MOODY’s e a capciosa sugestão de ‘esticar [ainda] mais a corda’

A agência de notação (rating) de crédito Moody's alerta que as “reformas estruturais” em Portugal, tal como noutros países que recorreram a empréstimos da troika, não resolveram completamente os desequilíbrios externos e que isso pode levar anos… link; link

Afinal, as mágicas ‘reformas estruturais’ parecem - como muitos previram - não ser suficientes. Certamente que nunca foram suficientes nem adequadas mas, neste momento, interessa preparar a opinião pública para o seu ‘falhanço’.

Interessante é o diagnóstico feito pela agência sobre as causas dos ‘desequilibrios externos’. Segundo a agência de rating esses desequilíbrios devem-se ao “comportamento contrário à poupança nos seus respectivos sectores privados nacionais em vez de nos seus governoslink. Ao transpormos esta ‘visão’ para Portugal cujo (actual) Governo está sempre muito atento aos ‘humores’ e às insondáveis reacções dos mercados [e aos seus arautos de que a Moody's é um exemplo], verificamos – mais uma vez – que a metodologia de correcção destes ‘desvios comportamentais’ tenderá - por cá - a ser feita à custa do sector público que tem vindo a ser considerado como excessivo, perdulário, improdutivo e desnecessário, pretendendo ‘libertar’ o sector [económico] privado que, como ‘sentimos’ e os dados recolhidos mostram, em larga medida, já entrou em colapso. Portanto, o aconselhamento e as previsões [da Moody's] colocam a estratégia de 'ajustamento' governamental num beco sem saída.

Mas, acima de tudo, este relatório da agência Moody’s traz à luz do dia o reconhecimento de que, até aqui, temos sido embalados e ludibriados com soluções experimentais, provisórias e desajustadas e que o caminho traçado conduzirá inevitavelmente ao desastre. Parece muito temerária a convicção subjacente ao citado relatório de que é possível adicionar mais austeridade - e por mais tempo – à existente. Na realidade, a corda já estará demasiado esticada…

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