Uma breve pincelada sobre o projeto Trump…

Um sem número de disputas comerciais terminou em conflitos armados. Para os portugueses o exemplo histórico mais claro desta trágica evolução foi o napoleónico ‘Bloqueio Continental’, no início do século XIX, que trouxe a Portugal a Guerra Peninsular.

Quando se olha para o ‘grande projeto’ de Trump para tornar a América mais poderosa e verificamos que a estratégia passa por uma guerra comercial com a China a primeira pergunta é: quais as consequências de tal atitude?

Com certeza que é um caminho com grandes riscos. Um bloqueio dos Estados Unidos à economia chinesa terá sempre vários efeitos colaterais. E algo pode correr mal.

A outra pergunta é: Como compatibilizar a ‘pátria da democracia liberal’ com medidas protecionistas que suportem o tal ‘bloqueio’?
Na verdade, o populismo surge como o sucessor do liberalismo precipitado pelo fim do bloco soviético. E o populismo cresce de braço dado com o ressurgimento dos nacionalismos mais ignóbeis.

A economia norte-americana e a chinesa são a 2 maiores do Mundo. O embate será fortíssimo e os estilhaços poderão (deverão) atingir ambas as partes.
Quando, há 15 anos, os EUA abriram as portas da OMC à China reconheceram implicitamente a este último país o estatuto de ‘economia de mercado’. No fundo, os EUA com esta medida queriam alargar o mercado de consumidores mas o feitiço virou-se contra o feiticeiro. Hoje, terminado o período inicial de adesão à OMC voltam a por em causa esse estatuto.

A China deseja impor os seus produtos no mercado global mas os EEUU desejam refrear esses ímpetos à custa de medidas protecionistas. Parece um problema técnico mas, na verdade, trata-se de uma questão eminente política. O pretexto é a imposição de cláusulas anti-dumping que sejam capazes de proteger economia americana do seu direto concorrente.

O problema é a UE que tendo uma capacidade política limitada para confrontar-se com a China e tendo como lema a livre circulação de pessoas e bens será a primeira a sofrer as consequências.

São muitos a acusar que a economia chinesa é oculta e sub-repticiamente subsidiada e por isso tem elevada competitividade nos preços e tal situação facilita a exportação. A fragilidade europeia e a desconformidade das legislações laborais entre a prática chinesa de salários de miséria (excedente de mão de obra qualificada ou não) e o direito de trabalho europeu (mesmo nas conceções neoliberais) poderiam a breve trecho acabar com milhões de postos de trabalho na UE atingindo particularmente os países do Sul (Espanha, França, Portugal, e outros). 

Conclusão: Trump está apostado em travar uma ‘guerra comercial’ com a China mas adivinha-se como consequência uma espiral recessiva já que não é prudente ignorar que a China perante as medidas protecionistas americana não contraponha respostas idênticas, agravadas pela especulação de fundos soberanos americanos que acumulou durante décadas.

Dessa espiral recessiva, vinda a reboque de uma queda da produção mundial e o enfraquecimento das trocas comerciais só poderá vir para os cidadãos do Mundo (incluindo os americanos) pobreza.

A cavalo da pobreza virá a fome. E chegamos aqui, fechando o ciclo das imprudências populistas, a uma das causas mais frequentes da maioria das revoluções e guerras.
Tão simples como isto!

Comentários

Neste momento são mais as incógnitas do que as certezas, mas a lei de Murphy parece confirmar-se no futuro próximo: tudo o que possa correr mal, correrá efetivamente mal e da pior maneira.

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