Laicidade

Ponte Europa presta homenagem a Vital Moreira e Luís Reis torgal, dois catedráticos jubilados, que nunca se conformaram com este atropelo pio:

Vital Moreira escreve no blogue Causa Nossa, onde coloca o convite:

1.  Como mostra a imagem junta, o Reitor da Universidade de Coimbra volta a desafiar o princípio da laicidade do Estado, convidando oficialmente a comunidade académica para uma missa de homenagem à "padroeira da Universidade".

Volto a protestar, como é meu direito e dever cívico.

Quando é que o Reitor da UC, 110 anos depois da República, percebe a simplicidade deste silogismo: a Universidade é do Estado - o Estado é laico - logo, a Universidade é laica? E quando é que aceita que a laicidade das entidades públicas implica não poderem celebrar missas nem participar em cerimónias religiosas, sendo oficialmente neutras em matéria religiosa?

2. É evidente que os crentes católicos entre a comunidade académica da UC - incluindo o Reior, a título pessoal - têm todo o direito de celebrar como bem entenderem a padroeira, de organizar e frequentar as missas que quiserem e de convidar toda a gente. 

Mas quanto é que percebem que as coisas mudaram desde 1290 e que a UC não é propriedade da Igreja Católica, nem lhes pertence mais do que aos restantes membros da comunidade académica, sejam crentes de outras religioes ou de nenhuma (como é o meu caso), e que não devem continuar a instrumentalizar a Universidade nem a Reitoria em prol da sua causa religiosa?

Adenda
Um leitor pergunta quem paga a missa, observando pertinentemente que seria ilegal o pagamento pela Universidade, o que daria lugar a responsabilidade financeira, por não ser atribuição das universidades públicas prestarem serviços religiosos.

Adenda 2
Outro leitor interroga-se como é que, no século XXI, uma instituição científica adota como "padroeira" o símbolo do dogma religioso da "imaculada" fecundação de Maria pelo Espírito Santo?!  Importa, no entanto, esclarecer que o dogma da Imaculada Conceição, tardio e controverso na história da Igreja (Pio IX, 1854), diz respeito à conceção "sem mancha" da própria Virgem Maria. [revisto]


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