O Conselho de Estado e os seus membros
Há no Conselho de Estado cinco elementos, nomeados pelo PR, a quem, por motivos óbvios, são exigíveis especiais deveres de contenção política e, sobretudo, partidária.
Os membros vitalícios (ex-PRs), os que o são por inerência e
os eleitos pela AR não comprometem o PR com as suas opiniões, o que é diferente
para os que escolheu, sob pena de parecerem os seus moços de recados ou perturbadores
do funcionamento das instituições, por conta própria.
António Damásio, Lídia Jorge e Leonor Beleza comportam-se com
a sobriedade que a escolha presidencial recomenda, mas Lobo Xavier, jihadista
do Opus Dei, exorbita, e Marques Mendes, dedicado à intriga, aos recados e aos
interesses do PSD expõe-se a ser visto a ganhar a vida como alter ego do PR, a
dizer o que este quer e não pode, apesar da sua permanente exposição e da
legião de comentadores que, após cada intervenção, vêm explicar o que quis
dizer.
Marques Mendes disse numa das últimas homilias, onde é
pregador bem remunerado, que “nada será como dantes” entre Costa e Marcelo, e que
o conflito tem consequências “imprevisíveis”.
Há nesta intriga um odor a esgoto que escorre a céu aberto
pelos média e redes sociais.
O Governo defendeu o OE-2021 aprovado na AR, desvirtuado
depois pelos partidos, ao arrepio da CRP, remetendo para o TC três diplomas
promulgados pelo PR, com atribuição de subsídios que, segundo o Governo, violam
grosseiramente a Constituição, o que parece reunir um raro consenso entre
juristas.
Não devia haver drama nesta decisão, mas os comentários de
Marques Mendes, além de inventar uma desculpa para a violação da CRP, intrigou
e pareceu ter dado um recado, ou as duas coisas.
Ao defender a decisão do PR na omissão grave de
constitucionalidade na promulgação dos subsídios que colidem com o OE-21, lançou
sub-repticiamente um apelo aos média para combaterem o Governo, como se a falta
de rigor e o desrespeito da Constituição fossem insignificantes e a defesa da
CRP uma transgressão justificável na caça ao voto autárquico.
A preparação de viagens do PR pelo país pode já ser vista
como retaliação contra quem exigiu respeito pela CRP e pela esfera própria de
competências, depois de renunciar à defesa que lhe é exigida e a cujo juramento
está vinculado.
Marques Mendes não pode continuar a ser visto como o paquete
de Belém, mastim do PSD ou ambos.
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