Esta esquerda não é a minha

Não esqueço que quem diz que não é de direita nem de esquerda é de certeza de direita, e quem, dizendo-se de esquerda, é maior adversário de outro partido de esquerda do que de qualquer um de direita, é deliberado ou ingénuo aliado da última.

O frenesim quanto ao futuro PR só se compreende pela frustração que o atual causou ao País, pelo cansaço insuportável que, pela primeira vez em democracia, um PR provocou e pelos danos que a sua paixão partidária causou à instituição para que foi eleito.

A antecipação da discussão sobre a candidatura presidencial apenas serve para diminuir a importância das legislativas e do julgamento desta maioria bem como o esquecimento precoce de Cavaco Silva que dilatou a agonia do país sob um governo inapto e à solta.

É legítimo, todavia, que qualquer cidadão manifeste a intenção de se candidatar, que vá procurando ocupar espaço na comunicação social e apoios na sociedade o que faz que a realidade seja o que é e não o que devia ser.

O que não assiste a quem se reclama de esquerda é o direito de denegrir candidatos que possam ser opção da segunda volta para derrotar o Cavaco-bis. Fazê-lo é dizer à direita que até outro Cavaco e a reincidência em outro Passos Coelho lhe será permitido.

Esta não é a minha esquerda.

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