Cavaco Silva e o livro de memórias

O DN de hoje avisa que Cavaco Silva, que o país julgava em defunção, vai publicar, em fevereiro, um livro de memórias, definido pelo jornal como uma “espécie de regresso à vida política”.

Sendo assim, sem antecipar o período a que as memórias se referem, não se trata de um evento literário anunciado, mas de uma ameaça concretizada através da Porto Editora.

Certamente que não vai desvendar o pensamento político anterior ao 25 de Abril nem as circunstâncias em que preencheu uma ficha na Pide, com erros de ortografia e a suspeita alusão à madrasta da amantíssima esposa.

Também não é de crer que as memórias superem a piedosa autobiografia ou a tentativa de branqueamento dos numerosos atos que o tornaram o único PR que, depois do 25 de Abril, deixou funções sem deixar saudades.

O prejuízo causado ao país na dilatação do prazo de validade do governo do PSD/CDS e a obstinação em reconduzi-lo à margem da vontade da AR, único local onde o Governo se legitima, não vai certamente ser objeto de arrependimento.

A insistência na rejeição da obrigação constitucional de dar posse ao atual governo, as advertências para acirrar os mercados contra ele e as ameaças explícitas ao apoio do BE, PCP e PEV ao governo do PS, não lhe merecerão um ato de contrição. Acabou a dar-lhe posse com azedume, esquecido de que presidira um dia a uma cerimónia de posse para o governo inexistente, de que o CDS se demitira.

Pode ser que, após exame de consciência, receoso do Inferno, faça uma confissão bem-feita sobre a compra e venda das ações da SLN e a aquisição da vivenda Gaivota Azul ou de como um alferes, ainda sem licenciatura, conseguiu ser colocado nos serviços de administração militar no quartel-general, na capital da colónia.

Vamos aguardar pelo papel impresso onde pode repetir ‘não fiz, não faço nem façarei’ o que quer que seja parecido com literatura. Nunca será um livro, apenas um rol de contabilista.

Comentários

so para terminar um mau contabilista e péssimo professor !
Julio disse…
Nunca gostei de presidentes católicos que beijam papas!

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