A opinião de Alfredo Barroso

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David Dinis, actual director-adjunto do Expresso, é o jornalista de direita mais reaccionário que eu conheço...

 

A DIREITA DEITARÁ MÃO A TUDO O QUE SIRVA PARA DESACREDITAR O GOVERNO E FAZER ESQUECER AS VITÓRIAS ELEITORAIS DO PS

- texto de Alfredo Barroso

A obsessão da direita é o controlo do aparelho de Estado, que ela considera quase como um direito natural adquirido à nascença, desde o berço. Claro que também há uma direita democrática, que não pensa assim, que aceita a legitimidade conferida pelo voto e, portanto, a alternância no poder que é própria de um regime democrático autêntico. Mas a direita genuinamente democrática é, em geral, minoritária e é submergida pela direita mais reaccionária, e mesmo pela extrema-direita, quando prevalecem ao de cima os interesses egoístas, e tantas vezes ilegítimos, da plutocracia, que se considera a si própria como classe dominante e reclama, com urgência, o regresso ao poder e o controlo do aparelho de Estado, seja por via eleitoral, seja pelo velho recurso ao golpe de Estado, seja por campanhas de descrédito permanente das esquerdas e dos seus Governos, independentemente da sua legitimidade fundada nos resultados eleitorais.

O recurso ao golpe de Estado (militar) como última ‘ratio’ foi o que sucedeu, na primeira metade do século passado, em reacção contra as vitórias eleitorais de partidos da esquerda, isoladamente ou em aliança numa ‘frente popular’. O que em Espanha esteve na origem da Guerra Civil (1936-1939) desencadeada por uma facção do Exército comandada pelo general Franco, com o apoio decisivo de Hitler e de Mussolini, sem o qual o fascismo não teria saído vitorioso. Mas também em França, onde a vingança contra a vitória da ‘Frente Popular’, nas eleições de 1936, seria protagonizada pela plutocracia e pela direita mais reacionária ao seu serviço, poucos anos mais tarde, com a humilhante rendição a Hitler e à Alemanha nazi, em Julho de 1940, protagonizada pelo marechal Pétain, que levou à criação do chamado “regime de Vichy” (Julho de 1940 – Agosto de 1944), regime fantoche, ‘colaboracionista’ e criminoso, para vergonha da direita 'nacionalista' que o apoiou.

Nos tempos que correm, o recurso ao ‘golpe de Estado’ ainda não voltou a estar na moda, porque as condições ainda não são propícias. Por isso, a plutocracia e os partidos de direita tentam contrariar as vitórias eleitorais da esquerda com campanhas de descrédito permanente levadas a cabo por órgãos de comunicação social quase todos propriedade de plutocratas, e por um exército de jornalistas mercenários ao seu serviço.

Esta última via é a que está hoje a ser seguida em Portugal, graças ao controlo dos órgãos de comunicação social pela plutocracia, levada a cabo por jornalistas mercenários ao seu serviço, que dispõem de um poder imenso dado que não estão submetidos a qualquer escrutínio democrático e por isso desprezam, sem o menor escrúpulo, os resultados obtidos pelas esquerdas.

O exemplo mais flagrante que posso apresentar, entre tantos outros, é o de um texto publicado na página 11 do Expresso de 23 de Outubro de 2021, que é assinado por um dos jornalistas mais reaccionários que conheço. Chama-se David Dinis, já foi director do jornal ‘online’ de extrema-direita Observador, foi também director do jornal Público, hoje claramente situado à direita, e agora é director-adjunto do Expresso, onde aguarda tranquilamente a sua hora para ascender ao cargo de director do semanário. É um texto em que ele elabora cenários, mas o essencial está escrito no título – «Passos de uma crise que leva ao pântano» (uma ‘piscadela de olho’ à triste figura que fez António Guterres em 2001) – e no subtítulo, chamemos-lhe assim - «Seja o OE chumbado ou não, a incerteza veio para ficar».

Eis todo um programa para uma forte campanha de descrédito, que despreza completamente os resultados eleitorais bem claros, que não só deram vitórias ao PS como maiorias à esquerda, tanto nas eleições legislativas de 2019 como nas eleições autárquicas de 2021. Mas aqui, a direita mais reacionária também está a jogar com as fragilidades eleitorais e conjunturais dos partidos à esquerda do PS – o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português – que não terão obtido os resultados que desejavam e parecem dispostos a derrubar mais um Governo do PS, pela quarta vez na história da democracia consagrada na Constituição de 1976. E a verdadeira questão está em saber – como muito bem salientou Carlos César, presidente do PS – se o BE e o PCP-PEV «se sentem melhor a fazer oposição a um Governo de direita do que a fazer acordos com um Governo de esquerda». Além disso, o que seria um Governo da direita ou das direitas, no lamentável estado em que elas hoje se encontram?!

A ver vamos, como dizia o cego…

Campo d’Ourique, 24 de Outubro de 2021

Comentários

Jaime Santos disse…
Por acaso, gostei do artigo de David Dinis, até porque ele ressalva que essa incerteza poderá manter-se mesmo em caso de eleições e de um vitória da Direita, já que muito dificilmente o PSD terá uma maioria absoluta. E também gostei da sua intervenção no jornal da SIC de ontem. Barroso vê aqui o mal onde ele não existe.

Bem entendido, os órgãos de comunicação social, incluindo a RTP, têm uma costela de Direita, como se vê pelas pessoas que convidam para os painéis (o PCP tipicamente não entra, mas o BE até está por vezes mais presente que o PS, porque gosta de malhar neste último).

O problema é a polarização dos extremos, seja à Esquerda seja à Direita. BE e PCP-PEV (e logo veremos se o PCP-PEV ainda deixa passar o orçamento) optarão por uma radicalização se o OE for chumbado, longe do pragmatismo de 2016, porque se cansaram de esperar que o PS virasse à Esquerda.

O que não deixa de ser irônico (e trágico) é que o presente orçamento é mais à Esquerda do que anteriores que foram viabilizados pela presente maioria na AR, como bem notou Duarte Cordeiro, e o BE e o PCP-PEV arriscam-se a que tudo fique na mesma, ou pior, num cenário de chumbo e de vitória da Direita...

O povo, que diz que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, não deixará de fazer refletir essa opinião nas urnas, por mais que a malta se queixe que lembrar isso passa por chantagem...

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