Almoço de família, hoje, num restaurante da Mealhada

Almoço de família, hoje, num restaurante da Mealhada

Somos irmãos de afeto e infortúnio, irmãos que durante 26 meses vivemos degredados em Moçambique pelo crime de sermos portugueses.

Foram vinte e seis meses de camuflado e metralhadora G-3 numa guerra injusta, inútil e antecipadamente perdida. Criámos ali os laços que nos unem, as saudades que sentimos, não da guerra, menos da ditadura, mas uns dos outros, dos que lá ficaram, dos que hoje não puderam vir e de muitos que todos os anos vão partindo.

Como se pode ter saudades do tempo perdido, de uma juventude consumida na
loucura do Império, na deriva fascista do nacionalismo que considerava sua a Pátria alheia?

É este paradoxo que anualmente nos leva ao encontro dos que chegam da única família que tivemos, algures no Niassa, onde alguns pagaram com a vida o desvario do regime, e deixaram vago o lugar no Vera Cruz que nos levou e apenas trouxe os que sobrámos.

Obrigado, amigos, companheiros e camaradas pelo fraterno convívio de hoje.

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