História de Paz e de Guerra
Por Onofre Varela
O Homem é um “defensor da Paz” de acordo com os seus interesses políticos e económicos de cada momento. Na generalidade não somos nenhum exemplo comportamental digno… e quando, muitos de nós, defendem a “Paz” não definem o tipo de “Paz” que apregoam. Quantas vezes a tal “paz” vociferada não passa da defesa de uma “rendição incondicional”, deixando um “rastilho de guerra” latente que pode ser inflamado a todo o momento.
Numa busca rápida à nossa História, encontramos o maior período de Paz na Europa (designado por “Longa Paz”) no tempo decorrido entre o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) até à invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin, iniciada com a anexação da Crimeia em 2014 (não considerando a guerra interna da Jugoslávia em 1990, exactamente por ser interna), encerrando o período de paz que durou cerca de sete décadas.
No reconhecimento da Paz que mantivemos durante tanto tempo, em 2012 a União Europeia recebeu o Prémio Nobel da Paz por, durante mais de seis décadas, “ter contribuído para o avanço da paz e da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos”, numa decisão unânime do Comité Norueguês do Nobel.
Os principais factores citados como razão para a “Longa Paz”, incluíram o “efeito dissuasor” das armas nucleares… o que, só por si, demonstra a fragilidade de uma paz conseguida pelo medo do outro que tem armamento mais potente do que o meu!… Ora, isto não é Paz!…
A esta razão acrescentou-se os incentivos económicos à cooperação, causados pela globalização e pelo comércio internacional, o aumento mundial do número de democracias, os esforços do Banco Mundial na redução da pobreza, os efeitos do empoderamento feminino e a manutenção da paz pelas Nações Unidas. Da lista também faz parte (o que é importante sublinhar), o reconhecimento dos Direitos Humanos, e o aumento da educação e da qualidade de vida.
Ao contrário deste período de paz, que já nos deixa saudades, o período mais longo de guerra na História da Europa é a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) que durou 116 anos de conflitos intercalados por tréguas de curta duração, entre a Inglaterra e a França, motivada pela ganância do rei Eduardo III, que sucedeu a Carlos IV e quis tomar conta do trono francês.
Outros conflitos de longa duração incluem a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648) motivada pela conquista da independência das Províncias Unidas (Países Baixos [Holanda]) que estava sob a coroa espanhola, mais a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), série de conflitos motivados por religião e política na Europa Central que devastaram a região.
Na Alemanha o conflito saldou-se em cerca de oito milhões de mortos. As rivalidades entre católicos e protestantes foram gradualmente transformadas numa luta europeia. Suécia e França envolveram-se na procura da paz para o conflito, o que conseguiram com a assinatura do documento chamado “Paz da Vestfália”, que terminou com a guerra.
Hoje, o número de democracias tende a reduzir-se, a extrema-Direita populista cresce, os Direitos Humanos não são respeitados, e adivinha-se um período de guerra com a incógnita do poder nuclear e da IA aplicada ao conflito, o que aponta para um futuro tão dramático que não me atrevo a antever… embora o meu optimismo espere que o bom senso permaneça, de entre tanta maldade que está à vista de todos, desde Trump a Putin, passando por Netanyahu!

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