Votos de Bom Ano Novo

Car@s leitores:

Chegados ao fim de mais um ano, é mister apresentar os votos canónicos de Boas Festas e desejar um feliz Ano Novo, por mais improvável que seja feliz o ano que aí vem.

Em Portugal, os deuses foram generosos. Com a nossa ajuda, é certo. Após o desalento com Passos Coelho, Portas e Cavaco abriu-se uma janela de esperança, mas o Diabo, de que falava um avatar, ora caído em desgraça, espreita.

Recordo os versos de O’Neill:

«Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo
golpe até ao osso, fome sem entretém
....
meu remorso
meu remorso de todos nós...»

O mundo está em perigo e o botão nuclear dos EUA vai ficar ao alcance do polegar de um empreiteiro. Esqueçamos isso por umas horas.

Gozemos a noite de hoje, deixando-nos embalar no sonho, sem abdicar da vigilância que nos cabe contra os demónios que ameaçam a Humanidade.

Façam favor de ser felizes. Pelo menos, hoje.

Comentários

e-pá! disse…
" ...O mundo está em perigo e o botão nuclear dos EUA vai ficar ao alcance do polegar de um empreiteiro".

Na reunião de Maio 2010 os países com armamento nuclear subscritores do TNP acordaram a interdição de armas nucleares massivas no Médio Oriente. Tratou-se, aparentemente, de um consenso raro, mas também a 'tentativa de branqueamento', à posteriori, da desastrada intervenção americana no Iraque.

Em 2012 os signatários deste acordo tentaram organizar uma conferência internacional sobre este assunto (armamento nuclear no Médio Oriente). Em questão estaria o Irão que estaria a desenvolver tecnologia nesta área capaz de vir a fabricar armas nucleares. Quando foi levantado o problema do armamento nuclear de Israel a conferência foi liminarmente 'esquecida'. Israel que recusa integrar o grupo TNP considerou a conferência 'hipócrita'.

Tudo isto para sublinhar que Israel está a transformar-se num 'país-pária' do concerto das nações. A sua tomada de posição sobre a última resolução da ONU acerca dos colonatos é só o mais recente episódio de afrontamento e desprezo ao direito internacional.

Agora Israel julga-se com ainda mais força porque espera de Trump o fechar de olhos às violações dos compromissos internacionais e, em complemento, uma atitude revogatória - segundo os moldes ditados por Netanyahu no Congresso americano - ao acordo nuclear estabelecido entre os EUA e Irão em 2015.

De facto, a tomada de posse de Trump em 2017, como presidente dos EUA, não deixa de significar o início de uma descontrolada cavalgada em direção ao precipício...

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