As eleições presidenciais e as lutas partidárias

A paróquia entrou em polvorosa com a antecipação do apoio do PM à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, secundarizando o PSD na iniciativa.

A declaração de apoio de António Costa não dá a vitória a Marcelo, evita a derrota ao PS e deixa o PSD, perante o apoio amargo e inevitável, na situação de se ter atrasado.

O PS, com atitude diferente do secretário-geral, tinha muito a perder e nada a ganhar e, no entanto, não é garantido que Marcelo, com índices de popularidade confortáveis, e a cumplicidade dos média, tenha garantida a reeleição, o que todos os PRs conseguiram à primeira volta. Até Cavaco Silva.

Muitos esqueceram que Cavaco apoiou Mário Soares. Até ele percebeu que a inevitável vitória de Soares o obrigava a apoiá-lo para evitar um desgaste perigoso e a humilhante derrota através de qualquer outro candidato. Não lhe deu um só voto, talvez nem o seu. O candidato do CDS, Basílio Horta, ultrapassou os 20%.

Ignoremos o folclore de atoleimados, desejosos de consideração social, que se prestam a figuras tristes para saírem do anonimato, desonrarem a política e serem vistos na TV.

Vamos aos candidatos previsíveis: Marcelo chegou a PR como comentador de um único canal televisivo e leva mais de quatro anos como comentador de todos. Por mais erros que cometa, dificilmente deixará de ser reeleito à primeira volta; o PCP terá o candidato para segurar o eleitorado; o BE reincidirá em Marisa Matias, excelente candidata, que terá votação exagerada sem uma figura credível da área do PS. O CDS precisa de fazer prova de vida e teme não segurar o escasso eleitorado ávido de um partido fascista e que a um genérico, de Nuno Melo ou de um Xico qualquer, prefere um produto garantido.

É neste contexto que a candidatura da embaixadora Ana Gomes ganha relevo. Tal como Marcelo e Ventura, é populista. Tem preparação, currículo e coragem para desmascarar Marcelo e Ventura e obter um bom resultado. O apoio de Costa a Marcelo não lhe retira votos, só o apoio precoce de Francisco Assis a prejudica.

A esta distância é difícil fazer previsões, mas seria trágico para o regime que à direita do PCP e BE ficassem apenas Marcelo e Ventura, num combate entre a direita democrática e a extremista, com votos a fugirem do PS para o BE e do PSD e CDS para o Chega.

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