Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
Conhecemos em Portugal o estilo...
"Em caso de aflição agarra-te à religião"...
Sempre fomos um País que acredita nos milagres, na taluda , a "mim nunca acontece", etc.
Parece que exportamos estas "virtudes", essas crenças, para as ex-colónias...
Ramos Horta vitima da sangrento ataque de 11 de Fevereiro, sobreviveu porque as Forças da ONU lhe prestaram assistência imediata e pelos cuidados hospitalares que recebeu em Darwin (Austrália).
Hoje, evoca-se a "mâo de Deus"...
Ramos Horta, como responsável político, não pode passar uma esponja sobre este acto de cobardia ou de rebelião, altamente perturbador da estabilidade política de Timor
Não foi um castigo divino...a ser redimido em missas.
Foi um grave ataque às instituições democráticas de Timor.
O bispo de Bacau contempla com falso distanciamento o comportamento de Ramos Horta.
Está atento à sua "conversão" espiritual...
Vai afirmando:
"Se ler a constituição de países europeus, como Portugal ou França, é claro que os políticos não têm o direito de afirmar a sua religião. Mas aqui na Ásia é diferente".
Caro bispo, vivemos num só Mundo. Os Estados europeus a que se refere não "nasceram" laicos. Sofreram também intervenções da religião - por vezes determinantes - na sua rota política.
Viveram o espectro de um domínio universal que emanava de Roma (ou melhor do Vaticano).
A compreensão do Mundo, mas também a evolução dos sistemas políticos, levou-os a tornaram-se laicos.
Mas, já agora, retifique a sua opinião. Os políticos podem afirmar a sua religião, o agnosticismo, o seu ateísmo.
Laico é o Estado e deve afirmar-se e comportar-se como tal.
Entretanto, em Timor vai ter uma concordata com o Vaticano.
Ramos Horta, entusiástico, apoia.
Entretanto, também, passados mais de 8 meses Ramos Horta não deu explicações cabais - ao povo maubere e ao Mundo - desse graves incidentes de 11 de Fevereiro.
Repousa no domínio do sobrenatural ou, do mais terreno - "golpe"?
Um dia saberemos...
O bispo de Bacau afirmou que Descartes não se aplica me Timor.
Deixo-lhe esta reflexão:
A Força da Alma não Basta sem o Conhecimento da Verdade
" É verdade que há pouquíssimos homens tão fracos e irresolutos que desejem apenas o que a sua paixão lhes dita. A maioria tem determinados julgamentos, pelos quais pautam uma parte das suas acções. E embora frequentemente esses julgamentos estejam errados, e mesmo se fundamentem em algumas paixões pelas quais a vontade anteriormente se deixou vencer ou seduzir, entretanto, como ela continua a segui-los quando a paixão que os causou está ausente, podemos considerá-los como suas prórpias armas, e pensar que as almas são tanto mais fracas ou mais fortes quanto menos ou mais conseguirem seguir esses julgamentos e resistir às paixões presentes que lhes são contrárias.
Mas há no entanto grande diferença entre as resoluções que procedem de alguma opinião errada e as que se baseiam apenas no conhecimento da verdade; tanto que, se seguirmos estas últimas, estamos seguros de nunca sentirmos pesar nem arrependimento, ao passo que sempre os temos por haver seguido as primeiras, quando descobrimos que estão erradas."
René Descartes, in 'As Paixões da Alma'