O da esquerda não bate na mulher


Comentários

Jaime Santos disse…
Caro Carlos Esperança, Lamento, mas como já aqui disse, acho que comete um grave erro ao insistir na condenação do Sheik Munir por violência doméstica. Pode fazer a apreciação que quiser do Homem e das suas ideias, mas lembre-se que está já a declará-lo culpado de um crime grave. Isso deve ser deixado aos tribunais. Também no caso de José Sócrates, infelizmente, as pessoas confundem os planos moral e político com o plano judicial. Uma Pessoa, mesmo que a consideremos detestável, tem direito à Presunção de Inocência. Esse é que é o Supremo Valor Laico e Republicano. Os tribunais eclesiásticos é que condenavam sem provas e recorrendo à tortura...
Jaime Santos:

O Sheik Munir é uma figura pública que defende o carácter pacífico do Islão. Tem razão quanto ao dever de presunção de inocência mas não devemos ignorar a misoginia islâmica e a perversidade do Corão, como, aliás, a do Antigo Testamento de forma igualmente marcada.

As dez razões pelo qual o Alcorão oprime e insulta as mulheres"

10 - Um marido tem sexo com sua esposa tal como um arado em um campo sujo. O Alcorão, na Sura (Capítulo) 2:223 diz:
"Vossas mulheres são, para vós, campo lavrado. Então, achegai-vos a vosso campo lavrado, como e quando quiserdes..." (trata-se de uma instrução quanto à posição sexual)

9 - Os maridos estão um grau acima de suas esposas. O Alcorão na Sura 2:228 diz:
"as Esposas têm os mesmos direitos que os maridos têm de acordo com os princípios gerais conhecidos. Naturalmente, os homens estão um grau acima delas no seu estatuto"

8 - O homem ganha sempre o dobro da partilha da herança que a mulher tiver direito. O Alcorão na Sura 4:11 diz:
"Ao homem, cota igual à de duas mulheres"

7 - O testemunho de uma mulher vale metade do testemunho de um homem. O Alcorão na Sura 2:282 diz:
"E tomai duas testemunhas, dentre vossos homens. E, se não houver dois homens, então um homens e duas mulheres, dentre quem vós aceitais por testemunhas, pois, se uma delas se descaminha da lembrança de algo, a outra a fará lembrar."

6 - Uma esposa pode casar-se com seu ex-marido se, e apenas se, ela se casar primeiro com outro homem, ter relações sexuais e, então, o segundo homem se divorciar dela. O Alcorão na Sura 2:230 diz:
"E, se ele se divorcia dela, pela terceira vez, ela lhe não será lícita, novamente, até esposar outro marido. E, se este se divorcia dela, não haverá culpa, sobre ambos, ao retornarem um ao outro"

5 - Escravas são propriedade sexual de seus donos masculinos. O Alcorão na Sura 4:24 diz:
"E vos é proibido desposardes as mulheres casadas, exceto as escravas que possuís"

4 - Um homem pode ser polígamo com até quatro esposas. O Alcorão na Sura 4:3 diz:
"Se temerdes ser injustos no trato com os órfãos, podereis desposar duas, três ou quatro das mulheres que vos aprouver. Mas, se temerdes não poder ser equitativos para com elas, casai, então, com uma só, OU CONFORMTAI-VOS COM O QUE TENDES à MÃO" (***-> destaque para esta última frase)

3 - Um polígamo Muçulmano pode livrar-se sem problemas de maior de qualquer das esposas que considerar indesejáveis. O Alcorão diz na Sura 4:129:
"Não podereis, jamais, ser equitativos com as vossas esposas, ainda que nisso vos empenheis. Por essa razão, não declineis demasiadamente uma delas, antes largai-a como se estivesse abandonada; porém, se vos reconciliardes e temerdes, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo."

2- Maridos podem bater nas suas esposas. Por incrível que possa parecer, basta que os maridos DESCONFIEM que as suas esposas possam estar desobedientes (independentemente de se conseguir provar se as esposas realmente tenham sido desobedientes. (como se violência doméstica de qualquer forma fosse aceitável). O Alcorão na Sura 4:34 diz:
"àquelas de quem temeis a desobediência, exortai-as, pois, e abandonai-as no leito, e batei-lhes. Mas caso elas vos obedeçam, não busqueis meio de importuná-las. Por certo, Allah é altíssimo e grande."

1 - O CASAMENTO PODE SER TEMPORÁRIO e aos HOMENS ADULTOS É PERMITIDO CASAR COM MENINAS PRÉ-ADOLESCENTES. O Alcorão na Sura 65:1 diz:
"Ó Profeta! Quando vos divorciardes das mulheres, divorciai-vos delas dentro do período de tempo inicialmente acordado para a duração do casamento. E contabilizai bem esses períodos"
O Alcorão na Sura 65:2 diz:
"Todavia, quando tiverem cumprido o seu término prefixado, tomai-as em termos equitativos ou separai-vos delas, em termos equitativos. Em ambos os casos fazei-o ante testemunhas equitativas, dentre vós, e justificai o testemunho ante Deus"

O Alcorão na Sura 65:4 diz:
"Quanto àquelas, das vossas mulheres, que tiverem chegado à menopausa, se tiverdes dúvida quanto a isso, o seu período prescrito será de três meses; o mesmo será no que respeita àquelas que ainda não tiverem chegado à condição de menstruar"
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Lamento, mas acho que o Carlos está a assumir que porque alguém é Muçulmano e o Alcorão diz aquilo que citou, o deveremos considerar de imediato culpado. Ora, nós não temos competência para tal, isso fica para os Tribunais do nosso Estado Laico. Não sabemos sequer se a pessoa em questão interpreta o texto literalmente, ou se, como a maioria dos crentes, faz a selecção das passagens que aludi atrás. O que escreve aqui é da sua responsabilidade, mas devemos combater ideias que consideramos perniciosas, não as pessoas que têm essas ideias (o que não é uma boa maneira de convencer alguém, note-se). Se elas ultrapassarem os limites da Liberdade de Expressão ou recorrerem à Violência, cá estará a nossa Lei Laica para as sancionar.
Jaime Santos:

Respeito os crentes mas combato as crenças. Sem o Deuteronómio não teria havido justificação para a Inquisição, sem o Novo Testamento não haveria antissemitismo, sem o judaísmo não haveria sionismo, etc., etc..

Posso estar enganado, nunca me considerei detentor da verdade única, mas penso que as religiões são nocivas e perigosas. O terrorismo pode ter causas económicas - e tem -, mas a religião tem sido um detonador importante.

Provoquei ao Sheik Munir, no programa Prós e Contras, uma crispação, comum ao representante católico, padre Anselmo Borges, e ao judeu. Só o Sheik Munir desapareceu sem se despedir de ninguém. Perfilhar uma religião que discrimina a mulher (como, aliás, todos os monoteísmos) não é um bom cartão de apresentação. Vi bem o ódio perante um ateu, neste caso o presidente da Associação Ateísta Portuguesa. As convicções fazem os homens mas respeito a sua benevolência.
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Eu não acho que as religiões sejam necessariamente nocivas e perigosas. Acho que o podem ser, como qualquer outro sistema de poder baseado numa verdade dogmática (como o Comunismo Soviético, e note que se hoje o terrorismo é sobretudo de natureza religiosa, até aos anos 80 era sobretudo terrorismo de Extrema-Esquerda). Mas não é o seu julgamento negativo das religiões que eu pretendo contestar, o Carlos tem todo o direito à sua opinião. O problema é que está a deixar que o julgamento que faz de um conjunto de crenças (assim como a sua antipatia pessoal relativamente à pessoa em questão, que até pode ser justificada) constitua uma prova de culpabilidade de um crime cometido pela pessoa que alberga essas crenças. Isso, desculpe que lhe diga, é um 'non-sequitur'. Sou até capaz de apostar como o Carlos (mas não tenho dados), que existe uma correlação entre as crenças dos abusadores relativamente ao papel da mulher na sociedade (independentemente da religião professada) e o abuso. Mas, como bem sabe, correlação não implica causa e de qualquer maneira, não faz sentido usar da estatística para considerar casos individuais. Só uma investigação policial cuidada, recorrendo a testemunhos, aos relatórios médicos, etc, seguida de uma eventual acusação e julgamento, poderá determinar a culpabilidade. De outro modo, poderá estar a cometer uma grave injustiça. E isso só contribuiria para enfraquecer a sua posição relativamente à carácter nocivo das religiões, porque no fim de contas seria o Ateu a fazer o papel do Inquisidor...
Jaime Santos:

Concordo consigo no dever de presunção de inocência de um cidadão, seja quem for, mas não o acompanho na desculpabilização das crenças, sejam de natureza política ou religiosa. Não pouparei, aliás, quem em nome do ateísmo cometer crimes mas não esqueça que da poligamia à desigualdade de género e à violação de menores (casamento a partir dos 9 anos, tal como o beduíno analfabeto e amoral Maomé, acontecem não apenas em contexto islâmico mas com a bênção do Corão.
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Concordamos no essencial. Deixemos que a nossa Justiça Laica se pronuncie relativamente a este caso. Quanto ao Alcorão, claro que um texto medieval, lido de forma literal, só pode dar origem a interpretações medievais. Preocupa-me mais qual a interpretação que cada crente tem do texto e como é que isso se reflecte na sua vida. E não desculpabilizo as crenças na medida em que delas originar a violência e o opróbrio, mas não gosto de generalizações abusivas, os crentes, assim como os ateus, não são todos iguais... E não deixarei que ninguém me obrigue a viver à luz de uma crença que não partilho, por isso é que vivemos num Estado Laico.
Jaime Santos:

Obrigado por esta agradável troca de impressões. Creio que, no essencial estamos de acordo. Se não estivéssemos seria igualmente gratificante.

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