Surpresas, perplexidades e desconfianças

O PSD, nascido após o 25 do Abril, já era recordista destacado quando avançou para o 37.º congresso, deixando a pairar a pressa de outro, para o devolver ao extremismo que Passos Coelho protagonizou.

Há que ser sério e não desejar na oposição os piores pois, sendo melhor para a esquerda, é pior para o País. Rui Rio, de quem sou adversário, é o cidadão honesto, onde não paira a sombra da Tecnoforma, ligações ao BPN, que o País procura esquecer, ou a nódoa da corrupção de autarcas do PSD do Norte, onde pontificam Marco António e Luís Filipe Meneses, com crimes denunciados pela Visão e ignorados pela PGR.

Comparar Rui Rio a Passos Coelho é uma afronta igual a comparar Marcelo a Cavaco. Há um abismo ético, intelectual e cultural a separá-los. Esquecer isso é perder o sentido da justiça e o espírito crítico.

A grande surpresa deste congresso foi o triunfal adeus a Passos Coelho a contrastar com a pálida receção a Rui Rio. Aliás, o congresso abriu de forma insólita, com um discurso do líder caído, em apoteose, a dar lugar à descolorida aceitação do vencedor. Não foi o congresso para consagrar um novo líder, foi um conclave para glorificar o que saiu e desafiar o que chegou, com avisos, conselhos e anúncios de disputa da liderança.

Os que no passado acusavam o PS de falta de sentido de Estado por anunciar o chumbo do seu OE, por ainda não ser conhecido, impõem já a Rio igual atitude para o OE-2019.

Quando a lista do Conselho Nacional proposta por Rui Rio, e por Santana Lopes, obteve 34 dos 70 mandatos, ficaram à vista os medos escondidos do partido que Relvas, Marco António e Passos Coelho continuam a dominar. Pior só o facto de a comissão política nacional (CPN), o único órgão da confiança do novo líder, só ter sido eleita por 64,7% dos congressistas, com 35,3% de votos brancos e nulos.

E quando se julgava que a PGR investigaria, finalmente, as câmaras denunciadas pela revista Visão, e que Marco António, agora derrotado, fosse um dos investigados, o MP, no dia seguinte à eleição, anunciou uma investigação… à vice-presidente de Rui Rio, a ex-bastonária da OA, Elina Fraga.

Claro que não acredito em bruxas.

E Passos Coelho, uma vez mais, não teve uma saída limpa.

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