Haja vergonha nas insinuações iníquas

Não me assustam vitórias da esquerda ou da direita, embora não me sejam indiferentes, mas arrepia-me pensar que a extrema-direita, perdida a vergonha e a memória, já possa ter foros de normalidade. Assusta-me, sim, a possibilidade do partido único, o regresso ao tempo dos bufos e rebufos que andavam à solta a vigiar as pessoas e a controlar-lhes o pensamento.

Compreendo a luta eleitoral e o medo da única maioria absoluta possível, que lançaria na irrelevância o comentador de todos os assuntos, em qualquer lugar, todos os dias, e cuja estabilidade prejudicaria algumas ambições, mas acusar o PS de vocação ditatorial, é uma ofensa que não merece e uma atoarda que desacredita quem a lança.

Há hoje um partido fascista perigoso que devia unir todos os democratas contra ele, não um partido social-democrata, que conseguiu reduzir a importância dos neoliberais que o integram, e que é apontado como o inimigo universal da campanha eleitoral em curso.

Quem leu os jornais de hoje, pensará que há em António Costa um ditador em potência, um perigo para a democracia, um político capaz de impedir o regular funcionamento das instituições e de desprezar a CRP cuja defesa lhe devemos, quando levianamente outros o desprezaram.

Votemos, cada um de nós, no partido em que mais confiamos, sem nunca perder o senso crítico e um módico de racionalidade no combate pelo modelo de sociedade desejado.

Os esbirros da ditadura fascista são cadáveres, mas há candidatos para os lugares que os capitães de Abril extinguiram.

Daqui a pouco, vai haver um debate entre António Costa e Rui Rio e, contrariamente ao que se lê, não está em causa a decisão eleitoral. Não é o combate do século, nem o duelo entre a liberdade e a censura ou a democracia e a ditadura, apenas o debate democrático entre os líderes dos dois maiores partidos portugueses.

Irei assistir com interesse, sem angústia, sem alterar a intenção de voto e, especialmente, sem medo de que qualquer deles seja um ditador em potência, capaz de recriar facínoras para espiarem e perseguirem, como outrora, quem não era devoto da ditadura.

Mais do que a vitória de qualquer partido, interessa-me saber quem estará em melhores condições para dirigir o Governo nos tempos incertos que se adivinham.

Não consigo esquecer os tempos sombrios que vivi e são esses que vêm à memória nos momentos crispados que as instituições democráticas não justificam. Só não quero mais a possibilidade do regresso a tão tenebrosos tempos.

Os documentos que restam da longa noite são o ferrete que acicata o desprezo por uma época onde o despotismo era norma, a delação hábito, e a canalhice emprego.

Ali, a 10 km da Guarda, sem água canalizada, telefone ou luz elétrica, 40 alunos para ensinar e quatro filhos para criar, com horta, uma cabra e galinhas, para que os frescos, a carne, os ovos e o leite não faltassem, ainda era objeto de investigação ao pensamento e aos sentimentos que nutria pelos filhos.

A PIDE era assim, mesquinha, persecutória e a viver da delação. Portugal não era um país, era a cela comum de um povo oprimido. Não lhe bastava vigiar uma pessoa, devia também espiar-lhe a mãe.

Minha saudosa mãe!


Comentários

mensagensnanett disse…
"regresso ao tempo dos bufos e rebufos que andavam à solta a vigiar as pessoas e a controlar-lhes o pensamento."
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Esse também é o mundo de hoje em dia.
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.BOYS E GIRLS (Merkel, Sarkozy, etc) DO PSEUDO-ACOLHIMENTO DEVEM SER JULGADOS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
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Exemplo 1:
- Merkel (etc) bloqueiam a investigação à forma como chegam armas a 'grupos rebeldes' que... não possuem fábricas de armamento!
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Merkel (etc) estão preocupados é em acusar de '''RACISTAS''' os Identitários separatistas que dizem o óbvio:
- «a recepção de refugiados faź parte do negócio... os países aonde são produzidas as armas utilizadas pelos 'grupos rebeldes' é que têm de pagar a ajuda aos refugiados».
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[É isso: a máfia do armamento fornece armas a 'grupos rebeldes' (sim: os 'grupos rebeldes' não possuem fábricas de armamento!) para lucrar, não apenas com a venda de armas, mas também com o acesso a recursos naturais de baixo custo (petróleo, etc)... e mais, refugiados são deslocados para locais aonde existem investimentos interessados em negócios de abundância de mão-de-obra servil].
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Exemplo 2:
- Merkel (etc) bloqueiam a introdução da Taxa-Tobin.
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Merkel (etc) estão preocupados é em acusar de '''RACISTAS''' os Identitários separatistas que dizem o óbvio:
- «num planeta aonde mais de 80% da riqueza está nas mãos dos mais ricos, que representam apenas 1% da população, quem deve pagar a ajuda aos povos mais pobres é a Taxa-Tobin, e não a degradação das condições de trabalho da mão-de-obra servil de outros povos».
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O EUROPEU-DO-SISTEMA XX-XXI NÃO GOSTA DE TRABALHAR PARA A SUSTENTABILIDADE... E QUER PROIBIR OS IDENTITÁRIOS DE O FAZEREM
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Um exemplo:
- quando os Identitários discutem a constituição de uma sociedade economicamente sustentável, isto discutem a promoção/valorização de todos os trabalhadores necessários à sociedade (incluindo a mão-de-obra servil)... o europeu-do-sistema XX-XXI quer que essa discução seja PROIBIDA: sob a acusação de ser '''RACISMO''" não estar disponível para receber a abundância de mão-de-obra servil que os supremacistas demográficos (africanos e outros) estão disponíveis para fornecer.
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Separatismo Identitário
(separatismo-50-50)
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A situação já é anterior a Jesus Cristo:
- O CIDADÃO DE ROMA CONTINUA IGUAL!!!
---> o cidadão de Roma XX-XXI (tal como o cidadão de Roma do passado) projecta uma economia partido do pressuposto da existência de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil.
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Separatismo Identitário na Europa:
--» Por um lado, temos o EUROPEU CIDADÃO DE ROMA: das negociatas...
--» Por outro lado, temos o EUROPEU IDENTITÁRIO: este europeu valoriza o Ideal de Liberdade que esteve na origem da nacionalidade: 'ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo'.
[pois é, é isso: na origem da nacionalidade, não estiveram, nem tiques-dos-impérios, nem negociatas de índole esclavagista -> o cidadanismo de Roma]
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SEPARATISMO-50-50
---» Todos Diferentes, Todos Iguais... isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» INCLUSIVE as de rendimento demográfico mais baixo, INCLUSIVE as economicamente menos rentáveis.
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-» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com
mensagensnanett disse…
P.S.
Bufos e rebufos das intenções identitárias... E... greves 'carne para canhão'
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Quem trabalhe numa das mais variadas corporações... e revele intenções identitárias... é considerado um alvo a abater.
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Quem proteste contra as FAMOSAS GREVES CARNE PARA CANHÃO... dizendo o óbvio:
1- sem igualitarismos, é certo, no entanto, todos os trabalhadores da sociedade ( incluindo a mão-de-obra servil) devem ser valorizados socialmente;
2- num planeta aonde mais de 80% da riqueza está nas mãos dos mais ricos, que representam apenas 1% da população, quem deve pagar a ajuda aos povos mais pobres é a Taxa-Tobin, e não a degradação das condições de trabalho da mão-de-obra servil de outros povos;
---> é classificado pelos sindicalistas do sistema como sendo um 'RACISTA'.
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Nota 1: sindicalistas do sistema propagandeiam aos sete ventos: "indivíduos de índole Identitária não devem fazer parte da nossa corporação".
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Nota 2: AS FAMOSAS GREVES 'CARNE PARA CANHÃO"
-> trabalhadores que possuem condições acima da média... fazem greve sabendo que os mais pobres vão ser os mais prejudicados pela greve: vão ser usados como 'carne para canhão'.

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