João Almeida, um cromo cintilante
João Almeida, um cromo cintilante
Há um cromo do defunto CDS, João Almeida, que se celebrizou
com a afirmação “sem mentir não se ganham eleições”, quando candidato por
Aveiro, em 2015.
Não se sabe se ganhou nessa candidatura o hábito ou é uma
idiossincrasia irreversível. O azougado deputado julga-se líder de um grande
movimento de massas, e comporta-se como tal.
Não se espera do irascível parlamentar que seja meigo para a
esquerda, incluindo José Luís Carneiro, um radical, segundo este polemista de
diversos canais televisivos, mas podia poupar-se ao ridículo e consequências da
“rã que queria ser do tamanho do boi”.
No debate com Paulo Muacho, deputado do Livre, que interrompeu
constantemente, vociferava contra manifestações pelo direito à habitação e apoiava
a polícia, quaisquer que fossem os níveis de violência ou a inadequação da
repressão. Atribuiu ao PS e aos partidos à sua esquerda a culpa das
manifestações, esquecendo que foi a alteração à lei das rendas que detonou as
manifestações em curso.
Aquele homem não brandia argumentos, destilava ódio à
esquerda; não era um político, era um missionário a ameaçar com as penas do
Inferno; não era um ser racional, era um inquisidor a ameaçar o adversário com
a fogueira.
Na sua arrogância, para o humilhar, lembrou ao adversário
que a extrema-esquerda, a que generosamente poupou o PS, nunca teve tão reduzida
representação parlamentar. Nem se lembrou do número de deputados da sua bancada
e da boleia que ali o levou, depois de Nuno Melo lhe abrir vaga com a pasta
ministerial que lhe saiu na rifa AD.
João de Almeida, estrela do álbum dos cromos, não se lembrou de que o Livre tem, por mérito próprio, um grupo parlamentar de seis deputados na AR e que Paulo Muacho tem a preparação política que o deixa a grande distância assim como ao pegador de bezerros, os dois deputados que formam o grupo parlamentar com a marca CDS.

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