Solidariedade fraternal, insânia religiosa ou ambas?

Malik Faisal Akram, cidadão britânico de 44 anos, pretendeu libertar a irmã, condenada a 86 anos de prisão, em 2010, detida por pertencer à Al Qaeda, e que, ao ser interrogada, tirou a arma de um guarda e disparou contra os oficiais americanos que a interrogavam em Ghazni, no Afeganistão.

Desconheço se o alegado irmão o era de sangue ou por laços fraternais da fé que o levou do Reino Unido ao Texas, a sequestrar quatro judeus, incluindo o rabino, na sinagoga em que oravam, e exigir a libertação de Aafia Siddiqui, cientista paquistanesa apelidada de "Lady Qaeda" por jornais dos EUA, onde cumpre uma pena de 86 anos de prisão.

As sinagogas norte-americanas encontram-se sob fortes medidas de segurança devido a frequentes incidentes graves em anos recentes.

Quem conhece os antecedentes da ascensão do nazi/fascismo na década de 30 do século passado, arrepia-se com o regresso do antissemitismo e do valor simbólico do ataque a um templo. No caso presente, o terrorista foi abatido e libertados os sequestrados, mas o ódio sectário das religiões fica como símbolo da xenofobia e do ódio religioso, ódio que potenciou o antissemitismo nazi/fascista, instilado na catequese das crianças cristãs.

Devem os antissionistas, como eu, denunciar as manifestações de antissemitismo, bem como a perseguição aos cristãos e a destruição dos seus templos nos países sujeitos ao fascismo islâmico. E não se julgue que a demência da fé é uma idiossincrasia islâmica, a que levou a queimar a última igreja cristã do Iémen há poucos anos.

Em Myanmar, antiga Birmânia, os budistas exterminam os muçulmanos rohingyas; na Índia, o nacionalismo hindu persegue cristãos e islâmicos; na Europa, os muçulmanos impõem o comunitarismo, recusam a democracia e recrutam fanáticos para a jihad; no Médio Oriente, os cristãos estão em extinção; por todo o mundo, regressam os conflitos religiosos, sob o silêncio cobarde ou a cumplicidade política a troco de votos.

Enquanto as religiões não forem tratadas como os partidos políticos e os clérigos como dirigentes partidários, os extremistas de religiões concorrentes espalham o ódio com que alimentam as clientelas, sem coragem para impor o laicismo nem para assumir a defesa intransigente dos Direitos Humanos. Não são problemas de fé, são casos de polícia.   

Joe Biden veio dizer que foi um ato isolado, e o desvairado crente, agora na companhia de 72 virgens, já tinha sido interrogado pela polícia inglesa por suspeita de ligações ao terrorismo e, ontem, no RU, mais dois indivíduos foram detidos nas cidades de Birmingham e Manchester, no seguimento da investigação em curso sobre o sequestro referido no texto.

Aceita-se a prudência dos dirigentes políticos a desvalorizarem os atos terroristas, para evitarem manifestações de xenofobia e represálias contra crentes pacíficos, mas não se aceita a impunidade com pregações religiosas que colidem com os Direitos Humanos.

Ou o laicismo se torna uma exigência democrática e civilizacional ou a civilização e a democracia soçobram, às mãos do clero, sob as orações e a liturgia das suas religiões.

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