O 5 de Outubro de 2026 dos altos dignitários do País
Este não foi o 5 de Outubro dos republicanos, da exaltação
da ética e da esperança num futuro onde as desigualdades se atenuem, se reforce
a justiça social e o entusiasmo com as instituições ganhe ímpeto.
O PR, o republicano cuja vergonha de ser comparado com o
antecessor se compreende, talvez o único republicano convicto presente, quis
agradar a todos com um discurso redondo, defendendo a longevidade deste governo
cada vez mais impopular, até ao fim da legislatura. Acabou a enaltecer a
capitulação do PS perante os desmandos neoliberais do Governo, resignado com a
extrema-direita que consolida a oposição à democracia. E, quanto à Justiça,
disse nada.
No dia que celebrou a data, o PR esteve rodeado dos que
quiseram abolir o feriado. Foi indigna a coreografia dos que devem à República os
cargos que exercem sem perderem a alma de vassalos.
O valor simbólico foi manchado. A cor das gravatas não foi
um mero pormenor em 5 de Outubro, foi a torpeza de quem não respeita a
República. O PAR parecia presidente das Cortes, com gravata azul e branca, numa
provocação obscena ao nível do carácter; o PM e o edil Moedas hesitaram entre o
cinzento e o azul, indiferentes à data. Até o PR optou por uma gravata cor-de-rosa,
numa tímida afirmação republicana.
O PAR, o PM e o edil Moedas são todos excrescências do
partido que aboliu o feriado, traiu o nome que o designa e conspira contra o regime
que recebeu do 25 de Abril. Era um friso de dignitários criados na madraça
cavaquista e cúmplices de Passos Coelho cujo regresso agora temem.
Não houve uma celebração entusiástica da data no discurso do
PR e, muito menos, no do edil videirinho capaz de ser vassalo de quem quer que
fosse.
Na varanda dos Paços do Concelho não esteve José Relvas a
proclamar a República rodeado de impolutos republicanos com o largo em frente repleto
de povo, estiveram dignitários amorais que foram neutrais entre o atual PR e o
líder da extrema-direita.
No ano anterior a comemoração do feriado nacional em Lisboa provocou
náusea, este ano frustração.
Viva a República!

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