlamentar, na AR e no Parlamento Europeu, só se
recorda a propositura do voto de pesar pela morte do cónego Melo, a referência pia
de uma rede terrorista do pós-25 de Abril. É a glória de Nuno Melo, parecida
com a do almirante Américo Tomás, homenageado anualmente por ter assinado o
Despacho 100 da Marinha que, como o próprio explicou, foi o n.º 100 por ter
sido emitido depois do Despacho n.º 99.
Foi como líder do CDS extinto na AR que Nuno Melo regressou e
entrou no Governo para tutelar as Forças Armadas (FA) de Terra, Mar e Ar, com
direito a continência dos generais e sem ter a noção do gozo a que dá azo.
Podia ter criado um conflito diplomático quando, à frente de
generais dos três ramos das FA, reivindicou Olivença. Felizmente, ninguém o leva
a sério, a voz de Nuno Melo não chega a Madrid, mas os dislates têm precedentes.
A única ideia para a preencher as fileiras das FA, foi a de
recrutar delinquentes. A ideia era original, mas os oficiais recusaram e
impediram-no de ser o chefe dos malfeitores.
Cada vez que Nuno Melo fala, o PM treme e o país diverte-se.
O Conde d’Abranhos chegou a ministro da Marinha, mas Nuno Melo é ministro de
todos os militares e não consta, ao contrário do Conde, que faça versos, como o
biógrafo, Z. Zagalo, registou.
O homem pode julgar que a Nato é um clube de futebol e julgar
que uma traineira é uma fragata de pesca, mas podia conter-se nas declarações e
fingir que é inteligente.
Este ministro não é um governante, é uma arma hilariante, um lança-bujardas-foguete. Se um dia entra num barco a debitar os dislates do costume, ainda encontra um marujo que o manda para o cesto de observação no topo do mastro.

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