sexta-feira, maio 12, 2017

Manuel Valls ou uma ‘versão barretina’ em França…


Manuel Valls anda num frenético rodopio para garantir a sua sobrevivência política. Colonizou a presidência de François Hollande para – com a cumplicidade deste – e, pela ‘via socialista’ (PSF), conseguir transitar de um controverso desempenho como ministro do Interior para 1º. Ministro e a partir daí disputar a Presidência da República Francesa.

Uma vez alcandorado no cargo de primeiro-ministro tenta transformar o PS francês numa 'agremiação social-liberal’ que, para começar, prescindiria da designação ‘socialista’. Na ‘carreira partidária’ sempre foi um ‘rocardiano’ (discípulo de Michel Rocard), isto é, da ‘segunda Esquerda’ do PSF que armadilhava, na penumbra, a ‘reunificação socialista’ encontrada no Congresso de Epinay, sob a batuta de François Mitterrand. Isto é, colocou-se (colou-se) afincadamente numa direita do PS que, objectivamente, nunca chegou a distanciar-se de um volúvel 'centro-direita'.

Valls tentou ‘enrolar’ o PSF nas primárias para as presidenciais defendendo um programa sobreponível a Macron, soi disant, ‘nem de Esquerda, nem de Direita’, mas foi derrotado pela ala socialista (de Esquerda) que indigitou Benoît Hamon para disputar as eleições.
O fracasso de Hamon nas presidenciais não é contabilizável como uma vitória, em diferido, de Valls. De facto, tinha sido derrotado à partida (primárias) e quando da contagem eleitoral estava fora de todas as presuntivas tentativas futuras para 'reerguer', 'refundar' ou 'reanimar' o PSF.
 
Aliás, Valls, já tinha feito o percurso de trânsfuga e colocou-se como outsider após bandear-se – já na 1ª. volta! - para as hostes de Macron, onde esperava ser recompensado. Após a vitória de Macron oferece-se para integrar as listas do vencedor para disputar as Legislativas. Mais um percalço. Os ‘macronistas’ consideram que não reúne condições para tal link.
 
Todavia, nem tudo é límpido. Não lhe aceitam a candidatura mas tentam ‘oferecer-lhe’ o lugar - não concorrendo neste círculo eleitoral. O risível é que, depois deste percurso, Manuel Valls, vai apresentar-se aos eleitores como independente. E como um ‘homem livre’. Livre de quê? Certamente, que livre do ‘socialismo’ (que nunca professou).
 
Na realidade, a sua putativa vitória será a provável expulsão do PSF link. Nesse momento, acertará contas com as suas posições e a sua ínvia carreira política. Terá, então, oportunidade e tempo para assumir o papel de catavento do ‘centrão político’ e dedicar-se de corpo e alma à defesa das doutrinas liberais (das que vão do antanho às mais recentes).
 
Para melhor compreensão dos portugueses podemos resumir este percurso como a versão gaulesa do António Barreto…