«Os três da vida airada,
Cocó, Ranheta e Facada»
Por Onofre Varela
O título desta crónica remete para o clássico trio celebrizado no final do século XIX pelos desenhos satíricos de Rafael Bordalo Pinheiro (nesta data próxima do Dia Nacional da Banda Desenhada, o 18 de Outubro), e que no meu tempo de criança ainda era empregue pela minha avó e pelos meus pais.
Hoje estes termos estão em desuso, mas não as características humanas que designam: Cocó é uma pessoa considerada frívola, presumida ou afectada; Ranheta é uma pessoa rabugenta, impertinente ou chorona; e Facada é alguém associado a golpes, artimanhas ou comportamentos duvidosos.
Neste texto aproveitei estes personagens que me habitam a cabeça desde catraio – como piolhos incomodativos – para referir outros personagens da cena política actual e que personificam todos os males que podem morar no espírito de uma pessoa, transformando-a em inimigo público, monstro de fábula transmigrado para a realidade, e horrenda criatura a merecer o descrédito, o repúdio e a condenação de todos quantos têm no conceito de cidadão o respeito devido ao outro e a obrigação de melhorar a vivência fraterna.
Estes três personagens maléficos são hoje, sem dúvida, Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin, que fazem do mundo um sítio perigoso para se viver. Três ditadores que não respeitam as mais básicas condições comportamentais nem consideram a existência dos outros.
De Trump, a quem deram o cargo político mais poderoso do mundo, sobressai o seu estrondoso umbigo e a sua não menos estrondosa ignorância, submetido ao estrondo do seu narcisismo doentio, transformando o poderoso país do mundo, que são os EUA, numa afronta para tudo e todos.
De Putin sobressai a sua vontade de ser imperador de um país que já não existe desde que Gorbatchov colocou a Rússia no mapa de um mundo com fronteiras reconhecidas sem impérios, dando a independência desejada aos povos dos países satélites que foram “arrebanhados” pela “União Soviética”. A actual organização territorial não lhe agrada e quer voltar atrás na História, perseguindo, prendendo, torturando e assassinando todos aqueles que o podiam afrontar politicamente, e invadindo países vizinhos, transformando a Rússia – que experimentava um caminho em terreno democrático – num ninho de víboras para os seus críticos, incluindo na lista jornais e jornalistas que não aprovam a sua radicalidade.
De Netanyahu podemos dizer que conseguiu transformar-se num Hitler dos tempos modernos, promovendo o genocídio do povo palestino e a destruição da Palestina como país, com mais requintes de malvadez do que os usados por Hitler no Holocausto dos judeus! Por muita razão que tivesse contra a actuação do grupo Hamas, ao considerar todo o povo da Palestina como membros de uma organização terrorista, conseguiu um lugar de destaque na lista dos maiores malfeitores políticos, bem à frente de Hitler (do qual, em relação aos judeus do Israel actual, já ouvi dizer que o nazi não fez o trabalho todo).
Viver num mundo onde estes “três da vida airada” conseguem sobreviver às suas malfeitorias, é caso de muita preocupação e descrença no futuro da Humanidade.
Pior ainda se a Inteligência Artificial for manipulada por estes parasitas e usada na organização e governação dos povos (como dizem poder vir a acontecer [se ainda não acontece]) adoptando os processos do Cocó, do Ranheta e do Facada, como modelo de conduta comportamental.
O problema de tudo isto é que nós, os bem comportados (como eu e os meus leitores) não temos sítio para onde nos mudarmos!…
OV
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