terça-feira, agosto 31, 2010

Quando os lobos uivam

O Governo francês considerou hoje, terça-feira, como "inaceitáveis" os insultos de certos meios de comunicação social iranianos contra Carla Bruni (na foto), mulher do presidente francês, Nicolas Sarkozy, informando que foi enviada "uma mensagem" a Teerão sobre o assunto.

Nota: Os trogloditas de Maomé odeiam a sensualidade, a beleza e a liberdade.

Não é justo...

... quererem obrigar o Papa a respeitar a igualdade de género.



Nota: Este pode ser um dos autocarros que esperam a visita do Papa a Londres.

O negócio das medalhas ...

Diplomacia portuguesa negociou com Santa Sé a lista de pessoas a distinguir, antes da visita de Bento XVI.

Embora só tenha sido atribuída no dia 29 de Junho, a condecoração de Bento XVI a Cavaco Silva - o Colar da Ordem Piana - há muito que estava prometida. Semanas antes da visita do Papa a Portugal, a diplomacia portuguesa negociou com o Vaticano a lista de personalidades a distinguir pela Santa Sé.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Khadafi, pregador

Racismo sionista

WASHINGTON — O departamento americano de Estado condenou neste domingo a “profundamente ofensiva” declaração de um influente rabino israelita, que disse esperar que o líder palestino Mahmud Abbas e os seus compatriotas “desapareçam do mundo”.

domingo, agosto 29, 2010

Inquietantes ventos de Washington…

A mega-manifestação promovida pelo Tea Party, ontem, em Washington – no mesmo local onde Martin Luther King proferiu a histórica frase “I have a dream” – não deve ser desvalorizada.
Ela representa uma organizada tentativa de fazer emergir uma América inquietante, defensora do status quo político, económico e social, enfim, o renascimento de uma América reaccionária, intolerante e mística.

O Tea-Party reage – na proximidade do meio do mandato de Obama e antecipando as eleições intercalares de Novembro próximo – a tudo o que Barack Obama tem de inovador para a política e de motivador para um Mundo em grave crise.
Invoca, para esse fim, valores vagos [fé, esperança, caridade, etc.] que julgam estar no inconsciente colectivo dos norte-americanos e poderem ser o fermento mobilizador para uma cruzada anti-Obama, pior, anti-modernidade.

O comício de Washington, mais pareceu um auto de fé contra Obama [sem nunca explicitamente citar o seu nome] do que uma manifestação política. Por detrás está emboscada a direita ultraconservadora [os citados neocons que tão desastrosamente influenciaram a Administração GWBush].
O retrato desta manifestação pode ser sintetizado numa declaração de um dos seus organizadores e principal orador, Glenn Beck, comentador da Fox News, conhecido pelas suas posições ultra-conservadoras, que afirmou:
"Hoje é o dia em que a América regressa a Deus"…!

De facto, os EUA mostram sérias dificuldades em ultrapassar a crise financeira, económica e social que Wall Street fez explodir na América e cujas ondas de choque atingiram diferentes Nações, por todo o Mundo.
Estas dificuldades internas geram mau-estar social, inconformismos, sentimentos de revolta, a procura de um responsável próximo.
Glenn Beck [o cérebro desta manif] tem razão no êxodo que prevê. Só que a América não regressa a Deus, mas tão somente recolhe-se ao seu ambiente doméstico [ao lar], incapaz de controlar os boys e os boss da Wall Street, humilhada nas aventuras no Iraque, exangue no atoleiro do Afeganistão.
Nenhum destes problemas foi criado pelo actual presidente Barack Obama. Mas os "tea-partys" contam com a má memoria dos americanos e, oportunistas, exploram o imediatismo emocional e os medos que parasitam a actual crise americana e mundial.

A manifestação de ontem pretendeu ser um comício “apolítico” para motivar incautos mas, na realidade, o que conseguiu foi transformar-se numa “celebração apostólica” [...de tanto implorar a protecção divina].

Fica no ar a pergunta levantada por um americano [no Washigton Post] que comemorava [ao lado desta inquietante manifestação] o histórico aniversário do discurso de Martin Luther King [efeméride ignobilmente apropriada pelos neocons...], um histórico lutador pelos direitos cívicos na América:
- "Se não tivessem eleito um presidente negro, acha que estavam a fazer isto hoje?"

sábado, agosto 28, 2010

Paulo Portas...

Paulo Portas, na rentrée do CDS/PP, em Aveiro, no Mercado do Peixe, montou banca para apregoar [vender] o “seu” peixe.

Afirmou que o seu partido irá propor um referendo sobre a Segurança e a Justiça após as eleições presidenciais.
O objectivo é consultar os portugueses para questionar o código de execução de penas e introduzir julgamentos sumários para delinquentes apanhados em flagrante delito…

Em perfeita sintonia com a Direita europeia.
O que está a dar - nestes tempos de incerteza - é a defesa intransigente de políticas securitárias. É só olhar para o que se passa nos governos de Sarkozy, de Berlusconi, etc …

As veneras não ficaram baratas ....

... mas termos um PM com a Ordem de São Gregório e, sobretudo, um PR Cavaleiro da Ordem Piana, é um orgulho para quem vive de joelhos.

Associação Ateísta Portuguesa - Comunicado


COMUNICADO

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), profundamente revoltada com as condenações à morte de que são vítimas cidadãos iranianos, manifesta a sua indignação contra o assassínio dos acusados de sodomia, adultério ou oposição ao Estado teocrático de Teerão.

Na defesa da Declaração Universal dos Direitos do Homem, do respeito pelo pluralismo e do direito à liberdade individual, a AAP solidariza-se com a manifestação contra as lapidações no Irão, manifestação que terá lugar hoje, dia 28 de Agosto, às 18:00, no Largo de Camões, em Lisboa.

Assim, convidam-se todos os sócios, em especial os que vivem na região de Lisboa, a integrarem a referida manifestação, solidários na luta pelos Direitos Humanos e em protesto contra a pseudo-justiça que, em nome de uma crença absurda, desrespeita os mais elementares direitos de defesa das vítimas e aplica castigos que ofendem a civilização e repugnam à dignidade humana.

Solidário com o protesto

sexta-feira, agosto 27, 2010

A vuvuzela é antiga

quinta-feira, agosto 26, 2010

Rigor na informação

Cruzadas contemporâneas...

A nova “cruzada” - liderada pela França - contra os ciganos é mais uma das facetas da Direita, no seu pior: arrogante, intolerante, [ultra]nacionalista, dogmática, repressiva e racista.
Essa Direita provocadora e insensível, muitas vezes violenta, agita – periodicamente – o problema das migrações. Mais uma vez [são múltiplos os exemplos históricos] coube a vez aos ciganos.

Em nome de quê?
Da xenofobia, não, nunca! A desculpa, esgrimida em pleno séc. XXI, é outra: a segurança dos franceses, as leis da República, a UE, o acordo de Schengen, etc…
Enfim, em nome de uma intolerável política securitária tão do agrado da Extrema- Direita.

A evacuação [e destruição física] dos acampamentos ciganos e a posterior expulsão [dos rom's] para hipotéticos países de origem [Roménia e Bulgária] representa – nem mais nem menos – Sarkosy à pesca na águas turvas do clã Le Pen. Sem ter a noção prévia que soltava no seu encalço uma data de “demónios”: A ONU, a Federação Internacional dos Direitos Humanos, a Amnistia Internacional, a Igreja católica francesa [até Bento 16 “sentiu” a necessidade de se pronunciar], a Oposição de Esquerda [PSF] e, para cúmulo da desgraça, até membros do principal coligação partidária que sustenta o Governo [UMP].

Toda a lógica desta inusitada repressão [deportação] enferma de um vício mortal. Se o Governo francês levar a sua análise às últimas consequências esbarrará, exactamente, com a União Europeia, violando um dos seus princípios fundamentais: a livre circulação de pessoas. Se para expulsá-los os consideram romenos ou búlgaros, então, eles têm nacionalidade, são europeus [oriundos de países que integram a UE].

Um travo xenófobo sempre entranhou – de modo explicito ou velado - o discurso de Sarkosy. Tudo começou com o debate sobre a “identidade nacional”, prosseguiu com a legislação apertada e dura sobre a emigração clandestina, a proibição do uso da burka, o incómodo da visão dos minaretes, etc.

Neste momento de repressão selectiva étnica [racismo], se Sarkosy conseguisse lidar com os problemas identitários dos “outros”, como preconiza para os franceses, saberia que:
1.) Os ciganos [os rom’s] erram pelo Mundo [nomadizam] há milhares de anos, provavelmente antes da França ser uma Nação;
2.) Nunca tiveram [nem reivindicaram] uma cultura escrita, referências identitárias circunscritas, pelo que as conjecturas sobre as suas origens e os seus vernáculos traços sociais e culturais, podem ser meras arbitariedades;
3.) No seu longo trajecto histórico o que ressalta são as duras condições de vida ditadas pela mobilidade [acesso à educação, habitação, saúde, etc.] e os epítetos de temidos, expulsos, explorados, marginados, etc;
4.) As actuais deportações, levadas a cabo por Paris, mais parecem desumanas e violentas reedições dos bárbaros “Pogroms”;
5.) …/..

Sarkosy persegue, deste modo, um dos mais infelizes modelos identitários da História contemporânea de França. Mimetiza - com a contenção política e ideológica adequada aos actuais tempos - o regime colaboracionista de Vichy que, na década de 40, deteve cerca de 30 000 ciganos e, posteriormente, entregou-os aos nazis [15 000]. É hoje conhecido o seu fatal "destino". Foram, paulatinamente, encaminhados para fornos crematórios…

Como nota final não posso deixar de relembrar Federico García Lorca que, na sua brilhante obra dramatúrgica “Bodas de Sangre” [levada à cena em Coimbra, pelo CITAC, no final da década de 60], deu visibilidade e enfase à tragédia cigana.
Aliás, o flamenco [música, cante e dança] é artisticamente a sua grande “marca” cultural que, como o povo rom, continua a percorrer o Mundo.
É essa a imagem [foto acima] que me apraz registar acerca deste grave problema.

Botas cardadas ameaçam Lobo Antunes

O grupo militar que ameaçou “ir ao focinho de António Lobo Antunes” e o apelidou de «bandalho» e de «atrasado mental» não merece resposta. É produto da guerra injusta a que a ditadura fascista condenou uma geração, é a voz de quem se envergonha de ter estado do lado errado e teme a divulgação dos crimes de guerra.

Graves são as ameaças ao escritor do coronel piloto-aviador, de nome Morais da Silva, que durante o PREC, dissimulado, nunca se soube de que lado se achava e que, agora, pretende processar o escritor por dizer o que pensa.

Mais prudente, o general Chito Rodrigues presidente da Liga dos Antigos Combatentes, uma agremiação que publica uma revista reaccionária e obtém descontos para os sócios, na compra de pneus, desafia o escritor a retratar-se [sic], única palavra usada segundo o novo acordo ortográfico, na carta aberta que lhe dirigiu.

Admito que Lobo Antunes não tenha sido rigoroso no número de mortos que atribuiu ao seu batalhão e tenha errado nas motivações que levavam os tenentes-coronéis a querer «acumular pontos», sem esquecer que uma das companhias era comandada pelo grande intelectual, humanista e democrata Melo Antunes, herói de Abril, que ele tanto admirou.

Mas, como disse há poucos anos o escritor, ainda é cedo para falar da guerra colonial, como se vê pelos guardiães de serviço, como o general Chito Rodrigues que, sendo oficial do Estado-Maior, nunca se terá ferido no capim.

Trinta e seis anos depois do fim da guerra, já é tempo de saber se todos as companhias e batalhões abdicaram da tortura dos prisioneiros; o que sucedia aos presos que a tropa entregava à PIDE; o que faziam os sipaios às populações que os militares prendiam e entregavam à autoridade administrativa; o que lançavam os aviões militares sobre as palhotas e quem matavam; se os portugueses invadiam os países limítrofes e com que fim. Um país só se reconcilia com a história se a verdade e a justiça triunfarem, não com ameaças de quem ainda crê que defendeu a pátria e a civilização cristã e ocidental, como afirmava a propaganda fascista e clerical.

É tempo de denunciar a escalada reaccionária e a intimidação contra quem pretenda exumar treze anos de guerra. Quando um primeiro-ministro concedeu a dois pides a pensão que negou a Salgueiro Maia, tornaram-se mais ousados os nostálgicos do salazarismo. A Alpoim Calvão, já sem peito onde coubesse, deram a única venera que lhe faltava, a Jaime Neves mandaram-lhe estrelas de general à reforma e o 10 de Junho, de má memória, integra nostálgicos em manifestações intimidatórias depois de o último PR ir convertendo a data, de novo, no Dia da Raça.

Paulatinamente, o Portugal salazarista vai entrando pelas costuras da nossa incúria. Por isso, neste caso, a solidariedade com Lobo Antunes é uma questão ética e um dever democrático.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 25, 2010

Polícia ocultou provas sobre padre terrorista

Igreja Católica e Estado britânico impediram o interrogatório de um clérigo suspeito de um brutal atentado em 1972

Um relatório ontem divulgado em Belfast conclui que a investigação policial de um dos piores atentados na Irlanda do Norte ocultou provas do possível envolvimento de um padre católico. O caso remonta a Julho de 1972, com a explosão de três carros armadilhados em Claudy, perto de Londonderry.

E U A - Investigação das células estaminais embargada

O Governo dos Estados Unidos ficou temporariamente impedido de apoiar projectos de investigação médica com células estaminais de embriões humanos, depois de um juiz federal decretar o embargo preliminar das novas directivas da Administração Obama para o financiamento público desses projectos.

terça-feira, agosto 24, 2010

Ponte Europa na Comunicação Social

Este post, de E - Pá, foi ontem transcrito no Público.

Momento zen de segunda 23_08_2010

João César das Neves (JCN), a versão mais masculina da Aura Miguel, está para o Papa como as beatas para a Senhora de Fátima. A homilia de ontem, com o título – «O que fica» –, é uma hossana em louvor do Papa de turno, que se esforça por devolver a Igreja ao concílio de Trento, com a ajuda do Opus Dei, Legionários de Cristo e da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X, formações que rivalizam no carácter anti-semita e fascizante.

Para JCN, o «professor Joseph Ratzinger» (sic), tão modesto, tinha planeado uma vida pacata de académico e estudioso, projecto que dois papas se encarregaram de lhe frustrar com mitra, báculo, barrete cardinalício e púrpura, até lhe cair sobre as orelhas um obsoleto camauro. Só quem não conheça a personalidade do actual pontífice, a sua ânsia de poder e a forma como conduziu a sucessão do antecessor, poderia acreditar em tão pio desígnio do Espírito Santo a reservar-lhe o sólio pontifício.

JCN apelida Ratzinger de «um dos maiores teólogos da Igreja Católica» não reparando que a teologia é a única ciência sem método nem objecto e que se há um algo em que se possa basear para o avaliar, para além da pertença à juventude hitleriana, é a facilidade com que sente o odor a milagre nos bem-aventurados que interessa à ICAR canonizar.

Para o fervoroso devoto, o Papa, para além de ser o paradigma da virtude, é o mestre da palavra divina. Fica extasiado com estas ideias pueris: O amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração; a palavra que abre a alma à alegria do Senhor. Aquilo que ficou na alma daqueles com quem passámos o nosso tempo, é isso que o tempo não leva. E termina a sua homilia, citando a do líder espiritual nas exéquias fúnebres de João Paulo II, desta forma sedutora:

"Então, vamos e peçamos ao Senhor que nos ajude a levar fruto, um fruto que permaneça. Só assim a terra se transforma de vale de lágrimas em jardim de Deus". No dia seguinte a pronunciar estas palavras, o seu autor era Papa.

Assim, para gáudio de JCN, mantêm-se a teologia do látex, o encobrimento de crimes graves, a manutenção do Banco do Vaticano (IOR), offshore de todas as lavagens de dinheiro, e as posições mais obscurantistas e reaccionárias contra a pílula, o planeamento familiar e a saúde materna.

Ateo gratias.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por

Amadeu Carvalho Homem *


MEMORIAL REPUBLICANO LVI
LVI - O REGICÍDIO

A revolta de 28 de Janeiro de 1908 produziu em João Franco um efeito de fúria incontida. As determinações subsequentes traduziram o seu fundo psicológico instável e psicótico. Lisboa passou a ser vigiada por efectivos policiais que a tornavam terra sitiada e foram dadas ordens à cavalaria da Guarda Municipal para exibir todo o seu poder atemorizante.

Os jornais que circulavam eram apenas os que se revelavam afectos à ditadura. Um enxame de informadores invadiu cafés, botequins e locais de convívio. O ditador convenceu-se que a viabilização da sua política requeria a rigorosa medida de expatriar os seus mais denodados opositores. Nesse sentido, João Franco preparou um decreto que permitiria “expulsar do Reino, ou fazer transportar para uma província ultramarina, aqueles que, uma vez reconhecidos culpados, [importasse] à segurança do Estado, à tranquilidade pública e aos interesses gerais da Nação”.

* Historiador

Ler mais em LIVRE E HUMANO

Etiquetas:

segunda-feira, agosto 23, 2010

Acidentes rodoviários

A guerra civil que se trava nas estradas portuguesa teve hoje a sua batalha mais mortífera.

domingo, agosto 22, 2010

Ontem em Mangualde, amanhã?...

Ontem, a intervenção de José Sócrates, num comício que assinala a rentrée política do PS, realizado em Mangualde, pautou-se por duas posições fundamentais.
Primeiro, tentou conquistar a confiança dos portugueses tecendo uma optimista visão sobre o Estado da Nação nos assuntos do momento: desemprego, contenção do deficit, arranque da economia, marcha em direcção ao desenvolvimento, etc.
Segundo, demarcou-se da visão neoliberal do PSD, defendendo a preservação dos actuais contornos constitucionais relativamente ao Estado Social.

Sobre a visão optimista do Estado da Nação muito se tem escrito [inclusive o próprio já confessou a sua visceral confiança nas soluções preconizadas]. Continua, no entanto, a existir uma notória e premente necessidade de - fora de uma toada “comicieira” - informar os portugueses e as portuguesas, com rigor e sobriedade, sobre a situação político-económica actual e acerca das perspectivas futuras de desenvolvimento. O País não é o novo Olimpo onde correm rios de mel pelas estradas [não esquecer as SCUT’s] e onde os cidadãos vivem ociosamente à beira da felicidade plena [com uma taxa de desemprego > 10%], …
A visão optimista da situação portuguesa pode servir para transmitir para o Exterior uma imagem de empenho e de determinação governamental na saída da crise mas, em contrapartida, chocará com a imperiosa necessidade [esperemos que não!] de, num futuro próximo, voltar à carga – à ilharga do PSD - e solicitar aos cidadãos mais sacrifícios, mais privações, mais constrangimentos,...
Sabemos que - não precisamos de ser políticos, economistas ou videntes - nem tudo está bem neste País. Pelo que a técnica de, perante um qualquer boletim satisfatório ou promissor do BdP ou do INE sobre a análise parâmetros [económicos ou sociais] trimestrais ou semestrais, tentar - de imediato - dourar a pílula poderá manisfestar-se contraproducente, retirando credibilidade aos repetidos anúncios de promissores amanhãs. É preciso, na interpretação dessas projecções [muitas vezes não passam disso], deixar assentar a poeira [para não se contradizer com frequência].
A enfatização sistemática de situações pontuais pouco significativas [evoluções trimestrais e semestrais] não é uma boa metodologia política, i.e., a visão da árvore próxima, não deve fazer-nos perder de vista a floresta [distante].
Vivemos numa crise profunda [nós e grande parte do Mundo] desde, pelo menos, 2008 [se não antes]. Os 2-3 anos já decorridos fornecem um distanciamento suficiente [são metade de um ciclo político legislativo] para que os poderes políticos eleitos nos transmitam uma visão de conjunto… e a previsão do futuro [pelo menos a médio prazo].
Venha ela!

Ainda no decurso do comício de Mangualde, José Sócrates, teve oportunidade de afirmar o distanciamento do PS das doutrinas neoliberais que empestam o PSD.
Nesta tomada de posição de Sócrates não existe qualquer viragem política. As afirmações de Sócrates não são [não deviam ser], para o PS, novidades ou inflexões. São o simples revisitar das bases programáticas do partido. Até aqui nada de novo.
O problema é que a evocação de uma intransigente defesa do Estado Social [esperaria o PS outra coisa?] faz-se fora de um quadro doutrinário de [re]afirmação de princípios, mas antes num clima de apaziguamento e abertura negocial, com declarados, ou encobertos, inimigos desse Estado Social. Sendo assim, padece do risco de - em vez de ser tomada como uma posição doutrinária - passar a existir como uma mera condição negocial.
Aliás, dentro deste contexto, não se compreende como as medidas de excepção perante a crise [os PEC’s] tenham o horizonte temporal de 3 anos e os tão apregoados e responsáveis “consensos” entre PSD e o Governo, sejam feitos a conta-gotas. Esta situação só serve o PSD que, repetidamente, vai corroendo o Governo e, simultaneamente, tenta aparecer aos olhos dos cidadãos como um “salvador” da Pátria.

O PS, se apostar [como deve] manter-se fiel à sua matriz ideológica, terá pouco espaço de manobra em negociações com o PSD.
Mas, ao menos, este clima de confrontação criado pelo falacioso e oportunista ultimato de Passos Coelho, no Pontal, teve uma importante consequência [política]: - proporcionou a Sócrates distanciar-se do PSD. Facto que sendo pouco relevante no presente [continuarão a negociar] poderá ser fundamental no futuro [se chegarmos à situação de ir a votos].

Mas a política não vive de ilusões, de cenários, de malabarismos retóricos ou de opções adiadas. Chegará o dia em que o PSD tornará as negociações impossíveis [as negociações sobre as SCUT’s foram o primeiro ensaio].
Então, o PSD tornará visível qual é o “seu” oportunista sentido de responsabilidade nacional, romperá estrondosamente com o Governo…e, calculista, tomará o caminho da conveniência partidária que, há um ano, persegue [aposta numa profunda crise política seguida eleições legislativas intercalares].
De facto, neste preciso momento, a par das esgrimas verbais, do clima de ameaças e das chantagens, o PSD não quer negociar, isoladamente, o OGE para 2011. Quer, também e/ou simultaneamente, negociar profundas alterações ao regime democrático vigente, entre elas uma importante mitigação do peso do Estado Social.

Mas a verdadeira motivação - que tem sido sistematicamente iludida - é Passos Coelho desejar provocar - a qualquer preço, em qualquer instante - a queda do Governo PS para depois, humildemente e obrigado, apresentar o PSD como uma solução redentora para o País.
É assim que a milagrosa Direita ataca!

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *


MEMORIAL REPUBLICANO LV


LV - A Revolta de 28 de Janeiro de 1908


O vulcão revolucionário de Lisboa fumegava como nunca. A ditadura franquista produzira no universo político uma irritação como poucas vezes se vira. Não eram agora só os republicanos a desejarem o retorno à normalidade constitucional e a devolução das garantias cívicas, atacadas em todas as frentes.

Era uma vasta frente de oposição, na qual se divisavam regeneradores, progressistas, dissidentes, anarquistas, socialistas e até a grande massa anónima dos cidadãos vulgares, sem filiação partidária definida.

Falava-se em aprisionar e até em eliminar fisicamente João Franco. Os presságios timbravam pela convergência e unanimidade. Uma onda de boatos invadiu a opinião pública quando foram presos João Chagas, Alfredo Leal, França Borges e sobretudo António José de Almeida.

* Historiador

Ler mais em LIVRE E HUMANO

Etiquetas:

sábado, agosto 21, 2010

Factos do dia








O Irão pôs em funcionamento, hoje, a sua primeira central nuclear, em Bouchehr [no sul do país], com a colaboração técnica da Rússia…. AFP [hoje]

Como é possível conceber um país "emparedado" entre lapidações e tecnologias nucleares?

A associação sindical de juízes e a democracia

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) é uma bizarra formação política que desprestigia os Tribunais – o único órgão de soberania não eleito. Os seus activistas lembram os frenéticos agitadores do MRPP, durante o PREC.

Não se vê nas suas críticas a isenção e sobriedade dos juízes, e não se percebe o silêncio da imensa maioria que é independente nas decisões e na conduta, silêncio que prejudica o respeito que é devido aos tribunais e atrai contra os juízes as emoções que a política desperta.

A construção do Campus da Justiça do Porto é para António Martins, o agitador sindical de turno, «mais um dos negócios ruinosos do Estado». Admito que seja verdade o que diz quem não tem legitimidade para o afirmar e o que qualquer cidadão tem o direito de dizer, mesmo que não seja verdade. Só não o pode afirmar um membro de um órgão de soberania que eventualmente pode vir a ser chamado a julgar o caso.

Quem quiser fazer política partidária, tem obrigação de abdicar primeiro dos privilégios e da remuneração do cargo e submeter-se, depois, a eleições. Assim, não. Assim, até um vulgar cidadão se há-de julgar com direito a considerar injustas as sentenças, indignos os acórdãos e incompetentes os autores. Será a ruína do Estado de direito à mercê de um sindicato que controla um órgão de soberania.

Quando oiço ou leio este activista político, bem como o seu homólogo do Ministério Público, recordo-me da coragem de Francisco Sousa Tavares a zurzir os magistrados quando estavam longe de ter chegado a este nível de provocação e chantagem política.

O Sr. António Martins é «mais um dos ruinosos negócios do Estado» que lhe confiou funções vitalícias e a inimputabilidade.

Assim, NÃO!

“A despesa corrente primária do Estado português aumentou 5,7% nos primeiros sete meses do ano, face a igual período de 2009…”

Adiante,

“Também a receita do Estado aumentou até Julho, tendo sido registada uma subida de 5,9%, face ao período homólogo de 2009…”

In DN Economia, 21.08.2010 - link


O Boletim de Execução Orçamental do Ministério das Finanças, para o período de Janeiro a Julho de 2010, justifica [o aumento da despesa !] da seguinte maneira:
"este aumento reflecte o aumento das transferências do Orçamento do Estado para a Segurança Social, no âmbito da respectiva lei de bases, e para o Serviço Nacional de Saúde"...

Bem.
Que se saiba as transferências para a Segurança Social não são despesas incalculáveis, ou imprevisíveis, tanto mais que o País tem a noção [não vale a pena iludir a realidade…] de importantes restrições nas prestações sociais e, por outro lado, quanto ao Serviço Nacional de Saúde o objectivo publicamente enunciado foi [seria] uma redução na despesa da ordem dos 5%.

Portanto, este indisfarçavel incumprimento na execução do Orçamento do Estado carece de melhores explicações.
O Governo – nomeadamente o Ministério das Finanças – deve ter a noção de que se encontra sob severo e implacável escrutínio dos portugueses. E, nessa situação, não pode refugiar-se em declarações vagas, genéricas, laterais.
Não pode o Governo aparecer na TV a aconselhar [a solicitar] um maior nível de poupança das famílias e, simultaneamente, deixar a despesa pública, paulatinamente, deslizar.

Para qualquer cidadão parece óbvio que só conseguiremos ultrapassar a crise se a par do aumento da receita [dos impostos directos e indirectos] existir uma diminuição da despesa, equilibrada, racional e equitativa, i.e., que não seja obtida à custa das prestações sociais.
Se tomarmos à letra as explicações adiantadas pelo Ministério das Finanças, verificamos que para conseguirmos equilíbrio orçamental será necessário “cortar” nas transferências para a Segurança Social e para o SNS.
Será difícil aos contribuintes reverem-se nestas perspectivas. O Estado tem - para não ferir a solidariedade social colectiva [aquela que garante a colaboração dos contribuintes para o aumento da receita] - de encontrar outros sectores públicos onde proceder à redução das despesas correntes… Estas as necessárias e inadiáveis opções político-financeiras que definem a qualidade da governação.

O Governo deve ao País circunstanciadas, precisas e inteligíveis explicações sobre este grave deslizamento orçamental. Não vale a pena desvalorizar nem refugiar-se em linguagens tecnocráticas ininteligíveis.
O Governo deve explicar este desaire [que mina dramaticamente a confiança dos portugueses] como se cada português fosse uma dona de casa que, com rigor, gere o orçamento doméstico, ano a ano, mês a mês, dia a dia ...

Uma coisa é certa. Proceder como o Ministério das Finanças ensaiou - apostando numa justificação esquiva, em surdina - NÃO!

O passo que falta para o abismo


Chantagem, NÃO...

Etiquetas:

sexta-feira, agosto 20, 2010

Breves & blindadas...

[Pandur II atravessa o "risco"!]

Depois dos submarinos - os blindados…!

E, como escreveu Camões: "se mais Mundo houvera lá chegara"…

É que não brincamos a feijões…
Trata-se de um contrato, no valor de 364 milhões de euros, para fornecimento 260 blindados [Panduro II].

Somos pobres [dizem-nos] mas quando vamos às compras é um fartote
A julgar pelas afirmações dos políticos dessa altura [Governo de Durão Barroso], parece que estávamos bem pior. Andávamos de tanga.

Quando teremos o prazer de ler o picaresco romance do poder protagonizado por Paulo Portas?
Material não deve faltar. Ao que dizem foram milhares de fotocópias... Um acervo de respeito!

20 DE AGOSTO DE 1968- O ESMAGAMENTO DA PRIMAVERA SOCIALISTA

Nos anos 60 do século passado o mundo desenvolvido encontrava-se dividido em dois blocos politico-militares: o bloco capitalista, em que predominavam os Estados Unidos da América, e o bloco dito socialista, em que predominava a União Soviética. Politicamente, os países do bloco capitalista eram (salvo raras e desonrosas exceções, como Portugal) democracias; os do bloco "socialista" eram, sem exceção, férreas ditaduras. Os ideólogos capitalistas serviam-se deste facto para propagandear que o socialismo era incompatível com a democracia. Apesar disso, o socialismo democrático era uma aspiração de largas camadas sociais dos países capitalistas, que só não se generalizava mais porque a imagem repelente dos regimes do bloco de leste fazia temer que atrás do socialismo viesse a ditadura.
Porém, nos primeiros meses de 1968 alguma coisa começou a mudar: num dos países do bloco socialista, a Checoslováquia, a direção política propôs-se, mantendo o sistema económico socialista, instaurar um regime político democrático, com liberdade de expressão e de associação e eleições livres. Alguns passos começaram a ser dados nesse sentido: foi a chamada "Primavera de Praga".
Escusado será dizer que esta "primavera", se fosse avante, constituiria uma ameaça terrível tanto para o bloco socialista como para o bloco capitalista: para aquele, porque os respetivos povos poderiam querer também a democracia; para este, porque os respetivos povos poderiam querer também o socialismo.
O mundo inteiro tinha os olhos postos em Praga: as classes dirigentes com grande apreensão; os povos com uma enorme esperança.
Para os socialistas democráticos de todo o mundo tudo parecia possível. Melhor dizendo: tudo ERA possível. A realização dos seus sonhos era uma possibilidade concreta, já iniciada e em vias de execução.
Porém, os regimes políticos de ambos os blocos não podiam tolerar que esse sonho se realizasse. E a União Soviética, com a complacência do "Ocidente", encarregou-se do trabalho sujo: no dia 20 de agosto de 1968 forças do exército soviético, acolitadas por algumas tropas de outros países do Pacto de Varsóvia, invadiram a Checoslováquia, prenderam os dirigentes reformistas e esmagaram a "Primavera de Praga", reinstalando a"normalidade" anti-democrática.
Os regimes capitalistas, fingindo-se surpreendidos e indignados, rejubilaram duplamente: por um lado, por ter acabado o "mau exemplo" checoslovaco; por outro lado, porque podiam mais uma vez apontar o dedo aos "socialistas" como sendo os carrascos da democracia.
Os principais partidos comunistas dos países capitalistas, com raras e desonrosas exceções, protestaram corajosamente contra a invasão. Uma dessas desonrosas exceções foi o Partido Comunista Português que, com a sua fidelidade canina ao "grande irmão soviético", aplaudiu expressamente a "heroica" façanha deste (e até hoje nunca se declarou arrependido desse aplauso).
Mas o esmagamento da Primavera de Praga acabou por ser também o suicídio dos regimes "comunistas" do bloco soviético, que a partir daí entraram numa lenta e nauseabunda agonia, acabando por cair de podres uma vintena de anos depois. E do socialismo nada ficou: a Rússia é hoje pasto do mais selvagem capitalismo.
Quanto ao socialismo democrático, voltou a ser apenas o que era antes do breve episódio da Primavera de Praga: um sonho. Um sonho de realização adiada por décadas, senão por séculos.

Paris não merece uma missa

O ministro da Imigração francês, Eric Besson, afirmou hoje que a França, criticada no estrangeiro pelas expulsões de ciganos, não recebe lições.

Paris enviou ontem para a capital romena, Bucareste, várias dezenas de ciganos romenos ilegais, depois de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter anunciado medidas de segurança contra aquela etnia, para a qual a Roménia reclama um plano de integração europeia.

Comentário: Que coincidência serem ciganos e sem acusações criminais!!!

quinta-feira, agosto 19, 2010

Nazis e marginais



Tribunal de Loures condenou ontem o líder dos Hammerskin's Portugal a sete anos de prisão. Nenhum dos crimes provados está conotado com a ideologia de extrema-direita

Já nada é barato...

Deferência e cumplicidade com as crenças

Nenhum credo tem o monopólio da violência e da crueldade, mas só a repressão política sobre as crenças irracionais, que a fé perpetua, conseguiu erradicar o tormento que a «vontade divina» infligiu, desde sempre, aos povos dominados pelo clero das diversas religiões.

Não foi a bondade das crenças ou a dos seus zeladores que contribuiu para abolir o esclavagismo, a tortura, a pena de morte, a discriminação da mulher, os autos-de-fé e muitas outras tradições que causaram indizível sofrimento ao longo dos séculos.

As cruzadas, a jihad e o sionismo não são tragédias devidas à má interpretação de textos ditos sangrados, foram e são a dolorosa consequência de serem levados a sério.

A crença hindu de que o casamento de uma viúva é um acto abominável e de que devia acompanhar o defunto para a pira funerária, desafiando a lei, aumentam um intolerável sofrimento à desgraça da divisão em castas e ao carácter sagrado das vacas.

A lapidação de um casal de alegados adúlteros, no Afeganistão, acrescenta, à tragédia que representa a retoma do poder pelos talibãs, o recrudescimento de crenças que a dignidade humana e a liberdade individual não podem consentir.

Este caso não é um acto bárbaro isolado, faz parte dos códigos morais e da tradição de países como a Arábia Saudita, Nigéria, Sudão, Somália, Iémene, Iraque, Paquistão e outros. É um hábito milenar em diversos países islâmicos, praticado em público, para gáudio das multidões. São vários os países, desde o Egipto à Turquia, onde vastos sectores da opinião pública anseiam pelo restabelecimento da sharia com a mesma desvairada fé e incontido júbilo com que os cristãos queimavam bruxas e hereges.

Pio IX afirmou que a religião era incompatível com a liberdade e o livre-pensamento, tal como pensam hoje mullahs, aiatolas e, quiçá, o seu actual sucessor, mas o mundo não pode ficar á mercê do deus que o clero quer impor contra a herança do Iluminismo.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 18, 2010

A islamofobia é uma forma de racismo

Os EUA dividem-se entre os que concordam com a aprovação, no final de Julho, do projecto de construção de um centro muçulmano próximo ao chamado Marco Zero, em Nova York, e os que a abominam. Recorde-se que foi nessa zona que ficaram reduzidas a escombros as Torres Gémeas que serviram de túmulo a milhares de pessoas, vítimas da demência fanática da Al-Qaeda, em 11 de Setembro de 2001.

Apesar da proibição de religiões concorrentes nos países onde o islão tornou decadente uma civilização outrora pujante, não podem os países democráticos proceder de igual modo nem um Estado de direito julgar as intenções de quem não tem qualquer acusação ou antecedentes criminais.

Assim, Obama revelou uma vez mais coragem e coerência, que o tornam uma referência ética e política, ao defender a construção do centro islâmico, enquanto Ibrahim Hooper, director de comunicação do Conselho de Relações Islâmicas Americanas (CAIR), se queixa do aumento das manifestações xenófobas contra o Islão.

Mandaria o bom senso que o líder islâmico tivesse avaliado os sentimentos, certamente primários, dos que se opõem à decisão que a ética, o direito e a liberdade não podem impedir. Mandaria a reciprocidade que escrevesse aos líderes dos países onde se aplica a sharia a denunciar o seu carácter terrorista. Mandaria o respeito pelo estado laico que renunciasse ao carácter prosélito da sua religião e à pregação dos versículos terroristas, xenófobos, misóginos e homofóbicos que os crentes, na sua simplicidade, acreditam que o arcanjo Gabriel ditou em árabe a Maomé, com a mesma convicção com que Bush cria que a Bíblia tinha sido ditada a Moisés, em inglês.

O proselitismo dos que não se contentam em conquistar o Paraíso, e querem obrigar os outros, é um detonador de ódios e guerras que urge prevenir.

terça-feira, agosto 17, 2010

Em nome de Alá, o misericordioso


Primeira lapidação de um casal 'adúltero' desde 2001 (Afeganistão)

Islão e excisão do clítoris

Relativamente ao post do ahp:

A excisão do clitóris não é de forma alguma uma prática islâmica. É uma tradição pré-islâmica bárbara existente em algumas tribos do Norte de África, e que aí continuou a existir com a anuência/tolerância das autoridades religiosas islâmicas locais. É prática aliás praticada também pelas populações animistas da região. A excisão do clítoris não se pratica nem no Médio Oriente (excluindo algumas tribos de beduínos no Iémen, geograficamente próximo do corno de África), nem na Turquia, nem no Irão, nem no Paqustão, nem no Bangladesh, nem na Malásia, nem na Indonésia, onde habita a esmagadora maioria dos muçulmanos.

A associação entre Islão e excisão do clítoris é uma falsificação frequentemente utilizada pelos proponentes da teoria do choque de civilizações e pelos políticos populistas de direita que pululam hoje em dia pela Europa, nomeadamente nas regiões mais Setenterionais.

Pode-se criticar muita coisa no Islão radical, mas tomar o todo pela parte não é razoável. Também não me parece ainda razoável criticar todo o islamismo, mesmo o moderado. O islamismo moderado que predomina em algumas partes do mundo (Turquia, Málásia, Indonésia) não difere muito do cristianismo moderado.

Finalmente, e contra a corrente que vai predominando neste blogue, sou muito crítico das proibições relativas ao uso do véu. Isto por duas ordens de razões. A primeira, é que numa sociedade ocidental (como é o caso da França e da Bélgica, que recentemente o proibiram) a mulher tem sempre a possibilidade de escolher usar ou não o véu. O mesmo acontece tendencialmente e de forma crescente (mediante o acesso universal das mulheres à educação em sociedades islâmicas laicas e moderadas (o caso da Turquia e da Indonésia- na Indonésia apenas com a excepção da região autónoma de Banda Aceh). A segunda é que o uso do véu não se restringe à religião islâmica, mas também a outras como o Cristianismo, o Judaísmo e o Hinduísmo, relacionando-se mais como sinal de modéstia em sociedades conservadoras do que como sinal de submissão de teor exclusivamente religioso. A paisagem rural católica e ortodoxa do Sul da Europa (ainda me lembro de a minha avó paterna sempre usar lenço preto na cabeça e roupa preta), um debruçar de olhos sobre uma aldeia Hamish nos EUA, ou um passeio pelo bairro judaico de Antuérpia não deixará de salientar esta evidência.

Afeganistão: Cultura e tradição?

segunda-feira, agosto 16, 2010

CRENÇA, JEJUM E ABSTINÊNCIA

Devido ao fim de semana, só agora tive ocasião de ler o post de Carlos Esperança com o título acima transcrito e respectivos comentários, e não posso deixar de discordar de Manolo Heredia, designadamente em dois pontos.
1. Como é sabido, a generalidade das mulheres muçulmanas não têm clitoris, por ele lhes ser barbaramente amputado na infância. Muito difícil será, assim, terem prazer sexual. E mesmo que algum, apesar disso, pudessem ter, duvido que o Corão o admitisse; tudo me leva a crer que esse Livro deve considerar o prazer sexual feminino como uma pecaminosa lascívia, assim como o catolicismo considera pecado mortal a "luxúria".
Quanto ao homem, só mesmo um selvagem pode sentir grande prazer no acto sexual se o não fizer sentir também à parceira. De qualquer modo, um homem jovem, depois de um mês de abstinência, deve ter uma tal "fome" que a subsequente "queca" dificilmente durará mais que um frustrantíssimo minuto!
Portanto, meu caro Manolo Heredia, tenho para mim que a requintada ou sofisticada sexualidade da civilização europeia é, mesmo com preservativo, muito mais gratificante que a cavernícola. Mas não se diga que estou a ser eurocêntrico; reconheço que em matéria de erotismo temos muito a aprender com os chineses e com os indianos (basta lembrar o Kamasutra).
2. Por outro lado, também não me parece que a religião seja necessária ou sequer útil para fomentar as virtudes cívicas que refere no seu segundo comentário, como por exemplo trabalhar e não cometer crimes.
Por um lado, as religiões fomentam o parasitismo de uma chusma de padres, frades e freiras, monges e monjas, e a fraca produtividade de populações obrigadas a interromper o trabalho várias vezes por dia para rezar. Se calhar é por isso que a generalidade dos povos muçulmanos são tão pobres apesar de viverem em regiões muito mais favorecidas em riquezas naturais (v.g. o petróleo com que nos esmifram) do que as nossas.
Por outro lado, não me parece que os ateus e os agnósticos tenham menos civismo, trabalhem menos ou cometam mais crimes que os crentes; antes muito pelo contrário. Se se fizesse um inquérito nas nossas prisões, tenho a certeza de que se concluiria que mais de 90% dos criminosos são católicos. Isto para já não falar nas guerras provocadas pelas religiões. Se os habitantes de Israel e dos países vizinhos fossem ateus, certamente não haveria a guerra que se arrasta há décadas no Médio Oriente e ameaça alastrar por todo o mundo.
Os ateus e os agnósticos, que não acreditam noutros mundos que não este nem em seres superiores ao Homem, são geralmente pessoas cívicas e cumpridoras, até porque sabem que não podem esperar auxílio senão dos outros homens e da sua ciência, pelo que para eles o maior valor é a solidariedade humana.

domingo, agosto 15, 2010

Ameaça de bomba no Santuário de Lourdes

O terrorismo religioso é hoje uma das maiores ameaças à liberdade e à democracia, uma fonte de terror e manifestação de intolerância que os Estados não podem consentir.

A ameaça de bomba no Santuário de Lourdes, que move cada vez menos peregrinos, é o sinal de que a onda racista que percorre a França tende a agravar-se. A extrema-direita francesa, que encontra no catolicismo romano o cimento da sua coesão, vê na ameaça a forma de continuar a cruzada contra o Islão (quem sabe se não foi a autora do boato) e os muçulmanos uma forma de reforçarem o comunitarismo que impede a integração na República e acicata o ódio contra a laicidade.

Os santuários marianos são locais de idolatria à suposta virgem Maria e a forma mais eficaz de mobilizar os crentes que resistem à superstição alimentada por milagres. Lançar o pânico é acordar a fé que a modernidade remeteu para a mitologia. O medo alimenta a desconfiança e fortalece o ódio que une católicos fundamentalistas e muçulmanos na demência de submeterem o mundo a uma só religião e de o resgatarem de agnósticos, ateus, racionalistas, cépticos e livres-pensadores.

As religiões não podem estar ao abrigo do código penal nem da vigilância policial. Que os crentes aspirem ao Paraíso é um direito inalienável. Que impeçam os outros de seguir outro caminho é um caso de polícia que os Estados não podem descurar.

As leis da República são para respeitar pelos crentes, descrentes e anti-crentes. Todos têm iguais deveres perante a sociedade. A devoção é um assunto do foro particular que tem de ser respeitada mas não pode continuar como detonador do ódio e pretexto para novas guerras religiosas.

Pedro Passos Coelho – Desculpe se o matei

A pressa de regressar ao poder e a pressão dos interessados já se notam no processo em curso para derrubar o Governo.

Não nego a legitimidade do PSD em fazer cair o Governo, só temo a falta de projecto e a ausência de uma alternativa credível.

"Não há desculpas para que não governe" e, se não o fizer, o Executivo socialista deverá dar "logo que possível o lugar a outro", desafiou o líder do PSD.
(…)
O aviso está feito: o Executivo "só não terá um Orçamento aprovado este ano se optar por um mau caminho, como já o optou".

Este segundo parágrafo é antologicamente medíocre na gramática, ingénuo no cinismo e preocupante nas intenções. Traduzindo para português corrente: «Só não te derrubo se me obedeceres, o que não fizeste». O único sentido desta frase não é a falta de sentido, é o indisfarçável desejo de fazer o que diz não querer desde que haja quem acredite que o fez contrariado.

Preparemo-nos para eleições que o PSD não pensa noutra coisa. Basta que as sondagens lhe sorriam. Quanto ao que fará no Governo é a última coisa de que cuidará, o pormenor que espera acertar com Belém.

A sofreguidão do poder pode levar o PSD a perder Belém e S. Bento. Depois do Verão mais quente dos últimos anos os fogos continuarão a lavrar no Outono. Falta queimar o País que resta.

Etiquetas:

sábado, agosto 14, 2010

Birmânia - Eleições à moda de Salazar

Junta Militar no poder tomou medidas para impedir qualquer surpresa. Partido da Nobel da Paz Suu Kyi boicota as eleições.

Uma breve declaração na televisão oficial do regime militar no poder na Birmânia, desde 1962, anunciou para 7 de Novembro as primeiras eleições legislativas no país desde há 20 anos.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Crença, jejum e abstinência

Quem está familiarizado com as crenças religiosas sabe que o deus privativo de cada fé rejubila com os jejuns e, sobretudo, com a castidade dos devotos, para além da cólera que o assalta quando vê nus os ombros ou os joelhos de uma mulher.

É de crer que os homens que criaram Deus se esqueceram de lhe arranjar companhia e o castraram para lhe evitar aquelas doces tentações que fazem as delícias humanas. Eram membros de tribos patriarcais onde a dureza da vida lhes deixava parca disposição para o amor.

O Ramadão, que uma das crenças mais divulgadas considera o «mês da purificação e da oração», impede a ingestão de quaisquer alimentos, sólidos ou líquidos, bem como o gozo sexual, do nascer ao pôr-do-sol. E os crentes, por fé ou medo, por vontade própria ou pavor de represálias, por tradição ou terror de denúncia aos clérigos, lá se aguentam na abstinência que – ao contrário do que lhes prometem –, não assegura qualquer vaga no Paraíso, nem o deboche e rios de mel para os bons muçulmanos do sexo masculino.

O Deus que a geografia, a ancestralidade e os constrangimentos sociais impõem a estes infelizes, é um idiota que odeia o álcool e a carne de porco como lhe podia ter dado para abominar os figos, as tâmaras ou a maçã raineta.

Não se julgue, porém, que a tolice é privativa de uma religião e não apanágio de todas. O Vaticano que inveja a demência colectiva que obriga os crentes a viajar de joelhos, a fazer jejuns e a passar o tempo a matar infiéis ou a rezar, vê com nostalgia o abandono do jejum, o desprezo da castidade e o desinteresse sobre o vestuário feminino que torna as mulheres apetecidas e eleva os níveis hormonais independentemente do género.

Por que razão temos de respeitar crenças que tornam infelizes e fazem sofrer os crentes? Temos obrigação de as desmascarar para que os crentes decidam em liberdade se devem continuar escravos ou livres. Só essa decisão merece respeito, não as idiossincrasias de um Deus que abomina o prazer, o amor e a felicidade.

quinta-feira, agosto 12, 2010

O adultério, a religião e a justiça


O recente fuzilamento de uma viúva afegã, grávida, sob a alegação de adultério, é de tal modo repulsivo que não pode deixar alheados os povos civilizados. O crime foi, aliás, precedido de duzentas chicotadas, uma tortura cuja crueza revolta e envergonha pessoas civilizadas.

A repressão sexual é uma perversão comum aos três monoteísmos e a forma de domínio mais comum, sendo as mulheres as vítimas predilectas do carácter misógino do deus do Antigo Testamento.

Sempre que as Igrejas conseguem influenciar o poder secular aparecem as penas contra o adultério. O caso de Camilo Castelo Branco, preso por adultério, está ainda presente em todos os que preferem a literatura profana aos livros pios. Só a laicidade consegue pôr cobro à demência beata que devora o clero dos monoteísmos abraâmicos.

A violência da fé não se satisfaz em fazer de cada crente um capacho do seus deus, é um instrumento de repressão, violência e sofrimento sobre quem teve a fatalidade de nascer na sua zona de influência.

A Tora (seis séculos a. C) e o Talmude (200 d. C. + 500 d. C., o Antigo e o Novo Testamento, O Corão (632) e a Sunnah (séc. IX) têm em comum o carácter misógino mas diferem em relação ao álcool, à carne de porco e na defesa do véu e da burka. No islão as proibições atingem o fulgor demente, onde até urinar com o jacto virado para Meca é proibido.

Hoje, o mais violento e implacável dos monoteísmos é o islão. Não há desculpas que possam justificar os horrores cometidos pela sharia. A tradição serviu quase sempre como álibi para os piores crimes e os maiores desvarios. É altura de combater no campo cultural as crenças que envenenam os fiéis e desgraçam os que vivem na área da sua influência.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, agosto 11, 2010

Queixem-se do sindicato e do Sr. Palma

Assim, não pode continuar...

segunda-feira, agosto 09, 2010

Em nome de Deus, o misericordioso…

Uma viúva afegã foi executada publicamente a tiro por um grupo de talibãs. Depois de ser acusada de adultério no nordeste do Afeganistão, segundo denunciou hoje à agência Efe uma fonte da Comissão Afegã independente de Direitos Humanos.

A mulher, acusada de adultério, foi presa durante três dias e recebeu 200 chicotadas antes de ser fuzilada.

Nota: Os que defendem o respeito da tradição e desta «cultura» islâmica são cúmplices dos trogloditas de Deus.

Carta ao DN sobre as afirmações de um bispo…

… que atira a pedra e esconde a mão.

Exmo. Senhor
- DN Gente -
Avenida Liberdade, 266
1250-149 LISBOA

Exmo. Senhor:

Na sequência da entrevista concedida pelo bispo Carlos Azevedo à jornalista Patrícia Jesus, [DN – Gente, de 31 de Julho de 2010], a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com as referências feitas a esta associação.

Transcreve-se o último parágrafo: Outro dos seu traços marcantes é a frontalidade. Que às vezes lhe vale a colagem a uma ala mais fundamentalista da Igreja. Recusa o rótulo. “Da primeira vez que a Associação Ateísta se meteu comigo, escrevi-lhes uma carta. Acho que ficaram surpreendidos. Sou frontal mas com uma abertura enorme. Gosto do diálogo, fruto de ter crescido com nove irmãos. E admiro todas as pessoas que são verdadeiras na sua busca.”

Além da referência à Associação Ateísta Portuguesa aparecer como Pilatos no Credo, sem qualquer nexo, a AAP nega que se tenha «metido» alguma vez com o Sr. Bispo e lamenta nunca ter recebido qualquer carta sua. A AAP não pode assim confirmar essa frontalidade e abertura que o Sr. Bispo alega. Também nos foi até agora impossível aproveitar a admiração do Sr. Bispo pelas pessoas que são verdadeiras na busca do diálogo pois, após várias críticas à AAP e ao seu presidente num matutino onde é colunista, jamais aceitou o direito ao contraditório.

Na esperança de termos sido privados da tal carta, apenas por um percalço postal, e de não terem sido publicadas as nossas respostas somente por falta de espaço no matutino onde o Sr. Bispo escreve, pedimos-lhe que revele a data e o conteúdo da carta mencionada e que encete finalmente connosco o diálogo que diz admirar.

Por exemplo, sobre a peregrinação a Fátima organizada a 13 de Maio de 2008 «contra o ateísmo na Europa», comandada pelo cardeal Saraiva Martins, então chefe da Repartição do Vaticano onde se rubricam milagres e criam beatos e santos. Uma peregrinação a favor da fé pareceria mais de acordo com a abertura que o Sr. Bispo apregoa, se bem que, admitimos, uma cruzada contra o ateísmo possa ter toda a frontalidade de uma carga de cavalaria.

Ou sobre as palavras do Sr. Patriarca Policarpo que, no mesmo ano, considerou o ateísmo como o «maior drama da humanidade», maior ainda que a fome, as doenças, as guerras, as catástrofes naturais, a pedofilia e o terrorismo religioso. Seria outro tema digno de diálogo entre pessoas como aquelas que o Sr. Bispo diz admirar, as que são verdadeiras na sua busca.

A AAP reconhece, e defende, o direito do Sr. Bispo de não gostar de ateus e de manifestar o azedume que a associação lhe tem causado, em pouco mais de dois anos de existência, com esta direcção que iniciou o seu segundo mandato em 27 de Março último. Sabemos como reagiu mal, no matutino onde escreve, ao comunicado da AAP sobre a canonização de Nuno Álvares Pereira, que não merecia tal desrespeito, e à denúncia de a ICAR ter transformado em colírio um herói nacional a quem a sua Igreja atribuiu a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe.

Aceitamos também a frontalidade com que o Sr. Bispo Carlos Azevedo e os seus colegas João Alves e António Marcelino se exprimiram em artigos de opinião, respectivamente no Correio da Manhã, no Diário de Coimbra e no Soberania do Povo, de Águeda, criticando a AAP e o seu presidente. Sabemos que não são imunes à pressão mediática a que a Igreja católica tem sido submetida, pelas piores razões, desde o encobrimento de crimes de pedofilia ao branqueamento de capitais no I.O.R., como documenta o livro «Vaticano, S. A.».

O que a AAP não aceita, por amor à verdade, é a referência a um diálogo que não existiu e a cartas que a AAP não recebeu. Por isso, a AAP gostaria que o Sr. Bispo Carlos Azevedo esclarecesse este mal-entendido, indicando a data e o teor da carta que alega, na entrevista ao DN, ter escrito à AAP, e que demonstre de uma forma mais visível que o diálogo frontal que defende não é apenas um monólogo sem direito de resposta.

Cumprimentos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 1 de Agosto de 2010

Nota: Esta carta, cuja não publicação compreendemos, por questões de espaço, só hoje é revelada.

domingo, agosto 08, 2010

PGR - reestruturar, já...!

As notícias de hoje tv1.rtp.pt/ sugerem um insanável conflito entre o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público [SMMP] e a Procuradoria Geral da República [PGR].
Para os cidadãos a questão não pode [nem deve] ser confinada a disputas de poder, entre o procurador João Palma [presidente do SMMP] e o Juiz Pinto Monteiro [PGR] .

O triste espectáculo que está a ser oferecido aos portugueses é algo de intolerável num regime democrático.

O Governo não poderá deixar de agir rapidamente...

Que se saiba a Procuradoria Geral da Republica compreende o Procurador Geral da República, o Conselho Superior do Ministério Público, o Conselho Consultivo, os Auditores Jurídicos e os serviços de apoio. São, ainda orgãos do MP: as Procuradorias-Gerais Distritais e as Procuradorias da República.
Não será uma estrutura tão complexa ou insondável...
O SMMP que, na reestruturação que se tornou mais do que necessária, não pode deixar de ser ouvido, nem sequer figura neste resumo de organograma. É, portanto, um dos parceiros. Mais nada!
O Ministro da Justiça não pode ficar sentado no cadeirão ministerial à espera que o PGR proponha alterações da configuração hierárquica e de descentralização [ou concentração] dos poderes no Ministério Público. O Governo tem o dever de agir e liderar a mudança. As dificuldades com a PGR não podem tornar-se problemas crónicos que, ciclicamente, abalem o edifício democrático da Administração da Justiça.

Este é um assunto [prioritário] do Governo da República.

Um grave problema democrático que não deverá ser endossado à AR [como desejaria o Pedro Passos Coelho no "seu" projecto de reforma constitucional...] e muito menos deverá ser encaminhado ao PR [como Paulo Rangel um beatífico vigilante de Bruxelas sugeriu...].

As informações deste fim-de-semana abalam a confiança dos cidadãos num dos pilares da Democracia: O Poder Judicial.
Nem mais, nem menos...!

sábado, agosto 07, 2010

Hiroshima



Fotos: © 2009 Rui Cascão, todos os direitos reservados

Hiroshima, até onde pode chegar a loucura dos homens... E como uma cidade pôde recuperar, como fénix, das cinzas e voltar a ser uma cidade bela, alegre, vibrante e viva.