A Pátria e a amnésia coletiva

O julgamento de Sócrates é a cortina de fumo que esconde esta direita da imensa teia de corrupção em que se atolou.

Esta direita que fez de Passos Coelho primeiro-ministro, de Relvas o ministro de que o PM era devedor e de Cavaco o PR e fiador de ambos, conseguiu vender a ideia de que a crise financeira surgida na sequência da falência do banco americano Lehman Brothers foi em Portugal da exclusiva responsabilidade do governo.

A esquerda, dividida entre a que apoiou circunstancialmente esta direita no chumbo ao PEC IV, de graves consequências para a vida dos portugueses, e o PS, a carpir a derrota eleitoral, não resistiu à barragem do PR, da comunicação social e das redes sociais. Não conseguiu desmascarar a direita, que apenas queria o poder para desmantelar o Estado.

O País ainda hoje ignora o terramoto que atingiu o sistema financeiro mundial e julga a crise como exclusiva de Portugal. Ignora os problemas da Grécia, Irlanda, Itália e outros países, onde a direita governava, nomeadamente a Espanha, que conseguiu uma solução parecida com a do PEC IV para fugir à implacável Troika, essa perversa trindade que fez as delícias de outra – Cavaco, Passos & Portas.

Hoje, com as acusações ao ex-PM Sócrates, esquece-se a situação deplorável do sistema bancário legado pela direita, o caso dos submarinos, a casa da Coelha, as ações da SLN, a Tecnoforma, as ruinosas privatizações da ANA, CTT, Águas de Portugal, TAP, BPN, BES, Banif, vistos Gold, etc., etc., e os nomes das estrelas ocultas da galáxia cavaquista.

É tempo de a esquerda, em vez de se digladiar entre si, desmascarar os coveiros do País e os que se preparam para os substituir numa manhã de nevoeiro onde qualquer cadáver que ressuscite será anunciado como um D. Sebastião e promovido a salvador da Pátria.

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