Brasil – um ministro de Bolsonaro à solta, em Lisboa

Quando um analfabeto funcional, misógino, boçal e racista passou de chefe de jagunços, que fizeram dele líder de um país, previa-se que o juiz mais elogiado pela comunicação social, dadas as coincidências, fosse um deles.

O apoiante do mais estúpido e primário dos líderes de grandes países acabou a exibir a sua condição política, para quem o alegado combate à corrupção era mero instrumento de luta contra adversários. O agora ministro já provou que a política era a sua aspiração, ao serviço de interesses que a sua conduta venal serviu e continuará a servir.

Quando escutou a PR, Dilma Roussef, em atropelo à legalidade, o silêncio e o medo dos políticos, com a cumplicidade do sistema judicial, impediram que a deriva persecutória do político togado fosse travada e impedisse a alteração do curso democrático, com as delações cirúrgicas à comunicação social, ao sabor dos interesses da candidatura que o aliciara. Quem diria que o celebrado perseguidor de corruptos era um deles e uma peça importante do golpe de Estado que depôs a PR Dilma!?

O homem não se limitou a aplicar um sistema exótico de justiça, contornou-o ao sabor dos interesses de Bolsonaro, perverteu-o contra a Constituição e a democracia e acabou a receber os trinta dinheiros da delação premiada, paga pelo chefe dos jagunços, com a pasta da Justiça, mas com rédea curta para que a coluna vertebral se mantenha vergada.
Que um indivíduo desses tenha sido convidado para perorar inanidades na universidade de Lisboa, foi uma leviandade de quem o convidou, confundindo um político venal com um académico. Não foi um jurista que veio a Lisboa, foi um ministro de Bolsonaro.

Que teça considerações ofensivas sobre o sistema judiciário português, é temeridade de um inimputável que ofende o País que o recebeu, mas que fale sobre um processo em curso, que desconhece, e considere criminoso um arguido que ainda não foi condenado, nem sequer acusado, não é postura de um juiz, é a de um rufia que apoiou a candidatura de Bolsonaro e é hoje um dos seus escroques.

Quem não tem pudor dispensa o período de nojo para receber o prémio da delação, mas podia manter-se no país de origem sem vir envergonhar a universidade de Lisboa que o convidou e um Estado de direito onde a jurisprudência se faz sem marginais.

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