Voando sobre um nino de cucos – 2

À semelhança do presidente do PS, também não ando a par da produção literária de Cavaco Silva que, ao atingir níveis incontroláveis de ácido clorídrico, sente necessidade de bolçar o azedume.

Há dias, sem ser quinta-feira, emergiu da defunção em que o julgávamos, para enaltecer as oportunidades que o Governo de Passos Coelho deixou aos seguintes, sem que estes as soubessem aproveitar. É de saudar que a idade, as dificuldades com a gramática e a dedicação aos netos e à prótese conjugal não o impedissem de manifestar a sua opinião.

Podia acontecer, como sucedeu durante 10 anos, que os portugueses se esquecessem do mal que fez ao País como PM, e lhe permitiram a vitória tangencial a PR, urdida com os casais Marcelo e Durão Barroso na vivenda de Ricardo Salgado. Tudo boa gente!

Já nos esquecêramos da forma como prolongou o Governo Passos Coelho / Portas, da tentativa antidemocrática de não respeitar a AR para o manter e dos uivos que quis fazer ouvir em Bruxelas contra o Governo que se esforçou a comparar com o da Coreia do Norte, antes de lhe dar posse e de vir a ser agraciado com o Grande Colar da Ordem da Liberdade com que o sucessor cinicamente o embrulhou na despedida.

Cavaco continua aquela referência ética, cultural e civilizada que nunca se engana, que descobriu no ora catedrático Passos Coelho um excelente governante e em António Costa um péssimo.

O catedrático de Literatura pela Universidade de Goa nunca se engana, nem na compra de ações da SLN/BPN, nem na aquisição da modesta casa da Praia da Coelha, nem na coleção de pingues pensões, embora se tenha esquecido com frequência do notário onde registava imóveis, da forma de pagamento das ações e das mais valias da permuta da vivenda Mariani [Mari(a) + Aní(bal)] com o terreno onde estava uma casa com piscina, a Gaivota Azul, certamente sem que o feliz contemplado soubesse da construção.

À boleia do seu sucessor, cuja inteligência, cultura e simpatia não o fazem um homem melhor, Cavaco Silva veio preparar a substituição de Rui Rio por Paulo Rangel, o que prova que os cristãos, um e outro, esquecem a Bíblia quando procuram um caceteiro que lhes parece o mais capaz para substituírem o social-democrata António Costa.

O Expresso foi o jornal onde lhe corrigiram a prosa e deixaram intacto o veneno, aliás, em sintonia com o atual inquilino de Belém que tratarei em próxima crónica.

Por ora, o criador da ‘social-democracia moderna’ vai regressar ao regaço da D. Maria a recordar o sorriso das vacas açorianas, o barulho das cagarras das Selvagens e o medo do regresso na lancha da Marinha, sem que ninguém lhe lembre o incidente das escutas com que quis desestabilizar as instituições democráticas.

O empedernido salazarista tem direito à quietude. Para desassossego basta o sucessor.  


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