Guiné-Bissau
Residência do (ex?) 1º. ministro Carlos Gomes Júnior após o assalto das forças militares (foto EPA)
São extremamente preocupantes (embora previsíveis) as mais recentes notícias oriundas da Guiné-Bissau. link
É cada vez mais notória e evidente a decomposição orgânica e a irreversível degenerescência da situação político-militar. O continente africano vive um clima de ebulição e instabilidade onde, no espaço de poucos dias, ‘aconteceram’ dois golpes de Estado militares: Mali e Guiné-Bissau. Portugal como ex-colonizador tem especiais responsabilidades na estabilização política neste último País, há longo tempo confrontado com problemas tribais, emerso no narcotráfico, afogado no subdesenvolvimento e incapaz de integrar na sociedade os ex-combatentes que integram as actuais (e instáveis) forças armadas.
A ocorrência deste golpe militar durante o período eleitoral em curso (a 2ª. volta das conturbadas e contestadas eleições presidenciais estava prevista para dia 29) representa um sério revés à normalização política após a morte do presidente Malam Bacai Sanha. Um País vivendo um período de graves dificuldades internas parece apostado em dar mais um passo atrás. O risco da destruição do aparelho de Estado afigura-se eminente e o empolamento das questões tribais acrescidas de opacas disputas pelo controlo do narcotráfico, constitui um perigo para a soberania guineense. O espectro de uma guerra civil continua a ganhar força. A Gunié-Bissau estará, com mais este ‘golpe militar’, a dar mais um passo no caminho de se tornar um Estado inviável.
Amílcar Cabral não merecia este desfecho. E Portugal não pode alhear-se do futuro deste País.
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