Trump soma e segue

Não se espera de um mestre-de-obras que poupe terrenos de vocação agrícola à fúria do betão, nem de um agiota que se comova com os juros das penhoras. Trump foi péssimo nas promessas da campanha eleitoral, e é ainda pior no cumprimento em que insiste.

Ele não é um nacionalista que alguns ingenuamente imaginaram, é o imperialista que se disfarçou de anti globalista para impor a ‘sua’ globalização à força. Não gosta dos EUA, gosta dos países dos outros, a quem pretende assustar e explorar. No próprio país, não se importa de penalizar as energias renováveis a favor dos combustíveis fósseis. Não lhe interessa o futuro dos netos, vive a orgia do curto prazo. Ele próprio é um fóssil.

O muro da vergonha, a cortina de betão com que quer separar o México dos EUA, já foi anunciado para os próximos meses. Tudo o que der um lucro imediato, será indiferente à sobrevivência do Planeta.

A defesa da tortura é a inclusão dos métodos do Estado Islâmico na Nova Ordem da era Trump. Faz a síntese entre um taxista do aeroporto Humberto Delgado e um empreiteiro do século passado, na Reboleira, mas à escala planetária. E tem o mundo refém.

O Reino Unido vai negociar a saída da UE com a senhora May ao colo de Trump, aliado de toda a extrema-direita. Não partirá para uma negociação, vai chantagear uma Europa incapaz de se unir, de seduzir os seus países e de usar o PIB e a população na defesa da civilização a que o empreiteiro americano é alheio.

Se houvesse racionalidade, Trump podia ser o cimento do aprofundamento da UE que, sem ele, foi inexequível. Assim, a Europa fará haraquíri, e o Mundo caminhará para um qualquer holocausto.

Comentários

Manuel Galvão disse…
Ainda há quem não entenda que o RU é o 51º estado norte-americano, e que Merkel é a capataz dos EUA para seus interesses na europa.
Reagan-Thatcher não vos faz lembrar nada?
A Ue só será independente e livre de traçar os seu destino quando se divorciar do amigo-de-onça...
Manuel Galvão,

Reagan-Thatcher-João Paulo II foram os arautos do liberalismo económico e da desregulação dos mercados.

Trump, May e Putin são os profetas da extrema direita cristã.
Manuel Galvão disse…
"Trump, May e Putin são os profetas da extrema direita cristã", admito que sim, mas o que eu queria sublinhar era (é) o facto de o RU JAMAIS ter deixado de ser o 51º estado norte americano. Ele nunca pertenceu a 100% à UE (com ou sem euro). É perfeitamente utópico pensar que, em qualquer guinada da política norte americana o RU não vá imediatamente acompanhá-la, sendo sempre recebido de braças abertos. E isso é a consequência de ainda hoje ser o bloco anglosaxónico quem manda no planeta.
Esperemos é que não se venha a repetir no século XXI o que aconteceu DUAS VEZES no século XX; a USArmy em território continental europeu para impor a sua "ordem democrática". Sempre de mão dada com o RU...

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