Nas vésperas da tomada de posse de Donald Trump…

Nas vésperas da tomada de posse do presidente eleito norte-americano Donald Trump o Mundo conhece dias de agitação, confusão e intensa perigosidade.
Desde o aviso da China sobre a conceção da “China única”, às relações entre os EUA e a Rússia passando pela transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém para acabar no acordo UE/Turquia tudo estremece.

As declarações de Pequim (advertências) sobre as intenções reveladas pela nova administração americana são extremamente duras, claras e incisivas. O princípio da ‘China única’ não é um assunto que Pequim aceite como negociável e as sinuosas e levianas posturas de Trump em relação a Taiwan, constituem um tremendo risco politico e militar.

O relacionamento entre os EUA (entenda-se o ‘Ocidente’) e a Rússia foi abordado de forma obscura e enigmática por Trump na sua primeira conferência de imprensa pós-eleição. O problema ucraniano – em que a Europa sob o servilismo de Barroso serviu de ‘ponta de lança’ da NATO – estará em vias de fazer parte de qualquer negócio. Apesar dos desmentidos do futuro Secretário de Estado dos EUA, perante o Congresso, algo deverá estar em marcha. Resta, depois, apurar a quem serviram as ‘sanções’ que se estabeleceram, já que ninguém acredita em medidas com efeitos económicos ‘neutros’.

A ‘questão Palestina’, sob uma enorme tensão desde a aprovação de uma resolução pelo CS da ONU exigindo o fim da implantação de colonatos conhece uma nova escalada. A anunciada transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém deverá originar uma nova escalada de violência na região.
Nesta mesma região, a ‘situação síria’ conhece um período de alguma acalmia mas grande parte desse ilusório ‘sossego’ passa pelo afastamento dos EUA do centro do conflito e de acordos marginais estabelecidos entre a Rússia e a Turquia. 

A acordo UE/Turquia quanto aos refugiados, bem como as recentes manobras da NATO na Polónia, serão por assim dizer os problemas mais próximos para os portugueses (enquanto europeus).

O problema dos refugiados cavou profundas fissuras nos membros da UE e a solução de colocar (a troco de milhões de euros e promessas de adesão) o Governo de Erdogan a servir de ‘tampão’ não se revelou eficaz. Tornou-se num objeto de permanente chantagem de Ankara sobre Bruxelas (e Berlim) e falta conhecer quais serão as decisões dos Tribunais Europeus sobre os recursos em apreciação.

Finalmente, o reforço da presença da NATO na Polónia, isto é, às portas da fronteira geográfica entre a Rússia e a UE, dificilmente escapará ao estatuto de uma dupla provocação. Primeiro, às linhas vermelhas de segurança defendidas por Moscovo, depois, não deixa de ser um último gesto da administração Obama para ‘envenenar’ as futuras relações Washington-Moscovo.

Na realidade, o acender de fogos por todo o lado leva-me a especular se o processo de nomeação de António Guterres para Secretário-Geral da ONU não foi um ‘presente envenenado’. Pouco mais de uma dezena de anos depois de se afastar do pântano está ameaçado atolar-se num insondável e profundo lamaçal.

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