Dr.ª Cristas justiceira

A Dr.ª Cristas apareceu no ministério da Agricultura como António Barreto, num antigo Governo do PS, ou Pilatos, no Credo Romano. Não se adivinham as obscuras razões.

A Dr.ª Cristas, confundindo eucaliptos com legumes, incentivou a cultura intensiva dos primeiros e jamais imaginou a jurista que as couves e os nabos não são a matéria prima das celuloses, e bastava-lhe ler jornais para perceber que o aquecimento global, de que só Trump duvida, e os eucaliptos têm uma ação devastadora nas florestas nacionais.

Para cúmulo da ironia foi a Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território no XIX Governo e só perdeu as pastas do Ambiente e do Ordenamento do Território depois da demissão do irrevogável Portas para, no regresso as ceder a Jorge Moreira da Silva, um ministro que acrescentou ao CDS, além da vice-presidência do Governo para si próprio. A Dr.ª Cristas continuou na Agricultura e no Mar.

Conhecida pela lei dos despejos, gosto das touradas e pela leviandade com que aceitou a resolução do BES, sem conhecer o assunto e indiferente às consequências, a pedido da amiga, ministra das Finanças, é hoje a voz da ciência e a consciência crítica do país que finge conhecer. Perora sobre tudo e parece o Nuno Melo de saias, a debitar a raiva da pequenez do partido que Portas lhe endossou.

Enquanto o menino guerreiro, sem generais nem soldados, se prepara para ser o Manuel Monteiro do PSD e Rui Rio é pasto das chamas do seu grupo parlamentar, os jornais e as televisões, sem saberem quem hão de ouvir no PSD, procuram-na com a avidez com entrevistam o PR em calção de banho e lhe exibem a flácida ginecomastia bilateral.

Nos intervalos dos incêndios, Marcelo e Cristas são os convidados de turno de todos os programas.

É nauseante ouvi-la criticar os contratos dos 40 helicópteros que não previram o uso de retardantes, como se a ausência do ‘espumífero’ fosse incúria do Governo, declaração que a comunicação social amplificou, e não fosse motivada por reduzir a capacidade de transporte de elementos operacionais a bordo. D. Cristas ignorou que “nos contratos celebrados para o período 2013-2017 não foi prevista, igualmente, a utilização destes produtos”, apesar de integrar esse governo, onde chegou a ministra da Agricultura, tal como o Conde d’Abranhos a ministro da Marinha, apesar de enjoar.

Mas o pior de tudo é ouvir esta direita falar de ética. Haverá mais leveza ética do que a ida de Barroso para a Goldman Sachs, após a crise financeira da UE, emprego dourado aparentemente negociado ainda antes da sua saída de presidente da CE? Ou da ministra das Finanças, Maria Luís, para assessorar a Arrow Global a aconselhar o fundo abutre em operações de risco que podem envolver Portugal, com saberes que não adquiriu pela via académica ou profissional, mas pela tutela do ministério das Finanças?

Para esta direita, vale tudo. E tem sólidos apoios e cumplicidades insuspeitadas!

Comentários

e-pá! disse…
Existem - como os portugueses já se aperceberam - evidentes erros na política florestal e, consequentemente, na capacidade de prevenção dos acidentes correlacionáveis com essa (errática) questão.
Trata-se de uma questão que ultrapassa a dimensão nacional e insere-se num contexto mais vasto que vai do âmbito climático (ignorado por Trump) aos vastos interesses económicos que colidem com os rendimentos dos pequenos proprietários rurais aos multifocais e extensivos polos (de interesse) das indústrias subsidiárias da exploração das florestas.

Os recentes acontecimentos na Austrália, Califórnia e, na dimensão paroquial, em Monchique mostram-nos exatamente isso. Há algo de profundamente errado na política florestal quer seja no ordenamento, quer seja na gestão e qualificação dos territórios que seja capaz de impedir os dramáticos e repetitivos acidentes dos quais se destacam os incendiários - mas não só.
A abordagem das causas das coisas e a sua correção tornou-se imperativa sob pena de transformar a questão numa atitude de contornos bárbaros, isto é, implementar a 'política da terra queimada'.

Não podemos ficar pela constatação - um pouco na senda da comunicação do primeiro-ministro sobre o incendio de Monchique - de que o País feito um grande esforço, que os operacionais no combate aos incêndios tem sido dedicados e que - só? - nos resta aguardar por melhores dias ou, pior, confiar na 'clemencia divina'.
O que ficou evidente é necessidade de mudar de políticas, de integrar respostas, nomeadamente em relação às assimetrias nacionais, de estruturar o território, de tratar da coesão social, de desenvolver a governação participada e, finalmente, de inserir a política florestal nesse contexto. O problema não é o incêndio de Monchique mas o que todos os incêndios vêm revelando, há dezenas de anos.

A floresta evidencia-se como um problema estrutural nacional e as abordagens sectoriais (técnicas ou cientificas), embora relevantes, mostram-se bastante parcelares e insuficientes. Na mesma medida que ordenamento territorial e consequente gestão dos recursos florestais não devem ser um assunto exclusivo para especialistas a questão dos dramáticos incêndios florestais - altamente perturbadores da tranquilidade pública e segurança das pessoas, das localidades e do(s) património(s) - não pode ficar confinada à proteção civil nem às associações de bombeiros.
Existe aqui um problema nacional que envolve todos e terá de ser enfrentado institucionalmente, a começar pela governação. Basta de comissões 'independentes', basta de pareceres, basta de 'boutades'. Falta adequar respostas políticas fundamentadas e responsáveis (e não meramente opções técnicas) sobre os problemas estruturais que teimam em permanecer e, deste modo, mostrar determinação e capacidade para apagar os múltiplos e variados fogos em curso (não só os florestais)...

Perante um quadro politicamente tão denso e a necessitar de uma imediata reflexão nacional que seja capaz de eliminar erros estruturais alguns seculares - e o momento a solicitar com urgência alterações radicais - as afirmações oportunistas da dirigente do CDS, Assunção Cristas, não têm qualificação possível.
Elas são o espelho da política como uma perversa e lúdica diversão contestatária - essencialmente irresponsável e oportunista - que ao sabor do momento (onde a desgraça de muitos é a face do contentamento de alguns), assumem aspetos que sugerem a mais reles pornografia (política, partidária e institucional).

Ontem, Cristas, perante a comunicação social, ao tomar com espalhafato e impropérios o comboio para regressar às férias no Algarve, sem ter a noção do ridículo despropósito, deu a sensação de estar a reincarnar seu remoto estatuto de «retornada»... . Um penoso retorno à sua insignifaicância política!
arthur disse…
Esta bimba não se apercebe da figura ridícula que anda a fazer. Arrogante malcriada, tosca quato baste, julga que alguém a ouve além dos orgão de comunicação social que a máfia da direita controla.

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