Notas Soltas – dezembro/2016

1.º de Dezembro – O regresso do feriado da Restauração da independência de Portugal não foi mero ato de reparação da injustiça, cometida por ignorância ou maldade, foi um dia de exaltação patriótica simbolizada pelo PR e PM, tão diferentes dos anteriores.

Assunção Cristas – A líder do CDS regozijou-se publicamente pelo regresso do feriado do 1.º de Dezembro, ato de profunda hipocrisia de quem votou a suspensão e se absteve quando PS, BE, PCP, PEV e PA o repuseram. Dissimulada, como Paulo Portas.

Carlos do Carmo – A comenda de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, com que o PR agraciou o notável fadista, reparou uma injustiça e mostrou que a direita civilizada tem sentido de Estado e enjeita o sectarismo político.

Áustria – A derrota da extrema-direita deixou aliviados os que temiam o efeito Trump e pensam que a democracia é bastante forte para barrar o caminho aos populistas, mas os demónios extremistas não foram erradicados e podem ganhar as próximas legislativas.

Itália – A humilhante derrota do primeiro-ministro no referendo inventado para alterar a Constituição deixou o país mergulhado na incerteza e a Europa com mais um problema.  Eis o pior cenário que a Europa podia esperar.

Brasil – A promiscuidade entre o STJ e o Senado atingiu o auge ao aceitar que Renan Calheiros permaneça presidente do Senado, de que fora afastado, mas saindo da linha sucessória da Presidência da República, contrariando a Constituição.

Egito – A explosão de uma bomba fez dezenas de mortos e feridos junto à catedral da Igreja Ortodoxa Copta, no Cairo. O sectarismo contra a maior comunidade cristã (cerca de 10% da população) foi mais um ato intolerável do terrorismo islâmico.

ONU – A chegada de António Guterres ao cume da Organização que procura o concerto das nações, para que o conserto do mundo ainda seja possível, encheu os portugueses de júbilo e o mundo de esperança, graças ao seu humanismo, competência e determinação.

Pena de morte – A crueldade e os erros judiciários deviam fazer da abolição o desígnio civilizacional a nível global, mas há risco de retrocesso em vários países, mesmo depois de um condenado do estado do Alabama (EUA) ter estado 13 minutos em agonia.

PR – Um presidente não é bom ou mau por ser hipercinético, mas ser um político culto, inteligente e com sentido de Estado, eleva o amor-próprio dos portugueses que a direita mais reacionária gostaria de ver acabrunhar com o aparecimento do diabo.

António Guterres – A posse, com rara unanimidade internacional a apoiá-lo, e o seu discurso notável proporcionaram momentos de alegria para os portugueses e para quem ali os representou, Marcelo e António Costa, PR e PM unidos no regozijo.

Síria – O Ocidente falhou. Dividiu os jihadistas em rebeldes [seus] e terroristas [outros] e demonizou o regime de Assad. Terminou por armar a Al-qaeda, empurrar milhões de refugiados para a Europa e cimentar uma temerária aliança entre Assad, Rússia e Irão.


Donald Trump – Ao declarar que “EUA devem expandir o seu arsenal nuclear até que o mundo ganhe bom senso”, parece ignorar que o existente permite destruir várias vezes o Planeta, e o mundo assusta-se com o botão nuclear nas mãos de um empreiteiro.

Turquia – O assassínio do embaixador russo, perpetrado por um militar graduado da segurança pessoal do Presidente Erdogan, levanta dúvidas sobre a origem e finalidade da bárbara execução, após o entendimento dos dois países rivais acerca da Síria.

Filipinas – A Comissão dos Direitos Humanos anunciou a investigação das declarações de Rodrigo Duterte, que assumiu ter assassinado alegados traficantes de droga quando era presidente da Câmara. O PR é o delinquente eleito a apelar a execuções sumárias.

Allepo – As tropas do diabolizado ditador sírio libertaram a cidade mártir com a ajuda russa. Alegra-me que tornassem possível aos cristãos celebrarem a missa de Natal, pela primeira vez em 4 anos, após a vitória dos maus contra o Estado Islâmico.

Alexandrov Ensemble – O avião obsoleto, que transportava o grupo musical oficial do exército russo, com destino à Síria, caiu no Mar Negro. Calaram-se os instrumentos e as vozes do coro emblemático que, desde 1928, era uma referência mundial.

Terrorismo – Depois de Paris, Londres, Madrid ou Nice, neste mês, o terror regressou a Berlim e a Zurique, com o assassínio extra do embaixador russo, em Ancara, no país onde o PR abandonou a defesa da Europa e se tornou uma das suas maiores ameaças.

Israel – Apesar da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, contra a construção de mais colonatos nos territórios ocupados, Israel garantiu que a construção vai continuar. Não basta erradicar o antissemitismo, é urgente combater o sionismo.

Espanha – Segundo a Fundação Ferrer y Guardia, os matrimónios religiosos caíram de 79,4%, em 1992, para 29,1%, em 2015; os civis passaram de 20,6% do total para 70,4% atuais. A rápida secularização inverteu a tradição confessional dos casamentos.

Boko Haram – O ramo leal ao Estado Islâmico, que ansiava criar o califado na Nigéria, depois de gerar 15 mil mortos e 2 milhões de deslocados, está em desagregação, depois de derrotado. As atrocidades cometidas no Níger, Camarões, Chade e Nigéria pararam.

Almaraz – Em vez de encerrar uma central nuclear obsoleta e fora de prazo, o governo espanhol autorizou a construção de um armazém de resíduos nucleares no mesmo local, junto à fronteira. Portugal não pode consentir a catástrofe de um novo Tchernobyl.

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