quarta-feira, setembro 30, 2015

Coimbra - Jantar do 105.º aniversário do 5 de Outubro


Coimbra Comemora o 105º Aniversário da República em 5 de Outubro de 2015
Republicanas/Republicanos

O Núcleo de Coimbra do Movimento Republicano 5 de Outubro, fiel aos seus princípios constituintes, vai comemorar o 105º Aniversário da Implantação da República.

Este ano o 5 de Outubro é numa segunda-feira, dia seguinte às importantes eleições para a Assembleia da República.
Ainda não é Feriado Nacional o que, como é nossa renovada pretensão, deverá acontecer de novo em 2016.

O Jantar Evocativo decorrerá em Coimbra, pelas 20h00, no Restaurante do Café A Brasileira/1º andar, na Rua Ferreira Borges, local de tantas memórias de resistência, durante a longa noite do “estado novo”, que separou a I da II República. Haverá intervenções políticas no decurso do jantar. O seu preço é de €15,00, tudo incluído. As inscrições são bem-vindas desde já e até ao limite do dia 1 de Outubro pf para

anabela8@hotmail.com

NP – Na inscrição queira indicar se pretende Bacalhau à Brasileira ou Lombinhos de Porco. Agradecendo divulgação
Saudações Republicanas
Pelo Movimento Republicano 5 de Outubro (Núcleo de Coimbra)

a) José Dias (919726959)

Notas soltas: setembro/2015

 Guiné-Bissau – A excisão [mutilação sexual feminina] foi abolida pelo Parlamento em 2011. O tribalismo criou um movimento que, alheio à dor e às consequências, pretende a revogação da lei que pune o crime. Em nome da tradição e de Maomé.

Afeganistão – No país onde, em maio, uma mulher acusada falsamente de ter queimado o Corão, foi espancada até à morte por uma multidão em euforia pia, o chicoteamento de mulheres acusadas de adultério continua a ser o mais popular divertimento público.

União Europeia – Ameaçada de desintegração pela falta de coesão, tornou-se refém de nacionalismos, irrelevante na cena internacional e prestes a sucumbir entre a vergonha da incúria perante a tragédia dos imigrantes e a submersão por uma cultura alheia.

Filipinas – O único Estado do mundo, além do Vaticano, que não legalizou o divórcio, força os casais com casamentos falhados a continuar juntos ou a pedir a anulação, um processo caro e demorado que muitos não podem pagar.

Migrações – Subscrevo as palavras do jornalista Ferreira Fernandes no DN: «Abater os terroristas é uma obrigação moral igual à de receber os refugiados». Face a terroristas é a opção, mas prefiro morrer às mãos de um do que deixar de socorrê-lo no naufrágio.

Ano Judicial – O início passou a ser, por definição legal, o dia 1 de setembro de cada ano e a cerimónia solene, obrigatória, esteve agendada para o dia 16. O PR, ao adiá-la, por desvelo partidário, interferiu nas eleições com a desculpa de não interferir.

Joana Amaral Dias – Substituiu a ideologia e o programa político do movimento Agir pela nudez. Sendo barriga de cartaz, do monólogo da barriga não restará mais do que o ruído que a campanha eleitoral e a discussão de ideias dispensavam.

Xenofobia – A pior direita chegou ao poder na Hungria, Chéquia, Eslováquia e Polónia. Á excelente na construção de muros e na indiferença perante o drama que bateu à porta da UE, gente que desafia a morte apenas para ter direito à vida.

Alemanha – Por muito que custe, a Sr.ª Merkel revelou ser a maior estadista europeia em relação à Grécia e continuou a sê-lo no apoio aos refugiados e no esforço para que os outros países lhe sigam o exemplo, embora ameace vencê-la a dimensão do drama.

 Lehman Brothers – Em 15 de setembro de 2008, Bush deixou falir o banco dos EUA. As dívidas dos Estados dispararam e o sistema financeiro arruinou as economias mais débeis que a crise chinesa aprofunda. Será a crise final do capitalismo?

Ministério da Educação – Os currículos que este ano letivo passaram a ser obrigatórios excluíram os métodos contracetivos e Doenças Sexualmente Transmissíveis da lista dos temas prioritários de Ciências Naturais. Para os especialistas em Educação Sexual é um erro. Ou foi má fé?

Novo Banco – O adiamento da venda para depois das eleições é um reconhecimento do  fracasso e da decisão errada de entregar o negócio ao regulador, o Banco de Portugal. A insólita decisão foi um dos vários expedientes para esconder o Governo e o défice.

Hungria – Canhões de água, bastonadas, gás pimenta e lacrimogéneo foram meios que precederam a ordem de atirar sobre os refugiados na fronteira sérvia, violando de forma grosseira as convenções internacionais, em nome da ‘pureza cristã’.

União Europeia – Se tivesse pressionado Orban como a Tsipras, não estaria no poder, em Budapest, um nacionalista xenófobo e antieuropeu, a lembrar o passado sombrio do país que, já em 1944,  ainda deportou 800.000 judeus húngaros para as câmaras de gás.

 Al Qaeda – Assaltantes mascarados atearam fogo à última igreja católica do Iémen, vandalizada na véspera quando a despojaram da cruz, presumindo-se que os autores pertençam a esta organização terrorista.

António Guterres – Foi preciso um programa da RTP sobre refugiados para que o Alto Comissário das Nações Unidas fosse visto pelo país onde tanta falta faz. É uma enorme referência ética, política e intelectual. Que saudades!

Vaticano – A consciência social do Papa Francisco não prova a existência de Deus mas revela o homem de bem cuja mediação foi relevante para o fim do bloqueio dos EUA a Cuba. Surpreende a animosidade que suscita dentro da sua própria Igreja.

Terrorismo eleitoral – Não bastavam as sondagens da TVI, a Standard & Poor’s subiu, durante a campanha, 1 nível ao lixo a que as agências do capital financeiro reduziram a dívida pública, ao terem baixado 4 níveis, de uma só vez, ao mesmo governo PSD/CDS.

Grécia – Apesar da chantagem e humilhação feita pela União Europeia, preferiu quem lutou e foi derrotado a quem nem sequer lutou e escondeu a dívida que todos sabem ser impagável. Tal como a portuguesa e a de outros países europeus.

PCTP/MRPP – O fim do slogan “Morte aos Traidores”, segundo Garcia Pereira, não os salvará “do opróbrio e morte certa que os espera”. Com milhões de ‘traidores calados’ por Mao, o sorriso que os adolescentes despertam nauseia num sexagenário.

ONU – É ciclópico o desafio assumido por todos os países do mundo. A agenda global para 2030, tem 17 objetivos para o desenvolvimento sustentado e 169 metas. Erradicar a malnutrição, desigualdades de género e desemprego, garantir a todos os jovens poderem terminar o ensino secundário, combater as alterações climáticas, proteger ecossistemas e assegurar o acesso de todos à água potável, são os principais e unânimes desígnios. O desejo coletivo é já um bom prenúncio.

Catalunha – Os independentistas dividiram-se com a maioria dos mandatos e a minoria dos votos, mas os demónios nacionalistas ameaçam Espanha e arruínam a Europa. 

terça-feira, setembro 29, 2015

A verdadeira está em Londres

A que falta, no templo de Erecteion, está num museu britânico

Para memória futura


segunda-feira, setembro 28, 2015

A água e o ensurdecedor silêncio de Cavaco e Passos Coelho

O transvase do rio Tejo-Segura, que opõe Múrcia ao sudeste espanhol [Castilla- La Mancha], conhecido por «guerra da água», já está nos tribunais… de Espanha.

Em Portugal, o silêncio pérfido, com as oposições a dormir, continua. Acordaremos, talvez, com o rio Tejo seco.

Catalunha – Uma visão politicamente incorreta

A vitória dos independentistas, com a maioria dos mandatos e a minoria dos votos, dilacera-a. Os demónio nacionalistas vivem para destruir Espanha e arruinar a Europa.

As secessões, tal como os impostos não são referendáveis mas metade dos espanhóis da Catalunha querem deixar de o ser contra a outra metade que o pretende.

Quando uma região, com dimensão, história e língua, pretende ser um novo País, tem de contar com a vontade dos que, não sendo catalães e lhe respeitam a cultura, também têm uma palavra a dizer.

O problema da Catalunha não é apenas seu, é um problema espanhol e europeu em cuja decisão não foram consultados.

A uma escala mais dramática repete-se a crispação de ‘Canas de Senhorim a Concelho’. Neste caso foi a sensatez de Jorge Sampaio que venceu a vontade popular e o populismo ignaro de Durão Barroso.

Há na alegria esfusiante dos que ontem afirmaram ter ganhado um pronúncio de futuro cada vez mais sombrio para todos os catalães, Espanha e Europa. As tragédias começam com uma bandeira, uma fanfarra e desfiles de vitória e acabam em banhos de sangue.

A implosão de Espanha não é mais auspiciosa do que a da URSS, Jugoslávia ou Sérvia.

domingo, setembro 27, 2015

Efeitos de falsos ‘afectos’…


A Coligação de Direita descobre - em plena campanha eleityoral - que há, na política, lugar para ‘afectos’ link.

Raramente se consegue chocar de frente com tamanha hipocrisia. 

Depois de ter classificado os portugueses como uns vagabundos perdulários ambiciosos por viver acima das suas possibilidades; depois de lhe ter aplicado uma receita implacável de empobrecimento; depois de os ter fustigado com conselhos de que deviam abandonar a ‘zona de conforto’ e procurar refúgio no exterior; depois de ter extorquido dos parcos rendimentos familiares uma fatia importante dos proventos sob um ‘enorme’ aumento de impostos; depois de ter provocado à volta de uma ‘cura de austeridade’ o encerramento de dezenas milhares de empresas; depois de ter lançado centenas de milhares de cidadãos no desemprego; depois da gabarolice sobre a recuperação da economia confundindo-a com o banquete que proporcionou ao sistema financeiro; depois, só depois, chega um hipócrita rebate de consciência.

E, para espanto geral, surgem a alimentar a pretensão de olhar para os eleitores com ‘afecto’. Querem confundir sentimentos, sensibilidades com o permanente escárnio, o que não sendo novo na prática política da Direita, sempre nebulosa e pejada de malabarismos semânticos, é reconhecido pela total insensibilidade em relação às pessoas. Não há afeição sem sentimentos.
Quem não os conhece que os compre!

Alguns portugueses devem lembrar-se de histórias da infância que recorriam às fábulas que nos foram legadas por Esopo.
O conto que a coligação “p’rá Frente” nos endereça sobre ‘afectividades’ é, na realidade, uma variante das velhas histórias gregas sobre a hipocrisia (a Grécia é um imenso repositório de lições de vida!).
Existe uma fábula nesse repositório helénico onde contracenam um gafanhoto e uma aranha que estariam a congeminar ‘lixar’ o camaleão predador. Como nos chega deste relato o gafanhoto ao aproximar-se da aranha, para planear o fim do camaleão, acaba por enredar-se na teia e, deste modo, tornar-se no almoço do aracnídeo.

Na verdade, estamos a ser convocados para entrar nesta hipócrita cena de terror. Como incautos figurantes… que não vão receber qualquer cachet. Antes pelo contráriuo!

Deus e o Diabo em Meca

Dizem os crentes que Deus está em toda a parte e é de crer que o seu reverso, o Diabo, também. Se não existisse turismo religioso e o entusiamo das multidões por maratonas pias, Meca, Medina, Jerusalém, Lourdes ou Fátima tornar-se-iam destinos sem sentido.

O Islão, cópia grosseira do cristianismo com laivos de judaísmo, tem no primarismo dos cinco pilares a sedução da facilidade e no extremismo dos princípios a atração fatal dos carentes de emoções fortes.

O facto de Maomé, analfabeto e amoral, ter sido o último profeta não permite ao Corão a atualização que o torne compatível com a democracia. Permanece assim um código de poder dos homens sobre as mulheres e dos que melhor o recitam sobre os outros.

Com dois milhões de peregrinos, ansiosos por apedrejarem o Diabo, na luta em que este sai sempre incólume os amigos do Misericordioso saem a perder. Há 25 anos foram 1426 os mortos, a maioria por asfixia, agora, com números ainda provisórios, já foram contabilizados 769 e 850 feridos. O  ministro da Saúde saudita, também entendido em questões de fé, designou a tragédia como «vontade de Deus».  

Com o Diabo sempre a sobreviver, para que o ódio não se perca, era mais sensato atirar pedras a partir de casa do que disputar a 2 milhões de fanáticos, em Meca, a tentativa de lhe acertar.

sábado, setembro 26, 2015

A coeducação e o Islão

Durante a ditadura salazarista a coeducação era a exceção onde os professores do sexo masculino não podiam dar aulas no ensino primário. Não era problema para os homens que, sendo escassos, tinham prioridade nas escolas masculinas, era mimetismo religioso a circular das igrejas para as escolas públicas e privadas, estas da Igreja.

A coeducação foi uma conquista civilizacional que juntou nas mesmas escolas crianças, adolescentes e adultos com a clara discordância do clero, por natureza misógino.

Foi com incómodo, pois, que me apercebi da programada integração de refugiados no concelho de Penela onde, "A coordenadora do projecto admite que o processo seja relativamente lento – por exemplo, no início, as aulas de português serão dadas aos homens e às mulheres em grupos separados. Ela diz esperar, no entanto, que "dentro de poucos meses" consiga juntá-los na mesma sala. Para isso, contribuirão, acredita, o exemplo de outros elementos da equipa, como a intérprete, tunisina e muçulmana, que também reside em Portugal."

Não sei se os objetivos justificam o método intermédio mas a laicidade parece-me posta em causa e a cedência dispensável.

Ver página 1, penúltimo parágrafo do Público.

sexta-feira, setembro 25, 2015

Os refugiados e a laicidade

Há quem confunda o dever de socorrer refugiados com a obrigação de permitir práticas criminosas ou o proselitismo que apele à violência, ao racismo e à xenofobia.

É mais difícil para o Papa aceitar a demência racista do crente húngaro Viktor Orbán do que para um ateu humanista aliar-se a Francisco na luta contra a pobreza e as alterações climáticas. Quem não sente asco por quem manda a polícia e o exército disparar contra refugiados, a lembrar a Hungria que, em 1944, já com a derrota nazi no horizonte, ainda deportou  800 mil judeus para as câmaras de gás?

Uma coisa é o respeito pelos direitos humanos e as convenções internacionais e outra, bem diferente, é o regime de favor de que as religiões gozam em relação aos partidos políticos e outras associações. Só a subserviência de políticos sem dignidade e estatura pôde consentir às religiões privilégios abusivos e que, em nome da sua crença, possam defender a morte aos infiéis [crentes da concorrência], a pedofilia [casamentos aos nove anos] ou a poligamia?

Quando há pouco o Tribunal Constitucional, ao arrepio da jurisprudência anterior e em atropelo ao espírito da Constituição [CRP], deferiu à associação marginal da D. Isilda Pegado “a anotação das alterações referentes à denominação e sigla do Partido Portugal Pró Vida (PPV) para Partido Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC), abriu a porta ao futuro Partido Cidadania e Democracia Islâmica (PCDI), por exemplo.

É na displicência com que se isentam confissões religiosas, pouco entusiastas das regras democráticas, da submissão às leis do Estado que o proselitismo beato medra e definha a cidadania. O laicismo é a arma que defende a democracia.

Em resumo, acolher os refugiados é uma exigência legal e ética, obrigá-los a respeitar as regras democráticas é uma questão de sobrevivência civilizacional.

quinta-feira, setembro 24, 2015

Menti, menti sempre... até 4 de outubro, pelomenos


Dito... por um fascista

«A coisa mais importante é que não deve haver um imperialismo moral. (…) A Hungria deve ter o direito de controlar o impacto de uma migração em massa.»


(Viktor Orbán, PM da Hungria sobre a resposta a dar aos refugiados)

Marcelo e Cavaco

Não faço a ofensa de comparar Marcelo a Cavaco Silva. Separam-no muitas centenas de livros, a abissal distância cultural e a conduta nos negócios privados mas, dito isto, há semelhanças inquietantes de quem se perfila como candidato presidencial. Marcelo não nos envergonharia como PR mas é ainda mais perigoso.

Marcelo Rebelo de Sousa ao criticar, na passada sexta-feira, o líder socialista, António Costa, por recusar “acordos de regime” e rejeitar viabilizar o Orçamento de Estado (OE) para 2016, em caso de vitória da coligação PSD/CDS, foi grosseiro na linguagem, ao dizer que António Costa  é como um ‘menino’ que só vai a jogo se souber que ganha, e subserviente a Passos Coelho  a quem já presta vassalagem apesar da enorme distância intelectual e ética que os separa.

Marcelo Rebelo de Sousa foi um dos artífices da unção de Cavaco como líder do PSD, no congresso da Figueira da Foz, que o elevou, para desgraça, aos mais altos cargos do Estado. Foi também ele que, a convite do ex-banqueiro Ricardo Salgado, juntamente com Durão Barroso, urdiu a candidatura do outro ‘chefe de família’ presente, o inefável Prof. Cavaco, todos acompanhados das amantíssimas esposas que, no caso do último, é também a sua indispensável prótese conjugal.

Quem, da janela da TVI, olha o portão do Palácio de Belém e quer percorrer de rastos o caminho, como vuvuzela da coligação de direita, não é um estadista, é um oportunista.

Se os portugueses quiserem renovar um PR, uma maioria e um Governo, transformando o sonho de Sá Carneiro em novo pesadelo, nada se poderá fazer. É uma decisão do povo pela única via aceitável, ainda que augure os piores resultados.


É uma ameaça que paira sobre a República. A versão urbana de Cavaco é mais refinada e tão ou mais nefasta. Apenas não aviltaria o cargo.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 23, 2015

A Catalunha e o desejo independentista

Os apelos tribais parecem estar geneticamente inseridos no ADN dos povos civilizados e na demência separatista que percorre a Europa.

Helmut Kohl, um grande estadista cujo maior erro foi o apoio a João Paulo II, um papa medíocre e reacionário, cometendo o erro clamoroso de apoiar a divisão da Jugoslávia e provocando uma tragédia para a qual arrastou a Europa. O reconhecimento da Eslovénia e a seguir da Croácia, satisfez os apetites papais sobre duas regiões católicas de passado sombrio na guerra de 1939/45. Depois foi ver o castelo de cartas a desmoronar-se entre banhos de sangue e crimes de guerra.

Aberta a caixa de Pandora, a Europa tem hoje, depois de sacrificada a Sérvia, um Estado falhado no Kosovo, entreposto de droga e terrorismo. Na Ucrânia, onde nasceu a Rússia na catedral de Kiev, a Nato quis colocar bases ofensivas e provocou uma situação que a Europa não consegue gerir.

Agora é a Catalunha que quer separar-se de Espanha quando a Europa treme por não ter sabido unir-se em vez de se fragmentar por egoísmos nacionalistas. É por isso que não vejo com bons olhos a sua determinação separatista.

Nem o facto de me ver tão mal acompanhado, pelo cardeal Antonio Cañizares Llovera [na foto] me faz mudar de posição. Depois da Catalunha, talvez o País Basco e a Galiza!

Fotos que ganham atualidade

Em nome do BPN, do PSD e do Espírito Santo. Ámen.



Dias Luureiro, indicando o futuro.

terça-feira, setembro 22, 2015

«Pureza cristã»


Viktor Orbán manda disparar em nome do nazismo e partir apenas as pernas em nome da fé.

De pequenino é que se torce o pepino


segunda-feira, setembro 21, 2015

Terrorismo eleitoral e a pitonisa da Rua de Santana à Lapa

A revisão de notação oriunda da Standard & Poor’s e fundamentalmente os comentários que lhe estão anexos, foram mais um contributo bélico para a guerra eleitoral em curso.

Foi uma revisão avulsa e sem que qualquer indicador o justificasse.

Disse-me a pitonisa da Rua de Santana à Lapa que, antes das eleições, o lixo tóxico que recentemente passou a lixo doméstico, passará ainda a ser um resíduo inofensivo.

Com os portugueses esquecidos de que foi neste Governo que a dívida soberana desceu vários níveis e que, apesar das privatizações e do assalto às pensões e vencimentos, não deixou de crescer, qualquer boa notícia, mesmo paga, é bem vinda.

Para quem não acredita em bruxas, peço aos leitores que registem a previsão da pitonisa da Rua de S. Caetano.

Eleições gregas

Por

e-pá 

Está mais do que visto e provado que os resgates estão concebidos para falhar. As recentes eleições revelam isso mesmo.

Sucessivamente, desde 2010, o PASOK, a Nova Democracia falharam e agora com o Syriza, não está excluída possibilidade de voltar a acontecer o mesmo. Embora o Syrisa não esteja envolvido nos esquemas de corrupção como os partidos que tradicional (dinasticamente) têm governado a Grécia depois do fim da ditadura militar, é pertinente conceber que o problema grego não se limita a combater a corrupção.

Tão importante como isso serão os privilégios (alguns constitucionais) da Igreja Ortodoxa, dos Bancos e dos armadores.

Todavia, Bruxelas, e mais concretamente Berlim, nunca questionarão de livre vontade o modelo que autoritariamente impõem. Este deve ser considerado 'infalível' e, convém recordar, sem alternativa.

Se esta nova tentativa falhar (como parece existirem grandes possibilidades já que a receita é velha embora mais severa) resta tentar o 'Aurora Dourada'. Provavelmente será esse o plano oculto do Sr. Schauble – o homem de serviço para o problema grego.

Isto é, se a democracia sucumbir ao serôdio nacionalismo, ao autoritarismo feroz e à permanente repressão, à xenofobia, qualquer plano tem possibilidades de funcionar. A grande incompatibilidade dos planos que já foram tentados é muito simplesmente a liberdade dos povos.

Se essa liberdade for encarcerada, como a Extrema-Direita tem por hábito fazer quando tem as rédeas do poder, qualquer plano poderá vir (forçosamente) a funcionar pelo menos para restritos círculos pios, oligarcas e belicistas.

Mesmo que para conseguir isso fique para trás um rasto de milhares de cadáveres e velados por uma legião de famintos...

domingo, setembro 20, 2015

Grécia – eleições

São 18H15, hora de Lisboa, o Syriza está à espera de celebrar mais uma vitória, não por mérito próprio ou porque as promessas tivessem sido cumpridas, apenas porque a direita grega, igual à portuguesa, mentiu e acusou os outros partidos da responsabilidade  que lhe cabe e esqueceu que a dívida é impagável, quando todos sabemos que o 3.º resgate foi apenas a forma de adiar o problema à espera de ajudar a direita ibérica e a grega, esta sem resultar, nos próximos atos eleitorais.

O problema grego, digo, português, digo, europeu, regressará em breve. A humilhação do povo grego, que tanto fez exultar o Governo, a maioria e o PR portugueses, foi um ato gratuito e inútil que complicou a solução do problema europeu.

Factos & documentos


O processo de corrupção em que Marco António é arguido também vai prescrever?

sábado, setembro 19, 2015

Sobre a notação da Standard & Poor’s …


Se acaso necessitássemos de uma prova como a democracia está a ser destruída pelas teorias globalizantes a recente notação financeira da Standard & Poor’s (S&P) seria tremendamente esclarecedora.
Claro que esta revisão de rating vai ser explorada pelos círculos governamentais. Como se o aparente bónus que o sistema financeiro orquestrou, e resolveu anunciar neste momento, tivesse reflexos directos e imediatos nos bolsos e na qualidade de vida dos cidadãos. É a clássica atitude ‘patrioteira’ que a Direita tanto gosta e que proporciona ocultar os seus reais desígnios, onde a servidão (exploração) continua a persistir.

Independentemente da análise da ‘oportunidade’ desta revisão (em plena campanha eleitoral) protagonizada pela citada ‘agência de rating’ o conteúdo da análise que lhe está subjacente, e a fundamenta, é espantoso pela ausência de vergonha. Quando se afirma esperar que exista “… uma ampla continuidade das políticas, independentemente dos resultados das eleições de Outubro em Portugallink está tudo dito.
Não será possível continuar a esconder o clima de ‘ditadura financeira’ a que estamos a ser implacavelmente submetidos e a forçada inexistência de políticas alternativas, isto é, esmaga-se impiedosamente o cerne da democracia que – simplificando - é a avaliação dos resultados do desempenho (escrutínio) e, por outro lado, a escolha colectiva (maioritária) onde se delega, pelo voto, poderes para o  exercício de representação popular e das funções de soberania.

É por essa razão que incomodam, pela sua superficialidade e pelo aproveitamento imediatista, as frequentes citações sobre a Grécia.
Todos sabemos que confrontados com os recentes acontecimentos no berço da Democracia (à sombra da teoria da ‘vacina’) estes deveriam colocar-nos de atalaia para um facto que é sistematicamente ocultado. Mais importante do que analisar o que sucedeu ao Syriza, ou a Tsipras, será constatar o violento empurrão para o colapso da democracia que a atitude das instituições políticas e financeiras (europeias e mundiais) representou (e representa).
E em consequência desta moderação desconfiar dos que se apresentando como ‘realistas’ e 'pragmáticos' são, isso sim, os coveiros dos sistemas (políticos, financeiros, sociais e culturais).
Não é despropositado exigir prudência e algum recato na análise dos cíclicos problemas europeus e das suas ‘soluções’ obtidas à pressão, nomeadamente, depois da ‘crise grega’ ainda em curso (as eleições deste fim-de-semana assim o provam).
Seria mais inteligente confinar a ‘situação grega’ a uma batalha perdida. Todavia, a Esquerda deve saber tirar lições do 'caso grego' e mostrar-se determinada no arregimentar ‘soldados’ e preparar-se para ganhar a guerra que, inevitavelmente, se avizinha.

A revisão de notação oriunda da Standard & Poor’s e fundamentalmente os comentários que lhe estão anexos, não passa de (mais) um contributo bélico (para essa guerra que paira no horizonte). Só que vindo do outro lado da barricada.
Quem embandeirar em arco com esta revisão de ‘rating’ está, de facto, a tentar escrever um ‘conto para criancinhas’…

A Espanha e a água portuguesa

A secretaria de Estado da Propaganda, com sede em Belém, aos costumes diz nada e, enquanto o Governo continua a campanha de intoxicação da opinião pública, todos descuram o gravíssimo problema da água que a Espanha gere sem respeito pelos interesses portugueses que ninguém defende.

Quem nos defende desta ameaça?

sexta-feira, setembro 18, 2015

Momento zen de quarta_16_09_2015-09-16

Julgava-se que o Papa Francisco tinha feito o milagre de afastar o beato João César das Neves (JCN) da exegese bíblica e das homilias contra o divórcio, a IVG e a sexualidade alheia à prossecução da espécie. No púlpito do DN passou a perorar sobre economia, disciplina que rege na madraça romana de Palma de Cima, defendendo aí este Governo com a mesma fé com que acredita em Fátima e nos dogmas da Igreja romana.

A acidez do silêncio pio doía-lhe mais do que o cilício e a abstinência do proselitismo já o consumia. É de crer errasse os mistérios do terço e tropeçasse nas orações para sentir mais necessidade de falar da sua Igreja do que a de defender Passos Coelho.

Na última homilia  ‘O sínodo e a balbúrdia’, JCN fala do Sínodo dos Bispos de Roma e do seu pavor pela influência do mundo profano nessa assembleia porque “muita gente de fora tenta influenciar uma doutrina que não segue, aceita ou sequer respeita, mas que não se coíbe de tentar mudar”. JCN pergunta “Como  deve um católico lidar com tal balbúrdia?”, e logo responde com a fé de um devoto e a doutrina do Concílio de Trento:

“Primeiro é importante [um católico] não se perturbar ou escandalizar”. “Depois é importante acompanhar o que vai acontecendo, mas de forma sólida e adequada”, prevenindo que “Muitas das posições, bem ou mal-intencionadas, pretendem mudar a Igreja para a adaptar ao mundo. Ora isso é precisamente o inverso do que deviam, pois o propósito fundamental da Igreja é mudar o mundo”. Entra em esquizofrenia mística com o temor de que “Até se podem conseguir discípulos, mas não para o Evangelho do crucificado. Quando ouvimos defender que a Igreja deve alterar aquilo que recebeu do Senhor, sabemos que não vem por bem.”

JCN, que, sem hóstias, entraria em delírio, sabe que “num dos dramas mais debatidos, o acesso à comunhão sacramental por parte dos divorciados recasados, estão em causa, por um lado a suprema dignidade da eucaristia e a indissolubilidade do matrimónio, elementos incontornáveis da doutrina …”. Noutro tema recorrente das suas pretéritas homilias diz que  “o tratamento eclesial da homossexualidade exige combinar o repúdio de «depravações graves..., actos... intrinsecamente desordenados... contrários à lei natural» (catecismo da Igreja Católica 2357) …", sem "sinal de discriminação injusta... pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental" (idem 2358-2359).”, queixando-se de que “O mundo não o entende. Como considera o casamento perfeitamente solúvel e a homossexualidade uma prática recomendável, a dificuldade nem se lhe coloca.”

O beato JCN diz o que devem fazer os seus correligionários na fé: “agora devemos rezar com fervor pelos trabalhos e esperar, na paz do Senhor, as determinações do encontro.”, antes de, no fim, fazer “o que nos toca: seguir o Pastor”.

Amém.

quinta-feira, setembro 17, 2015

Não acusem injustamente Cavaco Silva e Passos Coelho

Compreende-se a frustração, o desespero e a raiva de quem perdeu as poupanças de uma vida ou as economias da emigração sofrida, mas é injusto responsabilizar o ex-professor de economia, Cavaco Silva, e o aprendiz Passos Coelho por investimentos realizados no grupo GES/BES. Ambos são responsáveis por muitas desgraças mas não por esta.

Para lhes atribuírem a credibilidade que nem os mais indefetíveis deste Governo e desta maioria lhes atribuem, usaram a afirmação de Cavaco, em Seul, na Coreia do Sul, em 21 de julho de 2014, a garantir a solidez do BES, “dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa”, afirmação reiterada por Passos Coelho.

Não é defensável que alguém, salvo por sectarismo partidário, confiasse mais neles do que em Ricardo Salgado, anfitrião dos casais Cavaco Silva, Marcelo e Durão Barroso na preparação da primeira candidatura de Cavaco a PR. Ninguém confia mais nos músicos do que no regente de orquestra e, desta vez, nem a D. Patrícia Cavaco Silva confiou ou investiu no último aumento de capital do BES.

O que perdeu os investidores foi a confiança em Ricardo Salgado, banqueiro do regime, e nos reguladores, Banco de Portugal e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Terá sido, aliás, o elogio de Cavaco Silva ao governador do BP que dissuadiu eventualmente potenciais investidores, pondo-os de sobreaviso, e os salvou.

Os responsáveis do logro do último aumento do capital do BES foram Ricardo Salgado e os reguladores, além da discutível decisão política do Governo em relação ao GES/BES e, logo a seguir, o inédito aventureirismo da criação do Novo Banco que, segundo Passos Coelho, nem um cêntimo custaria aos contribuintes.

O ex-professor de economia e o aprendiz, sobretudo o último, podiam ter informações privilegiadas mas não tinham certamente reputação financeira capaz de induzir em erro quem arriscou as economias e arrostou com as contingências do mercado de capitais.

Desta vez não foram responsáveis. Não os acusem.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 16, 2015

Ateísmo, religiões e liberdade

O ateísmo, ao contrário das religiões, não cria pessoas boas ou más, enquanto as últimas moldam  o seu carácter e as levam a praticar atos da mais sublime bondade ou da mais degradante abjeção.

O Estado Islâmico assassina e tortura segundo a vontade de um ser imaginário, tal como outrora o fez o cristianismo das Cruzadas, da Evangelização e da Inquisição e, ainda hoje, o faz o sionismo judaico.

Há crentes e ateus entre os maiores criminosos da História recente. Dos primeiros, sem necessidade de recorrer ao fascismo islâmico, destacam-se Mussolini, Franco, Pinochet, Videla, Somoza e o padre Tiso, sendo Hitler designado por crente ou ateu, conforme as conveniências. Nos ateus sobressaem Estaline, Enver Hoxha, Ceauşescu, Mao, Pol Pot e Kim Il-sung. Estão bem uns para os outros.

O ateísmo dos democratas tem na Declaração Universal dos Direitos Humanos o padrão para definir a bondade do ateísmo e da crença de cada um. São correligionários os que a respeitam e adversários os que a renegam ou não a subscrevem. O mundo não se divide entre crentes e ateus mas entre quem partilha os valores civilizacionais herdados do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa e os que se lhe opõem.

Há ateus nazis, xenófobos, racistas e misóginos à semelhança do pior que nos legaram os monoteísmos.  Não deixa de ser ateia essa gente desumana tal como não deixaram de ser cristãos nazis e fascistas e os que se lhe opuseram na Resistência.

Há boas razões para se combaterem as religiões, sem as confundir com os crentes, a sua falsidade e a sua nocividade, mas usar nesse combate as mesmas armas dos combatentes do Estado Islâmico, por exemplo, é repudiar a civilização de que nos reclamamos.

terça-feira, setembro 15, 2015

Procissão da Sra da Pena-Vila Real


Quanto maior é a fé maiores são os andores e mais perigosos se tornam. 

Uma pessoa morreu e três ficaram feridas este domingo na sequência da queda de um andor (foto) na romaria da Senhora da Pena, em Mouçós, concelho de Vila Real.

O Governo e o Banco de Portugal

Esta coligação e este Governo somam à incompetência a cobardia. Garantiram primeiro que a solução inventada para o BES não custaria um cêntimo aos contribuintes e, depois de verificarem o buraco que criaram, impuseram ao governador do Banco de Portugal, o regulador que devia ser árbitro, o ónus da venda do Novo Banco.

O Governo, ao reconduzir o governador do BP, pela primeira vez sem aval da oposição, como era tradição, minou-lhe a independência e deixou que a suspeição o atingisse. Não bastando a demolidora suspeita que deixou sobre a independência de tão decisivo cargo, impôs-lhe o ónus do fracasso e, para se poupar ao juízo dos portugueses, é de crer que também lhe sida o Governo a impor o adiamento da venda depois das eleições.

Por sua vez, o PR, que transformou Belém em secretaria de Estado da Propaganda deste Governo e desta maioria, adiou a sessão solene de Abertura do ano judicial para depois das eleições, mais de um mês decorrido sobre o início oficial.

Não há falta de transparência nas decisões que poupam este Governo e esta maioria ao julgamento do dia 4 de outubro.  Há um despudor óbvio e a fragilização do respeito por instituições cuja independência deveria estar acima de qualquer suspeita.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Imagem de campanha eleitoral


Porque sou ateu

Sou ateu porque não há a mais leve suspeita nem o menor indício de que Deus exista ou tenha feito alguma vez prova de vida.

Sou ateu porque duvido das afirmações sem provas e das palavras criadas e decifradas pelos que vivem à custa de um ser imaginário e fanatizam crianças desde o nascimento; porque confio na igualdade dos géneros e repudio a herança misógina herdada das tribos patriarcais que criaram Deus como explicação por defeito de todas as dúvidas e medos que os habitavam; porque repudio a explicação contraditória de um ser inventado que, sendo omnipotente não consegue, sequer, parar o sangue derramado em seu nome.

Ser ateu é a opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus atos e forma de viver, de quem respeita a vida – a sua e a dos outros –, de quem cultiva a razão e confia na ciência para elaborar modelos de racionalidade, sem necessidade de recorrer a um ser hipotético ou à esperança de outra vida para além da morte.

Ser ateu é descrer de verdades únicas e transcendentes, de um deus violento e vingativo, de uma casta que vive à custa das mentiras que os constrangimentos sociais e os hábitos de séculos transformaram em verdades.

Ser ateu é repudiar os manuais terroristas que os funcionários de Deus lhe atribuem e substituir as superstições tribais da Idade do Bronze pela herança do Iluminismo; é preferir os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos a quaisquer versículos dos livros sagrados e repudiar os sacrifícios exigidos pela perversão do clero.

Ser ateu é confiar na ciência e na sua capacidade para compreender o que não se sabe e eliminar os medos que oprimem os simples e aterrorizam os crédulos. É entender que há uma vida, única e irrepetível, que vale a pena viver sem angústias inúteis pela esperança de outro mundo, criado na infância do conhecimento e no apogeu da violência.
Ser ateu é rejeitar o júbilo divino com o sofrimento humano e evitar que a alegada fúria de um ser imaginário se converta no ódio irracional que dilacera os que acreditam em mentiras diferentes a seu respeito.

Ser ateu é, finalmente, respeitar todos os crentes, descrentes e anti crentes, enjeitar o proselitismo e combater as superstições e as crenças detonadoras do ódio e das guerras.

domingo, setembro 13, 2015

Imolação ao Senhor Bom Jesus de Braga…

Passos Coelho disposto a criar subscrição pública para ajudar lesados do BES a ir a tribunal…link
Afirmação do cabecilha da coligação de Direita ‘PàF’, na campanha eleitoral, ontem, no mercado de Braga.

Bem, quem ouviu esta jactância ficou com a impressão de que a ‘solução’ do caso BES/GES foi obra do acaso. O Governo nada tem a ver com o assunto.  O Governo integra o ‘fundo de resolução’, fez um 'conselho de ministros fantasma’ para o activar e enjeita, agora, todas as responsabilidades. Perante os fracassos da regulação do sector financeiro o Governo refugia-se na capacidade desses reguladores arranjarem soluções regeneradoras como se o âmbito, a competência e as funcionalidades da regulação fosse fruto de ‘geração espontânea’ dos próprios reguladores. Isto é, colocou o País como um modelo acabado de ‘liberalismo selvagem’.

Uma outra vertente:
Sempre que o assunto BES vem à baila é certo e sabido que, de imediato, é trazido à colação o ‘escândalo BPN’ convenientemente expurgado das manigâncias da ‘clique cavaquista’ que, como é visível para os portugueses, organizou, planeou e levou a cabo esta gigantesca fraude financeira que muito dinheiro e sacrifícios tem custado aos portugueses.

Na verdade, Passos Coelho percorre o País mergulhado numa onda de confusão a que pretende chamar de ‘apelo à segurança’. Nestas deambulações eleitoralistas será difícil saber se estamos face a um primeiro-ministro, ao presidente do PSD ou de um vulgar cidadão.
Ontem, ‘apertado’ por cidadãos prejudicados pela solução preconizada para o caso BES/GES, refugiou-se, farisaicamente, na mais abjecta ‘desresponsabilização’. Passou de governante a ‘peticionário’. Contenta-se com a adopção de uma ‘atitude suplicante’ politicamente indigente e socialmente caritativa. Evoca a possibilidade de os indignados recorrerem aos Tribunais, prerrogativa que está, desde há muito, consagrada no Estado de Direito português.
No decurso do dia passou da defesa de uma ‘subscrição pública’ (1ª. reacção) para uma ‘participação individual’link, no domínio da cidadania, o que é bem revelador do seu tosco ‘camaleonismo’ político.

Em termos pessoais, merecia ser entronizado como excelso ‘irmão’ da pia Conferência de S. Vicente de Paulo a ver se rapidamente (…e inocentemente) alcança o ‘reino dos Céus’, já que a Terra está a fugir-lhe debaixo dos pés…

França - Cerimónia de condecoração


sábado, setembro 12, 2015

O que é a mentira?

Passos sobre BES:
«Não é dinheiro dos contribuintes»«nem um cêntimo»




A FRASE

«E, por favor – perdoe-se-me o atrevimento –, não venham com o exemplo idealizado da Sagrada Família de Nazaré, com um pai putativo, uma mãe virgem e um filho único».

(Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia, hoje, no DN, “Teólogos e recasados”)


O Governo e os trabalhadores

Não percebi ainda o que poderá ter levado este Governo, para além da sanha neoliberal, a deixar desprotegidos os trabalhadores. Só a triste postura do último secretário-geral da UGT, apostado decerto na liquidação da central sindical, preferindo a desonra à defesa do cada vez menor número de associados, me deixa mais perplexo.

Esqueçamos a cumplicidade do Sr. Carlos Silva com o patronato e pensemos apenas na desvairada ofensiva deste governo, desta maioria e do seu notário, em Belém, contra os direitos dos trabalhadores e na displicência com que os entregaram aos humores das entidades patronais e aos baldões da sorte.

Deixo o testemunho pessoal numa multinacional que pediu aos trabalhadores sugestões para melhorar as condições laborais. Fui eleito líder do grupo que estudou o plano de reformas já existente e deu contributos para a sua melhoria. A empresa assumiu todos os custos para consulta de técnicos de seguros, mediadores e seguradoras para a eventual transferência dos seguros de todos os trabalhadores. Facultou todos os vencimentos, desde o do diretor-geral aos dos funcionários mais modestos.

Para o que aqui interessa, sem quebra de sigilo a que valores éticos me podiam obrigar, o seguro permitia, aos 65 anos, 0,5% por cada ano de trabalho e tendo como referência o último ordenado (vencimento mensal X 14/12].

A Empresa tinha, no início de cada ano, um fundo correspondente a 1/12 do ordenado atualizado por cada ano de trabalho. Quando havia despedimentos a Empresa costumava pagar dois meses de remuneração por cada ano de trabalho ou fração. Na prática dava 1, o outro ficava para futuros descontos de outros trabalhadores.

Com a liberalização dos despedimentos e a caminho do fim dos contratos coletivos não têm as empresas de criar quaisquer fundos para despedir. Foi uma oferta deste Governo a todos os empregadores e a oferta às multinacionais de mais lucros a repatriar.

A agenda deste governo, desta maioria e deste PR foi profundamente nefasta para o País e para os trabalhadores.

sexta-feira, setembro 11, 2015

A Europa, a laicidade e os imigrantes

A Europa, sob pena de renegar os valores, cultura e civilização que a definem, não pode deixar de socorrer e tentar integrar as multidões que fogem de países falhados, Estados terroristas e regiões que o tribalismo e a demência dominam.

A Europa, tantas vezes responsável por agressões devastadoras, cujas consequências ora a confrontam, não pode renunciar ao dever de solidariedade para com os acossados, não por expiação de culpas mas por imperativo ético.

Nunca a metáfora da bicicleta, caindo quando para, foi tão certeira como aplicada à UE, que não soube ou não quis federar as nações que a compõem com o aprofundamento da política comum, nas suas vertentes económica, social, fiscal, militar e diplomática, para quem, como eu, acredita num projeto europeu.

Mal dos europeus se o medo os paralisa e preferem abandonar os náufragos a assumir o risco de salvar um terrorista, mas, pior ainda, se descuram o perigo que a exigência ética comporta, se não souberem distinguir os crentes, que precisam de ajuda, das religiões que exigem combate.

A Europa civilizada morre se renunciar à solidariedade que deve e suicida-se se não se defender da perversão totalitária de culturas exógenas que vivem hoje o medievalismo cristão e o pendor teocrático do seu próprio passado que o Iluminismo erradicou.

A civilização europeia será laica ou perece. Não pode ceder a poderes antidemocráticos, permitir a confiscação de espaços públicos por quaisquer religiões que incitem ao crime, em nome de Deus ou do Diabo.

O Islão, na sua deriva sectária, é puro fascismo a exigir contenção. Enquanto não aceitar a igualdade de género, o livre-pensamento e as liberdades individuais não pode ser tratado como as religiões cujo clero se submeteu ao respeito pelas regras democráticas e à aceitação do Estado laico.

A laicidade, paradigma da cultura europeia, é a vacina que salva o pluralismo religioso, preserva a sua civilização e evita a xenofobia que alimenta a direita antidemocrática que pulula nas águas turvas do medo e da demagogia.

Não se exige mais a quem chega do que a quem já estava, a submissão às leis do Estado laico e democrático.

quinta-feira, setembro 10, 2015

A nudez de Marcelo e a vacuidade de Joana Amaral Dias

- Marcelo foi à Festa do Avante onde já fora, segundo disse, pelo menos uma dezena de vezes. Ir à Festa do Avante é sinal de bom gosto e de cultura para qualquer cidadão e, no caso dos comunistas, acrescido do ato litúrgico de afirmação partidária.

A presença de Marcelo, cuja assiduidade anterior é tão duvidosa como a célebre ementa de Vichyssoise que lhe custou a liderança do PSD e a Portugal o governo que participou  na criminosa invasão do Iraque, revelou apenas oportunismo político do candidato a PR.

Marcelo, em questões de honestidade, anda nu. A intenção ficou mais nua ao ignorar o pedido, bem visível, “Amigo, não te esqueças de levar o tabuleiro, s.f.f.” no ‘self-service’ atrás do Palco 25 de Abril, onde jantou, como revelou no DN o militante comunista e jornalista Pedro Tadeu. Marcelo, depois do ‘show’, deixou o tabuleiro para um comunista levar. Sob o manto opaco da encenação a nudez forte da propaganda.

- Joana Amaral Dias despiu-se, com fins eleitoralistas, para a capa de uma revista cor-de-rosa, a exibir a atual gravidez. Nada acrescentou à luta pela igualdade de género, que devia ser uma conquista civilizacional adquirida. Não promoveu a discussão de ideias. Nada restará para além de uma foto de campanha onde a dimensão da barriga oculta a vacuidade do projeto político, mero ruído mediático que ofende os militantes honestos e politicamente bem preparados da irrelevante coligação de que é barriga de cartaz.

O monólogo da barriga é o ruído que as eleições legislativas dispensavam.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 09, 2015

O edil de Sernancelhe e a falta de ética republicana

A ditadura salazarista aboliu a lei do banimento que abrangia os descendentes dos reis de Portugal, incluindo os descendentes da adúltera mulher de D. João VI e do seu filho predileto, o traidor D. Miguel, que foi coagido a renunciar ao trono de Portugal, quando existia, depois de ter lançado o país num banho de sangue para restaurar o absolutismo.

Foi ainda o ditadura fascista que concedeu ao Sr. Duarte Nuno, um cidadão austríaco, a nacionalidade portuguesa, cidadão reconhecido pelos monárquicos legitimistas e pela Junta Central do Integralismo Lusitano, como Duque de Bragança e legítimo herdeiro da Coroa portuguesa, em 1920.

Ao filho, nascido na Suíça, foi inventado o nascimento na embaixada portuguesa como se ali houvesse algum parteiro. Chama-se Duarte Pio e usa o pseudónimo de  Príncipe Real de Portugal e Rei de Portugal e, à falta de título académico, usa o pendericalho de ‘D. = Dom’ nas sua deambulações pias pelo país sem trono.

O contubérnio entre Igreja católica e monarquia é antigo. Subsiste o paradigma religioso com os seus ícones designados por Cristo-Rei e a mãe por Rainha dos Céus, ambos do incerto reino celestial de uma religião privada que apenas cabe respeitar.

O que não se admite é que um presidente da Câmara delapide os dinheiros públicos e se permita enxovalhar o cargo a prestar vassalagem à família que cria duques, príncipes e princesas de um trono imaginário nos Paços do Concelho de Sernancelhe, na terra do ilustre e honrado carbonário Aquilino Ribeiro, um dos maiores escritores nacionais.

Carlos Silva Santiago é certamente um edil rudimentarmente conhecedor da História de Portugal e absolutamente néscio quanto ao conhecimento da Constituição da República Portuguesa, que determina a irrevogabilidade do regime republicano e da separação da Igreja e do Estado, mas terá de responder pela utilização abusiva do salão nobre do município e pelo aviltamento do cargo.

Num governo perto de si

Acompanhante de luxo de Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho

terça-feira, setembro 08, 2015

A FRASE

«Abater os terroristas é uma obrigação moral igual à de receber os refugiados»

(Ferreira Fernandes, hoje, DN, sobre o abate pela RAF de dois cidadãos britânicos, combatentes do Estado Islâmico, com cadastro terrorista no Reino Unido)

segunda-feira, setembro 07, 2015

Prémio Champalimaud da Visão e Cavaco Silva

O prémio vai ser entregue esta tarde na presença de Cavaco Silva o homem mais sério de Portugal, que exige que nasça duas vezes alguém que possa ser mais sério do que ele, apesar do nebuloso negócio de ações da SLN/BPN, da brumosa permuta de vivendas e da insólita intriga das escutas nascida na sua Casa Civil de conluio com uma referência   ética do jornalismo e da política, José Manuel Fernandes.

O catedrático de Literatura pela Universidade de Goa é um homem singular. A presença na entrega do prémio sobre a visão, e não sobre a cegueira, afigura-se tão insólita como a aceitação da cátedra de Literatura, bem diversa da presidência da Comissão de Honra da Canonização de Nuno Álvares Pereira, desonra que a  Igreja católica impôs ao herói de Aljubarrota com um milagre pífio a interromper-lhe a defunção.

O anúncio da sua presença num prémio sobre a visão, trouxe-me à memória o notável romance de Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, surpreendendo-me que a mulher do médico não o tenha referido, que Saramago, que o conhecia bem porque o seu Governo lhe censurara O Evangelho  Segundo Jesus Cristo, não o tenha eternizado como marido de Maria ou chefe do Censor, à semelhança do que ali fez com as outras personagens a quem substituiu os nomes pelas características e particularidades.

Perante a benevolência dos portugueses para com Cavaco Silva, no seu pungente ocaso, torturam-me as palavras de Saramago no seu inconfundível estilo onde o discurso direto se mistura com o indireto:

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”. (In Ensaio Sobre A Cegueira)

domingo, setembro 06, 2015

Donald Trump (DT)

DT não é apenas o mais popular dos candidatos republicanos à presidência dos EUA, é o que melhor interpreta a América profunda, orgulhosa da sua resistência às vacinas, à segurança social e à obrigatoriedade escolar.

DT conhece a alma dos seus eleitores, que abominam os transtornos que a emancipação feminina trouxe à tranquilidade do lar, os perigos da ciência para a salvação da alma e o desastre da proibição das armas para a segurança pessoal.

DDT, digo, DT sabe que o criacionismo é a verdade revelada, que o Sol gira à volta da Terra, que a cultura é inimiga da paz social e da harmonia universal. A exótica teoria da evolução das espécies contraria a verdade revelada num país que acredita em Deus e nas notas de 1 dólar.

DT reúne em si a cultura e sentido de Estado de Cavaco Silva, a competência de Passos Coelho e a sofisticação urbana de Alberto João Jardim e é, nos EUA, o intérprete do paradigma lusitano.

Lá, como cá, os valores de Deus, Pátria e Família voltaram a estar  em alta no mercado da opinião pública.

O PR e a cerimónia solene da abertura do ano judicial

A abertura solene do ano judicial é quando convier à direita. 

sábado, setembro 05, 2015

A Covilhã e os seus esbirros – Crónica

O tenente Gaspar andou arredio do Café Montalto depois de lhe aparecer o capitão Borda d’Água com quem servira, como sargento, no Estado português da Índia. O capitão, humilhado e perseguido, revoltara-se contra a suspensão que lhe coubera por ter sido apanhado na primeira parcela do império a desmoronar-se. O general Vassalo e Silva, demitido, assumiu com honra a rendição e a desobediência às ordens de um louco que exigia a imolação – Salazar; o brigadeiro Leitão, igualmente demitido, lamuriava-se que o general fora culpado; o capitão Borda d’Água ressentiu-se da suspensão e, enquanto cumpria a pena, juntou-se à oposição. Fazia gala em ser visto com o Dr. Raposo de Moura que era a referência. Foi nessa altura que o tenente Gaspar, ou rapaz Gaspar, como era tratado na ausência, se perfilou e lhe fez a continência, à entrada do Café. Ao responder ao cumprimento perguntou-lhe como é que um tipo tão burro tinha chegado a tenente, assim mesmo, por estas palavras, ditas à frente dos da oposição. Varreu-se-lhe o sorriso e sumiu-se o tenente por uns tempos.

Arredado do Café não deixou de confiar ao Trinta e Cinco e ao Vinte e Três – dois agentes da PSP que espiavam à paisana – a vigilância e a intimidação dos que ele próprio tinha por desrespeitadores da ordem e o padre Morgadinho por não tementes a Deus. E havia, claro, quem os afligisse com os dois defeitos acumulados. O desamor ao sr. Presidente do Conselho era o sintoma mais evidente do desrespeito, no que se referia à ordem, e, em relação a Deus e à sua Igreja, o diagnóstico era facilitado pela escassa piedade e o absentismo aos sacramentos. O crime e o pecado, a desfaçatez e a heresia moravam juntos, tão apegados como o polícia e o eclesiástico na luta pela dissuasão. Também não faltariam ao tenente informações da PIDE e dos seus esbirros mas destes não constava a identidade. Ele e o padre eram os dois pilares da ordem, serviçais úteis, desprezados pelos próceres da ditadura mas temidos pela generalidade dos cidadãos.

O Trinta e Cinco carpiu-se um dia, o senhor professor sabe, nós somos pais, eu não sabia, há de compreender, não compreendia, notava-lhe apenas o acanhamento e a insegurança, a minha filha não é grande aluna, dava-me jeito que passasse, podia ajudar-me, é amigo dos professores, ela a desenho passa, a francês não, se o de matemática e o de português lhe dessem nota, a de ciências disse que também, era um grande favor, e ali continuava a ganir e eu a dizer-lhe que ia ver, para me livrar, ele a dizer-me o nome e o número, o ano e a turma, não se esqueça, faz favor de desculpar, fico-lhe muito agradecido, boa noite senhor professor. Até amanhã – disse-lhe eu.

No dia seguinte, por um acaso que não saberia explicar, falei ao Alberto Martins que consultou a caderneta, falhou a equação, acertou a raiz quadrada, decidiu passá-la. Animado, perguntei ao Martinho como é que a miúda ia a Português, não ia bem, podia dar-lhe nota, mas isso é chantagem, não é, é um pobre diabo na condição de pai, a criança não tem culpa de ser filha, vou passá-la. Assegurei-me de que era irrevogável a decisão e, nessa noite, aliviei-o, a filha ia passar, agradeceu o pai, estava envergonhado o polícia, via-se que não acreditou, muito obrigado, mas isso é mesmo verdade, perguntou, já lhe disse que sim, resmunguei, até amanhã.

Quando saíram as notas e a miúda passou, o polícia, deixado sozinho pelo colega, disse-me com lágrimas de pai: “Os senhores são nossos inimigos mas têm melhor coração do que os nossos.” Presumo que se referiu aos amigos.

E lá passou a miúda que anos mais tarde seria conhecida como uma das filhas do Trinta e Dois, assim designadas logo que deixaram desfrutar as primícias que na gíria se conhecem pelo número que maldosamente era subtraído ao que na polícia coubera ao pai ou, apenas, por quem não gostava dele ou delas.

A partir daí, passou a informar-me o Trinta e Cinco de quem era o polícia destacado para a entrada da quinta do João Heleno, ecónomo do sanatório, onde às segundas-feiras, na época própria, nos reuníamos à volta das sardinhas vindas diretamente da Figueira da Foz. Trazia-as o Jerónimo dos Santos, correspondente do Jornal do Fundão, agente de seguros, homem bom e generoso, conhecido por Lança-chamas, pelo ar afogueado, voz tonitruante e corpo substancial. Comecei a anunciar previamente o polícia de turno que iria fazer o inventário dos comensais até que o João Heleno, intrigado, me intimou a dizer como sabia. Lá lhe desvendei o segredo, perante todos. Não se conteve e contou que também ele sabia pelo Vinte e Três, a quem colocara uma cunhada no sanatório, como criada, e que retribuía a esmola de igual modo. Rejubilaram todos e o Ribeiro dos Tabacos pôs o sorriso bom que exornava o velho espírita que sob a lapela do amplo casaco trazia uma efígie de Salazar, espírito das trevas que – segundo alegava – fora enviado para castigar Portugal por ter consentido a inquisição e a monarquia, espírito que seria libertado e de quem nos libertaríamos. Andaria ali à espera da libertação. A do carrasco demorou, a nossa ainda mais.

Neste grupo falava-se com frequência do Rolim, da Guarda, informador da PIDE, sinistramente famoso. Com medo e em surdina. Não é que esse Rolim se havia de envolver num processo de emigração clandestina e recorrer aos serviços do Dr. Raposo de Moura, na Covilhã? Apresentou-se-lhe como o Rolim, da Guarda, e o advogado disse-lhe que, com esse nome e da Guarda, só conhecia um filho da puta que era da PIDE, que ele logo confirmou ser o próprio, deixando o advogado sem palavras nem margem para recusar a causa. Acabaria a receber os honorários em informações.

Nessa altura, corria o ano de 1962, extinguia-se nas escolas primárias o som da cantoria que desde 1954 precedia a saída das aulas:

a... a... a... – Heróis de Dadrá;  e...e...e… – Lutai pela fé;  i... i... i…  – Nagar Aveli;  o... o...o… – Goa não está só;  u... u... u... – Abaixo o Nerú.

As cordas do nacionalismo começavam a perder elasticidade. Dos noticiários da Emissora Nacional iria desaparecer a voz soturna que declamava:

Os sinos da velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses, (ouvia-se o som de disparos de canhão, seguidos de música)... para logo se cantar “Goa é nossa, Goa é nossa e Damão de o ser se preza...”.  

  Era já com algum desespero que, com a guerra colonial em curso, antes das notícias censuradas, a voz de um tal Ferreira da Costa caía na sopa dos portugueses com “Aqui Luanda...” que a maioria se habituou a entender como “aquilo anda...”. A seguir anunciava-se que “ Rádio Moscovo não fala verdade” e começaram a referir-se os nomes dos “mortos ao serviço da Pátria”. A angústia vivia-se em silêncio enquanto eram difundidas as notícias que não atentavam contra a ordem, a moral e os bons costumes.

As orações entraram em alta num país já com elevados índices de consumo. Por todo o lado se rezava pelos soldados que defendiam a civilização cristã e ocidental e se execravam os infames, vis e cavilosos atos perpetrados pelos inimigos da Pátria a soldo de Moscovo. Os adjetivos ficaram na memória pela ordem que os refiro mas, tal como as rezas, foram perdendo eficácia. As orações pelos governantes foram de consequência duvidosa,  assegurando-lhes longa vida, é certo, mas sem os iluminar no entendimento, como era intenção.

A Covilhã era uma cidade que se destacava na luta contra o fascismo, uma das poucas com marcadas tradições democráticas no interior do País. Dos operários não era de estranhar o comportamento mas, até em industriais, era frequente encontrar quem não considerasse a ditadura uma bênção, tal como entre professores, elementos das profissões liberais e outros. Era notório que o regime gozava ali de pouca estima e os serventuários de sólido desprezo e, por consequência, eram os oposicionistas credores de um enorme afeto prodigalizado por pessoas das mais diversas condições.

In Pedras Soltas – Ed. 2006 (Esgotado)

sexta-feira, setembro 04, 2015

A abertura solene do ano judicial e o PR

A abertura solene é quando um presidente quiser. A lei marcou o dia 1 de setembro mas a cerimónia não tem data obrigatória. A proteção a esta maioria e a este Governo levou o seu colaborador a protelar a data para depois das eleições, na tentativa conseguida de evitar que o presidente do STJ e a bastonária da Ordem dos Advogados denunciassem o caos a que este Governo conduziu a administração da Justiça.

O chefe de gabinete do presidente do STJ, perante tão insólita decisão, ainda pretendeu proteger o PR, tendo declarado à Lusa que «a cerimónia de abertura do ano judicial, que estaria prevista para dia 16, tinha sido adiada para “data a designar” por motivos de agenda do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva».

Este, com a cultura democrática do anterior regime, indiferente à dignidade que o cargo exige, veio desmentir a piedosa desculpa do STJ, afirmando: “Cabendo ao Presidente da República marcar a data da abertura solene e perante a proximidade da campanha para as eleições da Assembleia da República, foi considerado conveniente marcar a cerimónia para uma data imediatamente subsequente à realização do ato eleitoral. Essa data será anunciada em breve”.

O respeito que a que a Constituição me obriga e o que sinto pelo atual titular do cargo produzem em mim um insanável conflito e uma atroz contensão.

A profilaxia inútil não evita a terapêutica


quinta-feira, setembro 03, 2015

Portugal e o futuro dos portugueses

Por mais campanhas de intoxicação que esta direita fomente, por mais ruído que os seus sicários introduzam na próxima campanha eleitoral, não poderá disfarçar o fracasso de um governo incompetente que vendeu todos os anéis e ainda nos quer arrancar os dedos.

A herança que deixa é bem pior do que a herdada e a subserviência foi a forma de lidar com os países mais poderosos da União Europeia.

O governo que juntou alguns académicos ilustres, politicamente néscios, com políticos formados nas madraças juvenis, rudimentarmente ilustrados e intrinsecamente apátridas, teve como desígnio a vingança contra o 25 de Abril e a aversão contra a democracia que permitiu o poder aos que, antes, assaltaram o PSD e sabiam poder contar com o conluio do CDS.

A eliminação dos feriados, 5 de Outubro e 1 de Dezembro, foi um sinal da luta contra os trabalhadores e a marca de quem ignorou a História e quis apagar a identidade coletiva.

Há no julgamento que os portugueses irão fazer em 4 de outubro, do Governo e do seu PR, alguns factos que carecem de resposta:

- A forma suspeita como enganaram os portugueses que acorreram ao último aumento de capital do BES e se a sua falência já fazia parte da agenda ideológica, com desprezo pela perda de postos de trabalho e da riqueza que se esvaiu na derrocada GES/BES;

- A recondução apressada do Governador do Banco de Portugal, pela primeira vez sem o aval do maior partido da oposição, indiferente ao rombo na imagem de independência que é apanágio e imprescindível a tão elevado decisor;

- Como foi possível, numa conjuntura irrepetível de juros tão baixos e de combustíveis a preços impensáveis, não controlar o défice, aumentar a dívida em 50.000 milhões de €€, vendendo as empresas rentáveis, demolindo o SNS e arruinando a Segurança Social.

Pior era impossível.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 02, 2015

As Frases

- “É fundamental explicar a história e o significado dos templos de Palmira. Quem quer que tenha visto Palmira guarda para sempre a recordação de uma cidade  que carrega a dignidade de todo o povo sírio e encarna as mais altas aspirações da humanidade”

(Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, sobre a destruição de Palmira pelo Estado Islâmico)


- “Aquilo que digo é aquilo que sempre disse – e que tive oportunidade de dizer na comissão de inquérito ao BES: que os contribuintes não serão chamados a cobrir qualquer prejuízo com este processo”.

(Mentira de Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, sobre a venda do Novo Banco)

Vão maus os tempos

Nem o relevante silêncio de Cavaco Silva ajuda à despoluição do ambiente infecto que se respira. Não faltam vuvuzelas a este governo, os saprófitas do poder, os avençados e os vírus que infetam as redes sociais ao serviço desta maioria e do PR que a democracia consentiu.

O pior governo democrático das últimas quatro décadas foi inepto a defender o interesse do Estado mas eficiente a destruir tudo o que podia numa agenda inquietante que o pior PR ungiu.

O que resta é uma herança trágica para cuja gestão não há recursos nem força anímica do povo que assistiu sem efetiva revolta, sem um grito, sem um sobressalto cívico.

Tolhido pelo medo, à mercê de quem dispõe das alavancas do poder que transferiu para privados, somos o povo que regressou à depressão cíclica que é seu apanágio histórico.

terça-feira, setembro 01, 2015

Dois pesos...

Por que motivo os factos relativos ao PM em funções são sistematicamente ‘esquecidos’ e os relativos a um ex-PM permanentemente lembrados ou presumidos?