A privatização da RTP e o pluralismo democrático


Sei que os preconceitos podem toldar o entendimento e perverter os julgamentos e que só indivíduos superiores conseguem fugir-lhes, mantendo a isenção. Não é o meu caso. Confesso que tenho preconceitos contra as juventudes partidárias onde os “jotas” aprendem o pior da política sem conseguirem absorver o melhor. Torna-se excelentes coladores de cartazes e divulgadores de slogans sem necessidade de pensar, estruturar ideias e formar a personalidade.

Portugal está ausente das carreiras que metodicamente preparam e os cursos são meros adereços com que qualquer Universidade Low Cost os ornamenta, por antiguidade ou equivalência.

Não admira que a chegada ao poder, à sombra de quem os criou, os torne prosélitos dos interesses que os alcandoraram, sem pudor, sem ética e sem conhecimentos. São moços de recados a gerir um País ao sabor de interesses privados, sem um módico de decência, resquício de competência ou pingo de pudor. Não lhes falem de ideologias, deixem-lhes os negócios; não lhes lembrem a Constituição da República, respeitem-lhes as cumplicidades; não os flagelem com o destino do País, consintam-lhes a fidelidade aos amos.

O anúncio atabalhoado da privatização da RTP, a mando do self-made doutor Miguel Relvas, por um empregado do Sr. Jerónimo Martins e do grande capital financeiro, foi o balão de ensaio para medir o torpor de um povo que o medo fez entrar em catalepsia. O vendedor do país, a retalho, António Borges, tendo falhado a política, por incapacidade, é agora o ministro de Estado na clandestinidade, principescamente pago, a fazer fretes a vampiros de dois lados.

A liberdade de imprensa é um problema que urge resolver, se possível, em democracia, desde que esta não torne difícil a solução. O auto-doutor Miguel Relvas tem sobre o PM tal ascendente, ou sabe tanta coisa, que só deixará a coordenação do Governo quando esta prejudicar os seus negócios. Quanto ao PR, ao seu silêncio e à solidariedade com as tropelias deste Executivo, é difícil saber o que o tolhe.

O serviço público de televisão, constitucionalmente consagrado e único meio de defesa contra a promiscuidade entre política, negócios e informação, é cobiçado pelos grandes grupos de comunicação que não param de concentrar-se. A candura de uns e a maldade de outros pretendem que este Governo leve a cabo uma decisão contrária aos interesses democráticos, de modo a transferir para grupos privados todos os poderes do Estado.

A exigência de uma informação isenta e plural é de tal modo imprescindível que, salvo o governo português, nenhum outro, em qualquer outro país europeu, ousou enfraquecer o serviço público de televisão, privatizando um dos seus canais nacionais.
Aliás, a privatização de um canal de televisão não figura nem nas exigências da Troika, nem na agenda da União Europeia. Quem estará por trás desta gente para quem a Pátria, a honra e a liberdade são meros detalhes de uma agenda oculta?



Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

Chapeau, Barroco!
Boa maneira de começar o dia!
ACSRM disse…
Este comentário foi removido pelo autor.

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