A insânia e a violência tomaram conta do Brasil de Bolsonaro

Na semana passada, 14 de fevereiro, a polícia militar do Rio de Janeiro encurralou num prédio de uma favela um numeroso grupo de presumíveis traficantes de droga, tendo matado 13, cujos corpos, levados para um hospital, apresentaram fortes indícios de fuzilamentos, bárbaras agressões à facada e tortura.

A polícia limitou-se a interpretar o pensamento reiteradamente expresso por Bolsonaro, adepto da repressão ao crime, através do aumento do número de armas e de execuções expeditas.

Wilson Witzel, um ex-fuzileiro e juiz federal, exonerado para se filiar no Partido Social Cristão, pelo qual se tornou governador, veio logo defender o massacre, coerente com a sua candidatura, quando prometeu criar atiradores furtivos para dispararem contra os criminosos, numa atitude policial dura, em rota de colisão com a legalidade. “A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo!” – disse durante a campanha, que o elegeu com 60% dos votos.

As vítimas, que tinham entre 15 e 20 anos, eram apenas suspeitos e os investigadores da Defensoria, órgão equivalente à Provedoria de Justiça portuguesa, referiram um quadro de “extrema violência”, no morro Fallet-Fogueteiro, contra os suspeitos que, segundo os residentes queriam entregar-se, e acabaram baleados pelas costas, esfaqueados e mortos.

A polícia nega as execuções e a tortura, face às evidências, e o Governador, que era juiz, apressou-se a dizer que “o que aconteceu foi uma ação legítima da Polícia Militar”.
Nem outra coisa era de esperar perante os bandidos, que eram ou podiam vir a ser, num local onde, de longe, a polícia faz tiro ao alvo para afinar a pontaria. Mesmo que fossem abatidos e seviciados por engano, serviram para treino policial e não passam de negros e pobres do país de Bolsonaro onde, mais 13 ou menos 13, são números irrisórios.

Não consta que Marcelo Crivella, bispo da IURD, prefeito do Rio de Janeiro lhes tenha dedicado uma simples missa ou condenado o fusilamento.

Há até quem pense que esta violência serviu para prestigiar o PR e mostrar que estão a ser cumpridas as promessas eleitorais, quer do Governador, quer do PR. Se Duterte tem êxito nas Filipinas, por que razão não deve ser imitado no Brasil?

Estão em curso medidas para aprofundar as desigualdades sociais, que não deixarão de criar bandidos e permitir às polícias o seu abate sistemático e instantâneo. Isto foi só o início promissor da abertura da caça ao bandido cujo incremento será estimulado pelas autoridades, a partir do Palácio do Planalto, em Brasília.

Trump não fará qualquer censura, agora que o Brasil passou para o Eixo do Bem, onde já estava a Arábia Saudita. Apenas ficam mais repulsivas os defensores que vão repetir, até à náusea, que foram livres as eleições.

Comentários

António disse…
"o Governador, que era juiz".
Mas a justiça no Brasil é isto? Como se arrogam eles o direito de criticar Portugal, que tratam como o país dos saloios, quando têm uma justiça assim, perfeitamente hitleriana?
e-pá! disse…
O Brasil transforma-se, dia a dia, num regime militar. A substituição de Bebianno (um não recomendável dirigente partidário) por um desconhecido general é um evidente indício de como a regressão a um tipo de ditadura semelhante à de 1964, se está a processar paulatinamente.
No final, Bolsonaro - que pertence à arraia miúda deste 'corpo castrense' (que não se expõe a escrutínios) - será compelido a entregar o lugar a um qualquer marechal (que nem sei se atualmente existe).
Este parece ser o novo 'ciclo brasileiro'.
vitor disse…
O Brasil só está a transformar naquilo que os brasileiros quiseram.

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