Divagando 40
Divagando 40
Enquanto Portugal se encontra destroçado com o psicodrama
que percorre a sua Seleção de Futebol, os países europeus entram em convulsão com
os problemas sociais que lhes bateram à porta. Na aparência e na retórica do
Governo, no país, tudo corre pelo melhor no melhor dos mundos.
O sec. de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao fazer escala em
Lisboa, logo designada por visita de Estado, visitou o PM, lembrou que o seu
País tem aviões de guerra magníficos, a bom entendedor, e respondeu a perguntas
previamente acordadas com os jornalistas na companhia do seu homólogo em êxtase,
Paulo Rangel.
A UE, a mais bela criação do pós-guerra, está em risco, com a
sua Comissão a afastar-se dos objetivos de paz que presidiram à criação,
esquecida da cooperação económica e da estabilidade política e social que lhe
cabe promover entre os países que a integram, mas determinada a cumprir as
exigências de rearmamento que cabe a cada País, não à UE.
O dia de hoje trouxe-nos uma agradável surpresa, a
atribuição do Prémio Nobel da Paz a uma mulher que dedicou a vida de jurista à
defesa de direitos humanos e ao combate aos crimes de guerra. Segundo o Comitê
Norueguês do Nobel foi fundamental para garantir que “crimes de guerra, crimes
contra a humanidade e genocídio sejam julgados”. Desta vez o Prémio acertou e a
laureada, de 85 anos, prestigia-o. E não o ofereceu a Trump, dedicou-o aos sobreviventes
de crimes internacionais.
A embaixadora dos EUA, Kimberly Guilfoyle, nomeada por Trump,
pois claro, durante um jantar na sua embaixada em Atenas, disse: «podemos
derrubar governos dos países que quisermos» e atribuiu a si própria o mérito
pela queda do Executivo romeno por não querer comprar o gás americano, mais
caro, insinuando que podia fazer igual à Grécia.
Quem gosta dos EUA, da pátria da liberdade, da bela
Constituição, surpreende-se com a condenação sistemática que a consciência ora lhe
exige. A pena de morte é, para a nossa civilização, a negação do Estado de
Direito, e a condenação à morte como espetáculo público é o regresso à barbárie,
o despertar de sentimentos dos povos primitivos, a lembrar os piores tempos da Inquisição.
O ex-militar dos EUA, Nidal Hasan, que matou 13 pessoas numa
base militar no Texas, em 2009, «Vai ser executado por um pelotão de
fuzilamento como deve ser, E vamos garantir que as pessoas possam ver».
Quando se lidera o «Eixo do Bem», a ignomínia é um ato ético
e o silêncio dos países vassalos um ato de prudência.
Em Lisboa, o Governo corta no orçamento da Saúde (OE/2027), e
ninguém lhe pede para justificar o gasto de 5,9 mil milhões de euros em
fragatas e aviões militares cujo empréstimo há de ser pago com juros pelas
gerações futuras!
Isto vai acabar mal!

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