Efeitos de falsos ‘afectos’…


A Coligação de Direita descobre - em plena campanha eleityoral - que há, na política, lugar para ‘afectos’ link.

Raramente se consegue chocar de frente com tamanha hipocrisia. 

Depois de ter classificado os portugueses como uns vagabundos perdulários ambiciosos por viver acima das suas possibilidades; depois de lhe ter aplicado uma receita implacável de empobrecimento; depois de os ter fustigado com conselhos de que deviam abandonar a ‘zona de conforto’ e procurar refúgio no exterior; depois de ter extorquido dos parcos rendimentos familiares uma fatia importante dos proventos sob um ‘enorme’ aumento de impostos; depois de ter provocado à volta de uma ‘cura de austeridade’ o encerramento de dezenas milhares de empresas; depois de ter lançado centenas de milhares de cidadãos no desemprego; depois da gabarolice sobre a recuperação da economia confundindo-a com o banquete que proporcionou ao sistema financeiro; depois, só depois, chega um hipócrita rebate de consciência.

E, para espanto geral, surgem a alimentar a pretensão de olhar para os eleitores com ‘afecto’. Querem confundir sentimentos, sensibilidades com o permanente escárnio, o que não sendo novo na prática política da Direita, sempre nebulosa e pejada de malabarismos semânticos, é reconhecido pela total insensibilidade em relação às pessoas. Não há afeição sem sentimentos.
Quem não os conhece que os compre!

Alguns portugueses devem lembrar-se de histórias da infância que recorriam às fábulas que nos foram legadas por Esopo.
O conto que a coligação “p’rá Frente” nos endereça sobre ‘afectividades’ é, na realidade, uma variante das velhas histórias gregas sobre a hipocrisia (a Grécia é um imenso repositório de lições de vida!).
Existe uma fábula nesse repositório helénico onde contracenam um gafanhoto e uma aranha que estariam a congeminar ‘lixar’ o camaleão predador. Como nos chega deste relato o gafanhoto ao aproximar-se da aranha, para planear o fim do camaleão, acaba por enredar-se na teia e, deste modo, tornar-se no almoço do aracnídeo.

Na verdade, estamos a ser convocados para entrar nesta hipócrita cena de terror. Como incautos figurantes… que não vão receber qualquer cachet. Antes pelo contráriuo!

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