Bem-vinda, primavera – 20-03-2021

Depois de cada inverno, há sempre uma nova primavera que começa, à espera do estio que há de vir com a repetição dos incêndios e incendiários de todos os fogos, na eterna reprodução de tragédias recorrentes.

Há 18 anos, quatro cruzados mitómanos e belicistas tinham decidido invadir o Iraque, e, no dia de hoje, 20 de março de 2003, às 02H35 (hora de Lisboa), as bombas começaram a cair sobre Bagdad, numa orgia de terror que destruiu o País e desestabilizou o Médio Oriente. Foi a desonra das democracias, com a impunidade dos celerados envolvidos no crime.

Hoje, a Turquia aboliu definitivamente o resto da herança de Kamâl Atatürk apagando o simulacro de laicidade que ainda exibia, agravando a opressão da mulher, a caminho da sharia. A renúncia unilateral à Convenção de Istambul por Erdogan, após 10 anos de vigência do tratado internacional que tenta combater a violência contra as mulheres, foi o desafio de um déspota misógino, a realçar a violência sexista e a perversidade do Islão.

Lá fora, o vento sopra, a levantar a poeira nas ruas quase desertas deste inverno de todos os medos e ansiedades. Só não varre o vírus que se agarrou às pessoas e ameaça o futuro da Humanidade. O sol brilha, o horizonte está límpido, mas o inverno dos nossos medos e aflições persiste e desafia todas as estações do ano na perpetua viagem da Terra à volta do Sol.

Na melancolia do mundo assustado, de futuro tão incerto, é dia se saudar a Primavera, que nasceu hoje, às 09H37, no hemisfério onde tivemos a sorte de nascer, com o famoso quadro de Sandro Botticelli, «Alegoria da Primavera», a celebrar a efeméride.

Feliz equinócio, meus diletos.


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