A crise da habitação e a responsabilidade dos governantes
A crise da habitação e a responsabilidade dos governantes
É preciso ser muito sectário para atribuir aos governos AD todas
as responsabilidades nos problemas da habitação, mas só a absoluta falta de
vergonha permite enjeitá-las no seu agravamento.
Quem ouvir os membros dos governos que Montenegro herdou da
rifa organizada em Belém, por Marcelo e Lucília Gago, julgará que a Lei Cristas
foi obra do PS. E, quem ouvir Carlos Moedas, o homem que agilizava negócios
(Ricardo Salgado dizia: ativem o Moedas!), pensará que não há mal que não seja
herança do PS, logo em Lisboa, onde o problema atinge maior acuidade.
Um cidadão desprevenido não imagina que o dissimulado edil desprotegeu
Lisboa com cedências aos interesses imobiliários que transferiram casas do
mercado tradicional para o Alojamento Local cuja regras flexibilizou.
Na desfaçatez, Moedas é incapaz de admitir a sua oposição ao
arrendamento coercivo, e não pode negar que há milhares de casas vazias cujos
proprietários se recusam a alugar.
Quer Moedas, quer o Governo, o primeiro desde há cinco anos
e o segundo desde há dois anos e meio, descuraram a habitação pública, com um
ritmo de execução medíocre, enquanto a especulação imobiliária rendia pingues
receitas para os cofres autárquicos e o Orçamento do Estado.
Os parques habitacionais municipais, especialmente e
m
Lisboa, onde as carências são as mais dramáticas, não encontram na execução da
habitação pública o ritmo exigido para minorar as necessidades de habitação
acessível para largas camadas da população.
Este governo e este autarca de Lisboa são medíocres a
governar, mas são de excelência a fazer oposição às oposições e profundamente
contemporizadores com a especulação imobiliária de que agora sofrem as
consequências e sentem a revolta das populações.
Urge estabilizar e reverter a pobreza, que atingira o mínimo em 2024, e não deixou de
subir desde então.
É chegado o tempo de substituir a propaganda pelo trabalho e
a bazófia pela humildade.

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